Capítulo 1.

530 Palavras
Capítulo 1 ~ Minhas Mudanças ~ EU NÃO ESTAVA bem. Na verdade, já vinha me sentindo m*l a um tempo. E não é um "m*l" de saúde física, é m*l de alma. Fazia tempo que eu não tinha alguém para falar sobre isso. Eu tenho alguns amigos, mas eles não são do tipo que falam sobre dor na alma ou problemas psicológicos. Eles são mais das brincadeiras, assuntos meio irrelevantes, coisas assim. Eles não se importam com política, assuntos da atualidade, direitos, etc. Hoje, nesta manhã de outono, minha v*****e é de sumir. Sumir por muitos anos, para um lugar onde só tenha eu e mais ninguém. Talvez uns instrumentos musicais e uns livros, mas nada de humanos. Eu venho enfrentando muitos problemas psicológicos a muito tempo, mas sempre tive de ser a "forte". Aquela que "aguenta tudo", e isso me fez piorar. Quando você é uma pessoa normal e vive com pessoas tentando te obrigar a ser uma pessoa de ferro, você se torna uma pessoa de gelo. Não pela frieza, mas porque derrete por qualquer coisa. Qualquer toque, qualquer quentura, qualquer coisa que não seja algo como você. * Eu estava lendo em minha cama, no meu quarto, que ficava no final do térreo da casa da minha mãe. Fui passar uma semana na casa dela, pois eu moro agora sozinha, em um bairro distante. Quando minha leitura avançava, minha mãe a interrompeu com sua chegada e pergunta inesperadas: --Ana? Você... Está doente? Eu não soube o que responder. Aquela pergunta era realmente muito inesperada. Eu sabia que já não conseguia mais disfarçar a dor interna que transparecia em meu rosto. Mas, ainda assim, aquela pergunta não era esperada. Minha mãe sempre fazia de tudo para não demonstrar preocupação, por mais que ela estivesse morrendo com a mesma. Ela vivia com aquela pele parda, os cabelos escuros, os lábios bem desenhados, falando que estava tudo bem; os olhos verdes olhando para todos os cantos, procurando uma solução para cada problema. Sua altura de 1,60 não a impedia de trocar as lâmpadas, assim que queimavam. Ela sempre queria resolver tudo. Mas ela quase nunca admitia que sempre se preocupava demais com as coisas. Mesmo porquê, ela se preocupava calada. Mas nós, que convivíamos com ela, sabíamos disso. E ela sabia que nós sabíamos. --Responda- me, Ana! --insistiu ela. --Eu estou bem de saúde física, mãe. Mas sinto na alma uma dor que não consigo te explicar. Sinto tristeza. Mas não se importe com isso, vai passar --respondi. Ela ficou alguns segundos olhando para mim. Saiu por uns segundos e voltou com um espelho na mão direita. --Fique de pé e olhe para ele -- disse ela, apontando para o espelho. Assim eu fiz. --Você está vendo? -- perguntou ela -- Essa pessoa que reflete é linda, Ana Clara! Uma garota de 24 anos, com olhos verdes espetaculares, cabelos castanhos enormes e lindos, com um brilho único, pele parda e macia, altura de 1,58, rosto lindo, com lábios muito bem desenhados --como os da mãe--, inteligência e humanidade incríveis. Filha, você deve estar feliz! Ela iria dizer algo mais, mas o meu pai chegou chamando-a. Ou melhor, gritando-a: --Carla! Carlaaaa!
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