LORENA
Estou em meu quarto sentada na cama olhando a chuva que cai lá fora, ainda estou criando coragem para sair de casa, olho as horas no relógio que eu tenho do lado da minha cama e marca duas e meia da madrugada. Não é tão difícil decidir entre voltar pra cama ou ir buscar meu pai mais uma vez na boca de fumo, poderia deixar ele lá até o dono do morro chegar aliás daqui a pouco tenho que está de pé pra trabalhar, eu poderia fingir que não sei o que vai acontecer se eu não for lá, já que ele não serve pra nada a não ser me bater quando está drogado ou pegar meu dinheiro quando eu recebo pra gastar com drogas. Eu poderia muito bem deixar ele lá pra morrer, mais ele ainda é meu pai por isso que aqui estou eu subindo mais uma vez esse morro nessa chuva e o pior que nem se quer um guarda chuva eu trouxe pois o que tinha meu pai fez o favor de vender pra comprar droga.
MT- Lorena por que veio na chuva?
Lorena - quis sentir qual a sensação de me molhar de madrugada - falo com um tom irônico
MT - uma hora tu fica sem essa língua aí tu para de ser debochada
Lorena- me erra MT cadê o Fernando?
MT - tá lá dentro, olha Lorena se você não quiser ver teu pai morrer essa semana é bom tu ou ele arrumar o dinheiro pra pagar as bocas o imperador não tá pra brincadeira e pra matar o seu pai tá faltando pouco.
Lorena - mais eu paguei a boca semana passada, quanto ele tá devendo?
MT - aquele duzentos reais não fez nem cócegas Lorena, a dívida dele tá de noventa mil - ele fala e quem quase morre sou eu, como assim eles permitiu que ele pegasse tanto assim?
Lorena - tá brincando né?
MT - não e o imperador tá na cola dele se ele pegar teu pai aqui hoje é vala na certa
Lorena - como vocês deixam ele pegar isso tudo de droga mt? sabe muito bem que quem paga essas porcaria sou eu e eu não tenho isso tudo não.
MT - ele não pegava de uma boca só não Lorena, por isso que deu tudo isso. Acho melhor você levar ele o plantão do imperador é daqui vinte minutos - não falo nada só concordo com a cabeça e entro na boca que ele está, pego ele e apoio em meus ombros, desço o morro de volta pra casa a chuva ainda continua grossa e concerteza irei gripar por ter pegado essa chuva a essas horas. Entro em casa e deixo o Fernando ali no chão, já que ele vendeu até às cadeiras que tinha dentro de casa. Subo pro meu quarto e tiro a roupa molhada que estou, me deito na cama e meus pensamentos vão longe no que o MT falou.
Meu pai nunca foi de se envolver com drogas, tudo começou depois que a mamãe morreu em um acidente de carro no asfalto, ela estava indo me buscar na escola quando um caminhão na pista perdeu o controle e bateu em seu carro, mamãe morreu na hora, seu corpo ficou preso entre as ferragens do carro eu tinha apenas seis anos de idade, mais foi exatamente com essa idade que eu tive que escolher entre ser forte e suportar casa rasteira que a vida me da, já que meu pai coloca toda culpa dela ter morrido em mim, desde os seis anos de idade ele joga isso na minha cara dói muito ter que ouvir que eu fui a causa da morte da minha mãe, por que eu sei que não fui, bom eu mesma tento me convencer disso todos os dias, acabo dormindo em meios aos pensamentos.
Acordo com o Fernando me jogando um balde de água fria, me assusto e levanto.
Lorena - tá ficando louco Fernando?
Fernando - acorda vagabunda, vai trabalhar já que você não faz p***a nenhuma nessa casa.
Lorena- tá de brincadeira né? podia ter te deixado lá naquela boca pro imperador te matar- m*l fecho a boca e ganho um tapa na cara, caio no chão com o impacto do tapa e ele me enche de chutes e murro, tento proteger meu rosto enquanto ele me bate
Fernando - maldita hora que você nasceu sua pirralha, você não presta pra nada, é bom voce conseguir muito dinheiro hoje senão eu mesmo vou te matar filha da p**a- fico quieta até ver que ele saiu do quarto, me levanto com uma dor imensa nas minhas costelas, mais não posso fazer corpo mole tenho que trabalhar. Vou até o banheiro e faço minhas higiene visto uma roupa, não vou comer por que nem isso tem mais em casa eu só espero não desmaiar no trabalho de tanta fraqueza a última vez que comi foi ontem no almoço e isso por que o seu Demar dono da lanchonete me deu um salgado e depois disso não comi mais nada.
Desço do meu quarto e o Fernando já não está mais aqui concerteza deve estar em alguma boca por aí, subo o morro indo pra lanchonete. Chego e o seu Demar já abriu.
Demar - tá atrasada- fala olhando o relógio
Lorena - eu sei mais não foi por que eu quis
Demar- deixa eu adivinhar, seu pai te bateu de novo?
lorena- novidade né? isso por que ontem eu saí debaixo de chuva pra ele não morrer- falo colocando meu avental e pegando a caderneta pra pegar os pedidos
demar- já te falei pra você sair daquela casa minha filha, isso não vai terminar bem.
lorena- não precisa se preocupar seu Demar, agora vamos trabalhar por que cliente aqui é o que não falta- falo sorrindo e vou as mesas pegar o pedido.
Agora que o movimento da lanchonete acalmo, sento em uma das mesas e como meu salgado de todos os dias pra me manter em pé, mais o que dura bem pouco quando vejo o MT e o imperador entrando na lanchonete, o que me é muito estranho também pois eles nunca veio aqui, me levanto pegando minha caderneta e vou até eles.
lorena- bom dia o que desejam?
MT- traz um suco aí e dois salgado
Lorena- ok e você?
imperador- quero você - ele me olha de cima abaixo me analisando e eu tenho certeza que estou vermelha
lorena- sinto muito senhor mais eu não estou inclusa ao cardápio, se não vai pedir nada eu vou me retirar
imperador- tá achando que tá falando com quem filha da p**a?
Lorena- não me importa quem você seja daquela porta pra fora aqui dentro pra mim você não é nada, estou no meu horário de trabalho e não vou permitir que alguém como você me insulte, é só isso mesmo?- dá pra ver seu olhar de ódio sobre mim, não tenho medo dele mais talvez eu seja um pouco louca por ter enfrentado o dono do morro
imperador- traz o mesmo do MT - concordo com a cabeça e saio pra separar os pedido
Demar- tá querendo morrer Lorena?- ele pergunta quando entro na cozinha
lorena- por que?
Demar- você sabe o risco que é se enfrenta-lo?
Lorena- eu não sou as putas dele e aqui no meu local de trabalho eu não admito que me faltem com respeito, pode ser quem for
demar- vai lá levar o que eles pediu e vê se mantém a língua quieta, não adianta eu brigar com você - ele fala e eu saio com os dois pedidos e entrego pra eles. Quando eles acabam de comer quem vem pagar é o imperador.
imperador - deu quanto?
Lorena- trinta reais- falo e ele me dá uma nota de cem e eu lhe devolvo o troco
imperador- mais tarde quero te ver
Lorena- mais eu não, agora me dá licença que eu tenho mais o que fazer- falo e me levanto, virando de costa para ele que puxa o meu cabelo fazendo eu bater as costas na quina do balcão
imperador- é bom você parar de ser respondona, não quero ter que matar uma mulher tão linda como você isso seria um desperdício - ele fala no meu ouvido, que me faz arrepiar toda.
lorena- não tenho medo de você, se quiser me matar pode ir enfrente
MT - deixa a garota imperador vamos que temos muito de quem cobrar hoje- mt fala e ele me solta e sai da lanchonete
Lorena - que dia vence o prazo do meu pai?
MT - sinto muito Lorena mais é hoje, falamos pra ele semana passada.
lorena- agora eu sei o por que ele tava tão nervoso atrás do dinheiro
MT - vou nessa, qualquer coisa me aciona - concordo com a cabeça e volto a trabalhar. Eu e o MT somos bem próximo, ele me protege como um irmão tenho um carinho muito grande por ele, não posso ser egoísta e dizer que não tenho amigos até por que eu tenho, eu tenho ele, que me corrige me protege e acima de tudo, tem amor por mim mais não amor de marido e mulher mais amor de irmão e gosto disso nele, o MT pelo mais sem vergonha que ele seja ele foi o único que me respeitou ele nem me olha com maldade e eu amo isso nele, talvez seja isso que nos deixou tão próximos.
O restante do dia foi muito movimento mais nem com tanto movimento eu não conseguia tirar da minha cabeça que hoje o imperador mataria meu pai, fecho a lanchonete mais antes de sair olho as horas no relógio que marca seis e meia da tarde, resolvo pegar o caminho mais longo da minha casa, quando estou chegando perto vejo que a porta está arrombada fico com receio de entrar e encontrar o corpo do meu pai no chão, fico parada uns cinco minutos criando coragem pra entrar, ando em passos lentos e quando finalmente entro dentro da casa vejo o imperador com a arma destravada na cabeça do meu pai e o MT balança a cabeça em negação.
Fernando- é ela - ele fala e o imperador parece pensar me analisando.
lorena- sou eu o que Fernando?- pergunto e não tenho resposta vejo o MT negando com a cabeça pro imperador que dá um sorriso de lado.
imperador- aceito o pagamento- ele fala e eu fico ainda mais confusa como assim pagamento?