Marcos Na empresa, todo mundo a chamava de "a gelada". Renata era linda, isso ninguém discutia. Loira, olhos verdes, corpo esculpido em roupas sociais que escondiam mais do que mostravam. Mas vivia de cara fechada, respostas curtas, nenhum envolvimento com ninguém do escritório. Eu a observava há meses. Da minha mesa, via ela chegar todos os dias, 8h45 em ponto, café preto sem açúcar, fones de ouvido até o meio-dia. Dizia-se que era difícil, arrogante, talvez até frígida. Nunca acreditei nisso. Tinha algo nos olhos dela quando me pegava olhando. Um brilho rápido, escondido, que sumia antes que eu pudesse confirmar. Até a noite da apresentação. Era sexta-feira, 22h, e eu ainda estava no escritório, revisando números para a reunião de segunda. O ar-condicionado desligara às 20h, e o c

