CAPÍTULO 1

1812 Palavras
Alexia Minha menina está dormindo em um sono profundo bem aqui ao meu lado e eu não consigo parar de olhar para ela. E pensar que não faz muito tempo que ela estava aqui dentro de mim... Eu me sentia tão insegura nessa época, sentia tanto medo do que estava por vir, mas hoje sei que ela foi a melhor coisa que já me aconteceu. A minha gestação não foi nada fácil, eu fui abandonada pelo genitor da Ana Laura e tive que lidar com tudo sozinha, mas se eu pudesse voltar no tempo faria tudo igual. Essa garota é a minha luz e por ela eu daria a minha vida! Minha filha começou a se mover na cama, abriu os olhinhos parecendo ainda está sonolenta e aquilo me fez sorrir. - Bom dia, minha princesa!- Falei ao passar as mãos por seus cachinhos loiros. - Bom dia, mamãe!- Ele me respondeu com sua voz embargada. Não pude deixar de sorrir ao ouvir sua voz meiga e delicada e deixei um beijinho em seu rosto. -Você dormiu bem?- A questionei enquanto me levantava da nossa cama. -Aham!- Aninha respondeu enquanto descia da cama e vinha atrás de mim. Ela anda meio atrapalhada, por ter as perninhas pequenas e isso sempre me faz rir. Apesar de Ana Laura ter apenas quatro anos ela é uma criança bem esperta. n******e descuidar por um minuto que ela faz uma grande bagunça. Como jogar a gata passar maquiagem na nossa gatinha de estimação, comer a ração da gata, espalhar as panelas da minha mãe pela casa e por aí vai... A lista é extensa, eu poderia passar o dia todo aqui falando. - Pipinha!- ela grita animada assim que vê nossa gatinha. Ela sempre quis ter um bicho de estimação, desde seus dois aninhos e há alguns meses atrás minha avó deu uma gatinha para ela, a partir daí ela nunca mais desgrudou. -Calma, minha filha, assim você vai amassar a gatinha.- A adverti. Ela imediatamente me ouviu e começou acariciar a cabeça da pipinha com todo o cuidado do mundo. São momentos assim que me faz enxergar que toda a dificuldade que eu passei valeu a pena... Ter que trabalhar dia e noite para não faltar nada, passar noites em claro quando ela está doente ou tirar da minha boca para pôr na dela, eu faria tudo isso de novo só para vê-la feliz. - A mamãe vai fazer seu café da manhã. Vê se não coloca fogo na casa.- Brinquei. Caminhava em direção a cozinha e pude ouvir uma risadinha gostosa e aquilo me fez rir. Adentrei pela cozinha e preparei todo o café da manhã da Aninha com tudo que ela mais gosta... Preparei seu leite quente com achocolatado, o biscoito de queijo que ela tanto ama e alguns pedaços de maçã. Já eu comi apenas um pedaço de maçã e bebi um pouco de café, confesso que não gosto de comer muito pela manhã. Coloco tudo em uma bandeja e levo até a sala. -Vem comer!- chamo-a. Ligo a TV no desenho da Masha e o urso, o desenho preferido dela. Confesso que acabou virando o meu preferido também. -Masha!- ela grita animada e sentando no sofá. Dou risada. -Agora fica quietinha que a mamãe precisa estudar!- digo. Pego minha mochila e sento na escrivaninha, que é bem perto da televisão, até porque eu não sou doida de deixar ela tanto tempo sozinha. Abro meu caderno e suspiro. Quando decidi fazer medicina eu sabia que exigiria muito de mim, mas não tanto. Passo a maioria do tempo estudando, me sinto um pouco culpada por não está dando a atenção merecida a minha filha, ainda mais quando a aula é integral. Sei que ela sente minha falta. - Vou fazer uma geleia e o urso vai gostar!- ela começa a cantarolar. Sorrio e balanço a cabeça. . . . Fecho o chuveiro e passo a mão por meus cabelos tirando um pouco da um umidade. Pego minha toalha e me seco rápido. Visto uma calça jeans preta e uma blusa de manga longa branca, calço meu All Star velho e deixo os cabelos soltos como sempre. Faço uma maquiagem bem básica, nada demais. Apenas passo uma base com protetor solar, um ** compacto, bastante rímel e um batom clarinho. -Pode deixar que eu dou almoço para Laura!- minha mãe diz. Balanço a cabeça. -Não precisa mãe!- digo. Ela cerra os olhos e coloca a mão na cintura. -Precisa sim! Almoça sossega que eu cuido dela.- ela diz. Sorrio e concordo com a cabeça. -Obrigada!- digo. Coloco almoço no prato para mim e sento ao lado das duas na mesa. Minha mãe é a mulher mais guerreira que eu conheço. Cuidou de mim e de minha filha sem nunca nos deixar faltar nada, claro que já passamos por muitas dificuldade na vida mas ela sempre esteve ao nosso lado, não nos deixou faltar carinho e nem educação. -Tá gostoso?- ela pergunta. -Muito gostoso, vovó!- Ana Laura diz. Olho para o relógio e vejo que estou atrasada. - m***a!- digo me levantando. Corro para meu quarto e pego meus livros, escovo os dentes rápido e arrumo as coisas da Ana. -Vamos?- digo. Ela sorri. -Vamos, mamãe!- ela diz. Dou um beijo no rosto de mamãe. -Vai com Deus, minha filha!- ela diz. - Fica com Deus também, mãe!- digo. Ana Laura a abraça. - Tchau vovó!- ela diz. - Tchau, meu anjinho!- mamãe diz beijando o rosto dela. Pego a mão dela e a puxo para fora. Coloco-a no colo e desço as escadas rápido. - Lá vai a p**a metida a santa!- ouço a voz de minha prima. Se é que eu posso chamar essa i*****l de prima. -O que é p**a, mamãe?- Ana Laura pergunta. Arregalo os olhos. - É uma palavra muito f**a que você n******e repetir, tudo bem?- digo olhando nos olhos dela. Ela assente com a cabeça. Passo pelo portão rápido antes que ela fale mais alguma coisa. Minha prima e minha tia moram na casa de cima, já eu e minha mãe moramos em baixo. Minha avó deixou a casa de lembrança para suas duas filhas e como eu e minha mãe cuidamos dela em sua velhice ela quis que a casa melhor, ou seja, a casa de baixo, fosse nossa. E isso as deixa mortas de inveja. Elas não gostam dá gente e vivem nos ofendendo, mas não damos mais ouvidos. . . . -Se comporta!- digo a entregando sua mochila. Ela dá um sorriso sapeca. -Eu sempre me comporto, não é tia?- ela diz se virando para uma das secretárias da creche. Dou risada e cerro os olhos. -Ah, mais ou menos, Laurinha!- a moça diz rindo. -Sempre muito esperta!- digo abraçando com força. Ela sorri. -Agora mamãe tem que ir, até mais meu amor!- digo. -Tchau, mamãe!- ela diz. . . . - Você está me ouvindo?- Malu pergunta. Afirmo com a cabeça. Para ser sincera não ouvi nada do que ela disse. -O que você acha?- ela pergunta. E agora? O que eu falo? -Sei lá, você que sabe!- digo falando a primeira coisa que vem a minha mente. Ela revira os olhos. -Ahh, você não sabe de nada!- ela diz. Sorrio. -Como está minha bolotinha?- ela pergunta se referindo a Ana Laura. -Bem, cada vez maior!- digo. Ela sorri. -Estou morrendo de saudades da minha afiliada! Estava pensando na gente levar ela naquele parque que abriu.- ela diz. -Quem sabe!- digo. Ela me dá um t**a. -Que saco! Eu quero falar e você nem da ouvidos.- ela diz emburrada. Logo o professora entra na sala. -Galera! Amanhã vai haver uma palestra do Doutor Allan Schumtz, gostaria que todos participassem, vai contar como ponto extra. - ela diz. Olho para Malu. -Você vai vir?- ela pergunta tirando as palavras da minha boca. -Acho que sim. Ponto nunca é demais, não é?- digo. -Então eu também vou vir!- ela diz. . . . Abro o portão de casa e suspiro. A "viagem" para a faculdade é longa. Tenho que pegar dois ônibus e fazer uma boa caminhada. Subo os pequenos degraus e abro a porta de casa. -Benção mãe!- digo jogando minha mochila no sofá. -Deus te abençoe! Já falei para não deixar as coisas jogadas!- ela diz. Pego minha bolsa na mesma hora, sei o quanto ela pode falar em meu ouvidinho. -Estou faminta!- digo indo até a cozinha. Pego um biscoito recheado e um copo grande de refrigerante, sento no sofá e ligo a televisão. -Cadê a aninha? Ela já está dormindo a essa hora?- pergunto confusa. Pelo que eu conheço da minha filha sei que ela não dorme cedo, só por um milagre. Minha mãe abaixa o olhar. -O que foi mãe?- pergunto preocupada. Ela suspira. -A filha da Vanessa brigou com Aninha na escolinha. Falou que ela não tinha pai porque o Douglas não queria ter uma filha de uma mulher n***a!- ela diz. Balanço a cabeça. -Como uma criança pode ter a mente tão maléfica?!- digo. - Isso é coisa que a Ruth e a Vanessa colocam na cabeça da menina!- ela diz sentando ao meu lado. Passo a mão por meus cabelos. -Eu vou conversar com ela!- digo me levantando. Caminho até o quartinho dela e abro a porta. -Meu bem?- a chamo. Ela está deitada na cama com as mãozinhas por baixo da cabeça e com o olhar triste. -O que houve?- pergunto sentando ao lado dela. Ela balança a cabeça. - Fala pra mamãe! Lembra quando a gente prometeu que não teria segredos entre a gente?- digo. Ela se senta também. -Jasmim brigou comigo!- ela diz cabisbaixa. -Ela te machucou?- pergunto. Ela balança a cabeça. -Não, mas ela me disse que meu pai não gosta de mim porque a senhora é n***a!- ela diz. Forço um sorriso e balanço a cabeça. -Isso não é verdade meu amor. É invenção dela!- digo. Ela me encara. -Então cadê o meu pai? Por que ele nunca vem me ver?- ela pergunta. Suspiro. E agora? -Meu amor, seu papai foi fazer uma viagem muito longa. Ele foi morar com papai do céu!- minto. Eu não tenho coragem de falar a verdade pra ela. Oque vou dizer? Seu pai queria que eu abortasse porque não queria um filho de uma n***a p***e? Não, né! -Ele morreu?- ela pergunta. - Sim, ele morreu!- digo. Ela abaixa a cabeça. -Que triste, mamãe!- ela diz. Sinto meu coração partir. Ela é uma menina tão doce e carinhosa, merece todo o amor do mundo. - Mas você tem a mim. Eu prometo que vou te encher de amor pelo resto da vida, combinado?- pergunto. Ela sorri. -Combinado!- ela diz me abraçando. A aperto contra mim. -Eu te amo tanto!- digo fechando os olhos. O amor mais puro e verdadeiro que existe... O amor de mãe!
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