Sozinha

1111 Palavras
Aressa narrando Eu fico indignada com o jeito dessa médica, eu percebi o jeito que ela estava me olhando torto, mas achei que fosse coisa da minha cabeça, mas agora ela estrapolou. A dona Claire também está olhando feio para a médica e ela ameaça abrir a boca para falar algo, mas eu seguro na mão dela e me levantado da cama. - Quem você pensa que é para falar que eu não tenho juízo? - eu a questiono brava. Ela levanta o seu olhar para mim e fica me encarando com deboche, com um meio sorriso no rosto e isso me deixa ainda mais nervosa. - Você é só uma menina, olha o jeito que você esta! Destrunida, não consegue nem se manter em pé e ainda... - ela vai falando com desdém e quando a sra Claire ia tomar a frente, eu fiz sinal para ela deixar comigo. Eu me levantei da cama e me firmei a ficar de pé, claro que eu ainda sinto o incomoda na lombar, mas eu vou fazer essa médica de quinta, engolir tudo o que esta falando. - Eu posso até ser uma menina, o que não muda muita coisa, porque mesmo sendo uma "menina", eu faço muito mais coisas do que você. Eu não te devo satisfações da minha vida, mas só para você saber e aprender a se colocar no seu lugar, eu trabalho em dois empregos diferentes para poder sustentar uma família inteira e o motivo da minha desnutrição é justamente por estar sempre dando o meu melhor para os outros e me deixando de lado. - eu falo séria e quando me dou conta, estou apontando o dedo na cara dela. A mulher esta vermelha de raiva e quase bufando pelo nariz, ela ameaça levantar a mão para mim, mas o Leon segura o braço dela e entra na minha frente. - Tenta encostar um dedo nela e você não vai gostar das consequências. - ele a ameaça com a voz firme feito um trovão. A voz dele é tão estremecedora que até eu fico assustada, a mulher arregala os olhos e fica tentando falar alguma coisa, mas não sai nada. - Sai da minha frente e nem pense mais em voltar ao trabalho. Pegue as suas coisas e saia do hospital. - o Leon termina de falar e ela começa a chorar. Ela se ajoelha e começa a implorar para ele não fazer isso, para ele deixar ela ficar e que ela nunca mais vai falar comigo, que ela nunca mais vai me humilhar. O Leon parece nem ligar para as lamúrias dela, ele apenas pega o celular no bolso da calça e fala "entra", logo o segurança de mais cedo entra no quarto e ele faz sinal para o homem levar a médica. Assim que os dois saem do quarto, eu sinto as minhas pernas falharem e antes que eu atinja o chão, sou segurada por braços forte. Eu respiro aliviada, ergo os meus olhos e vejo que mais uma vez, o Leon me segurou no seu colo. Ele está me olhando fixo e eu sinto o meu corpo esquentar. - Obrigada! - eu falo sentindo as minhas bochechas esquentarem e sem tirar os olhos dele. Ele não fala nada, apenas me coloca com cautela em cima da cama e se afasta de mim. Eu desvio o meu olhar e vejo que a mãe dele está nos encarando novamente com um sorriso no rosto. - Eu vou chamar o médico da família para te examinar melhor. - a dona Claire fala e sai do quarto sem nos dar tempo de responder. Eu olho disfarçadamente para o Leon e ele também está me encarando, mas com o seu olhar frio de sempre. - Você não precisa me olhar assim, eu não sou uma ameaça. Eu não quero o seu dinheiro e se eu decidir continuar com essa gravidez, vou fazer tudo sozinha, como sempre fiz. - eu falo calma e sentindo um nó na garganta. - Se vendendo para os velhos riscos da boate?! Ou drogando pessoas para rouba-las?! - ele cospe as palavras rude na minha cara. - O que?! - eu falo indignada e sem entender o que ele está querendo dizer. - Não se faça de inocente, garota. Eu conheço o seu jogo e não vou cair nele - ele fala com desdém. - Eu não sei do que você está falando, não sei nada sobre essas coisas que você está fazendo, mas você já deve ter ouvido a frase que diz “ O justo não se justifica”. Pois bem. Pode ir embora e me deixe em paz. - eu falo séria, sentindo as lágrimas queimarem os meus olhos. Eu juro que tentei conversar com esse homem, mas odeio a forma como ele se acha superior a mim e só ele tem razão. Ele fica parado no mesmo lugar, em silêncio me encarando fixo, eu sinto que vou desabar e acabo agindo por impulso. - SAII. - eu grito com ele. Eu abaixo a minha cabeça sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto e a porta é aberta com pressa. - O que está acontecendo? O que você fez com ela, Leon Cartier? - ouço a voz da dona Claire. - Eu não fiz nada… - ele começa a falar, mas eu interrompo os dois. - Eu quero ficar sozinha. Vocês podem sair, por favor? - eu falo firme e tento manter o olhar fixo neles. - Minha filha… - a dona Claire se aproxima com cautela de mim e eu não consigo mais segurar o choro. - Nos desculpe, eu entendo o que você está passando e prometo que vai ficar tudo bem. - ela fala me olhando com carinho. - Me desculpe Sra. Claire, eu não quero ser rude, mas eu não quero nada de vocês. Pode me deixar sozinha, por favor?! - eu falo limpando o meu rosto com as mãos. Ela fica um tempo me olhando em silêncio, até que ela segura as minhas mãos com força, me olha com ternura confirmando com a cabeça, da dois tapinhas em cima da minha mão e se afasta de mim. O Leon está me encarando ainda mais sério do que antes, eu desvio o meu olhar deles e fico esperando que eles saiam. A dona Claire segura no braço dele e o puxo para fora do quarto, quando eles fecham a porta eu desabo chorar novamente. Eu me sinto perdida, me sinto sozinha e sem rumo, eu não queria que nada disse estivesse acontecendo e não queria ter que passar por isso sozinha, mas eu não vou abandonar o meu bebê.
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