Encontro

1040 Palavras
Laís Narrando... Cheguei em casa, depois de um fim de semana atípico. Eu confesso que desde que beijei o Tubarão, não penso em nada a não ser isso. Será que eu deveria ligar para ele? Talvez devesse esperar ele me ligar... Eu não sei. Eu nunca senti o que estou sentindo agora, e é bem difícil pensar... Bem difícil. Decidi encerrar esse desespero interno e peguei meu telefone. Eu digitei umas doze mensagens, mas apaguei todas, porque realmente não sabia o que falar... Um garoto como aquele iria querer uma garota como eu? Eu acho que não. Quer dizer, talvez queira se aproveitar de mim ou... Zombar de mim, como aquele garoto fez quando eu perdi meu BV. Não me esqueço daquela aposta ridícula que os meninos da minha sala fizeram para ver quem seria capaz de me beijar. Na manhã seguinte, sentei à mesa e meu pai estava fazendo o café da manhã. Fez pão com queijo quente, e suco de laranja natural. Meu pai é um cara legal, responsável, mas bravo demais. Às vezes eu tenho medo dele, às vezes não. Isso depende do humor dele, que depende inteiramente do serviço. Considerando que ele é capitão da polícia, é bem complicado ele chegar de bom humor. - Bom dia, filha. - Disse, colocando um lanche no meu prato. Eu mordi o lanche e depois me servi o suco. - Bom dia. - Respondi, e depois tomei quase todo o suco que servi. - Como foi na Isa? - Ele questionou. Eu dei os ombros. - Normal, divertido. Nada muito importante. Vimos filmes, comemos pipoca, fofocamos... - Fingi não ter importância. Tenho certeza de que se ele descobrisse o que eu realmente fiz, me mataria. - Legal. Que bom que achou divertido. - Falou. - Vai querer carona até o ponto hoje? - Neguei com a cabeça. - Não, hoje não. Vou andando. Aliás, estou atrasada... Até mais, pai. Dei um beijo no rosto do meu pai e saí andando, com a mochila nas costas e o pão na mão. Eu não ligo de comer no caminho. Quando cheguei ao ponto de ônibus, peguei meu celular e havia uma ligação perdida... Dele. Ah, meu Deus! Eu não acredito que perdi uma ligação dele! Peguei o telefone imediatamente e retornei a ligação. Por sorte minha, ele atendeu. - Oi, desculpa não ter atendido... - Falei. Ele soltou uma risadinha, e eu sabia que ele estava sorrindo daquele jeito torto. - Oi, princesa. Eu vou pro centro hoje, topa almoçar comigo? - Meu coração parece ter errado os batimentos ao ouvir que eu o veria novamente. - Claro, eu acharia bem legal. Aonde você quer almoçar? - Ele parecia estar pensando do outro lado da linha. - Quero almoçar o que você quiser. Eu vou pagar. - Ele disse. - Que tal comida japonesa? Faz tempo que não como... Mas eu pago minha parte. - Falei. - Eu pago, relaxa. Tô com uma grana boa. - Disse. Eu não podia negar a gentileza porque sei como isso é importante pra algumas pessoas. - Então, muito obrigada. - Falei. Mordi meu próprio lábio inferior para não falar bobagem. Queria dizer que penso nele o tempo todo desde que o beijei, mas acho que isso o assustaria. - Ei, Laís. - Ele falou, hesitante, do outro lado da linha. - Sim? - Tô ansioso pra te ver, princesa. - Eu sorri comigo mesma e me contive para não gritar. - Manda o endereço por mensagem, eu passo e te pego. - Eu também. - Fale, prendendo a respiração. Vi meu ônibus chegando, e decidi que era melhor desligar. - Nos falamos mais tarde, Tubarão. - Eu espero que ele me beije de novo. p**a merda, espero mesmo. - Preciso desligar, meu ônibus chegou. Entrei no ônibus sorrindo, feliz da vida e mandei a mensagem com o endereço da faculdade. Mas, como felicidade de pobre dura pouco, logo eu cheguei na faculdade e era hora de estudar. Estudei pra caramba, e vez ou outra, parava de estudar para pensar nele... E isso é uma droga. Eu odeio admitir, mas talvez eu tenha me apaixonado no primeiro beijo com o Tubarão. Todo mundo diz que é errado, que é bobagem... Mas eu sou tão intensa! E eu me perdôo por isso. Na hora do almoço, saí da faculdade e tinha uma moto parada em frente a minha faculdade, com um rapaz todo tatuado encostado nela de braços cruzados. Ele estava sério, com uma cara de malvado. E eu me aproximei com um sorriso doce nos lábios. - Oi! - O olhei. Ele abriu um pequeno sorriso e me puxou para um abraço protetor. Deu um beijo em minha testa e depois se afastou de mim. - Como você tá, Laís? - Ele perguntou. - Eu tô ótima. E você? - Ele sorriu de forma maliciosa e me olhou de cima a baixo. Eu estava com um shortinho jeans até a metade da coxa, camiseta preta larga e tênis. - Melhor agora. - Falou. Ele me entregou um capacete. - Coloca, vamos dar uma volta. Eu obedeci. Ele subiu na moto e eu também, e eu o abracei por trás. Primeiro, ele é extremamente cheiroso. Segundo, meu pai odiaria me ver na moto de um cara... Ainda mais um cara como ele. Já no centro da cidade, ele estacionou a moto e guardou os capacetes no baú. Ele pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos, o que me fez sentir minhas bochechas corarem. Entramos no restaurante e ele sentou do meu lado, como fez da outra vez. Ele me olhou com aquela cara de malvado, e sem dizer nada, levou uma das mãos até minha nuca e levou os lábios até os meus. Eu imediatamente fechei meus olhos e correspondi... Senti sua língua atrevida adentrar meus lábios e procurar a minha, e eu a concedi. Levei uma das mãos até o rosto dele, deslizando levemente meus dedos por ali. Quando ele separou nossos lábios, deu um último selinho e sorriu de forma maliciosa. - Que beijo bom. - Falou. - Acho melhor a gente pedir a comida. - Também acho. - Soltei uma risadinha. Nós pegamos o cardápio e começamos a olhar. Seria um longo almoço...
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