Capítulo 2.

421 Palavras
Capítulo 2 ~ Meu Pai Lembra ~ EU FINALMENTE FINALIZEI o capítulo que minha mãe havia interrompido. Mas só depois de toda a gritaria do grandão --meu pai. Chamo ele assim a alguns meses, pois o homem tem 1,95 de altura--, avisando que foi promovido. Jantamos e eles foram dar um passeio, para comemorar. Enquanto eles estiveram fora, senti novamente aquela dor h******l, interna. E, por pouco, não deixei o livro de lado. Finalizei triunfantemente o capítulo, tendo em vista a minha dificuldade. Tentei dormir, mas não consegui. Realmente era uma tarefa difícil. Então, fiquei ali, naquela cama, deitada, com os pensamentos deixando minha cabeça à mil. * Meus pais chegaram e surpreenderam-se ao verem que eu não estava na sala assistindo TV, o que eu faria em um dia normal, se estivesse bem. Após ler à noite, eu sempre fazia isso. Mas desta vez, não. Como eu tinha deixado a porta do meu quarto aberta, meu pai ficou encostado na entrada dela, achando que eu não o estava vendo-- é uma pena ele não lembrar que existe visão periférica. --Eu estou te vendo, grandão -- eu disse a ele, mantendo o foco da minha visão no teto, como já estava antes de ele chegar. Ele ficou mais alguns poucos segundos ali, em pé, sem me responder. Depois, foi até mim e perguntou: --Você aprontou algo para estar aqui a essa hora? --Não sou criança faz tempo, grandão. Só estou cansada -- respondi. E realmente eu estava cansada, mas não era fisicamente. Eu estava cansada de não estar bem e ter de ser forte o tempo todo; estava cansada de sentir dores internas horríveis, como lâminas afiadas em meu interior. Como se milhares delas --as lâminas-- estivessem percorrendo sobre meu eu interno, fazendo um grande estrago. Só que eu não podia dizer isso ao meu pai. Na verdade, a ninguém. Então, para disfarçar, fiquei ali, admirando a face dele. Aquele rosto de quem se preocupa, mas não quer jamais preocupar o outro, sabe? Fiquei por alguns minutos olhando o rosto que carrega consigo olhos castanhos, lábios grandes, sobrancelhas grossas e cabelos ondulados castanhos. Ele deu um sorrisinho e me perguntou: --Por que me olha tanto? Então, respondi: --Estou lembrando de nossas brincadeiras loucas, quando eu era criança. Lembra? --Mas é claro!-- respondeu ele -- E quando brincamos de três por um? Houve trapaça, porque... E ficamos ali por alguns minutos, lembrando de coisas passadas, sorrisos antigos, tempo que não volta mais... Depois de algum tempo e, sem perceber, peguei no sono.
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