Aressa narrando
O Leon é indecifrável, frio, arrogante, maluco e... não me falta adjetivos ruins para ele, esse homem só pode ser bipolar e maluco da cabeça.
Ele mesmo pediu para o médico ser rápido e fazer logo a ultrassom em mim, mas não deixou o médico nem começar o exame e teve outro surto.
Eu tentei mais uma vez fazer ele enxergar a realidade, ver que o médico só estava fazendo o que ele pediu, mas ele ficou transtornado e quase agrediu o homem.
Ainda bem que a mãe dele chegou aqui no quarto e apaziguou a tensão que estava entre nós. Eu juro que tenho vontade de pegar ele pelo pescoço e fazer picadinho dele.
- Aressa, querida?! - eu sou tirada dos meus pensamentos pela dona Claire me chamando. - Você esta bem? - ela me questiona preocupada.
- Sim. - eu respondo rapido e desvio o meu olhar.
Ela se aproxima mais de mim, ficando de costas para o filho dela e cochichando baixinho comigo.
- Eu também tenho vontade de matá-lo as vezes. - ela fala séria e depois me dá um sorrisinho cúmplice.
Eu acho que pensei alto de mais, ou foi a minha cara que me entregou, pois o Leon também esta me olhando fixo e com cara de poucos amigos.
Alguém bate na porta do quarto e a dona Claire pede para entrar, uma linda mulher de uns trinta e poucos anos entra, se apresenta como médica ginecologista e diz que vai fazer o meu ultrassom.
Eu concordo com a cabeça, me levanto da cama para trocar de roupa e colocar o avental. Eu começo a caminhar até o banheiro, mas sinto um incomodo na lombar e faço uma careta.
O Leon se aproxima de mim e me pega no colo, eu fico sem reação com a atitude dele, embora eu conseguiria caminhar sozinha até o banheiro, eu confesso que estou grata por ele me segurar, pois a dor passou.
Eu olho para ele surpresa, ele me olha frio como sempre e eu desvio o meu olhar, eu não vou deixar ele saber que estou agradecida pela sua ajuda.
Ele caminha até o banheiro, eu empurro a porta e ele entra comigo no colo, me coloca no chão devagar, eu fico esperando ele sair do banheiro para me trocar, mas ele não sai e ainda fica me encarando serio.
- Você pode me dar licença?! - eu peço com cautela.
- Não tem nada aí que eu já não tenha visto. - ele fala com desdém.
Eu olho para ele franzindo a testa e fico alguns minutos o analisando.
- Eu só vou te dar um aviso... - ele fala baixo e se aproxima ainda mais de mim. - Pare com esse teatro de boa moça, que você não me convence. - ele fala ríspido e eu consigo sentir o seu hálito.
Eu não vou deixar ele me acusar dessa forma, eu não estou fazendo nenhum teatro e também não queria estar nessa situação.
- O único ator aqui, é você. Um homem velho feito você, agindo feito um moleque de 16 anos que só pensa em brigar. - eu falo firme e mantendo o meu olhar fixo no dele.
- Velho?! - ele fala com sarcasmo.
Eu concordo com a cabeça tentando fazer cara de deboche, mordo o canto do meu lábio e continuo olhando fixo nos seus olhos, ele abaixa o seu olhar para os meus lábios.
O Leon me puxa pela nuca com força e beija a minha boca com urgência, eu fico sem reação, mas acabo correspondendo o seu beijo.
Eu apoio a mão no seu peito e ele me puxa pela cintura, colando os nossos corpos, mas eu acabo sentindo um incomodo na lombar de novo e solto um gemido entre o nosso beijo.
Ele se afasta rápido de mim e parece um pouco confuso, ele me dá uma olhada rápida e sai do banheiro me deixando sozinha e completamente perdida.
Eu não posso ceder a ele sempre que ele me tocar e quiser me beijar, eu preciso ser mais forte, preciso resistir a esse homem e preciso me controlar mais.
Ele está me afetando demais, eu nunca me senti assim antes, nunca deixei qualquer um chegar perto de mim e nem me tocar se eu não estivesse afim.
Eu não sei o que esta acontecendo comigo, parece que eu não sou capaz de controlar o meu próprio corpo, sempre que ele esta perto demais de mim, eu me sinto vulnerável.
- Aressa?! Esta tudo bem, querida? Você precisa de ajudar? - ouço a Sra. Claire me chamar.
Eu volto para a realidade, troco de roupa e abro a porta do banheiro, vou caminhando lentamente, o Leon me pega novamente no colo e me coloca em cima da cama, mas dessa vez sem falar nada e nem me olhar.
A mãe dela fica nos olhando com um sorrisinho de canto de boca e a médica nos olha de um jeito estranho, mas eu evito ficar pensando bobagens, nós não temos nada um com o outro e nem pretendo ter.
Esse homem é um completo maluco e eu não quero mais problemas para mim, já chega os que eu estou enfrentando com a minha família.
A médica me pede para abrir as pernas e introduz o aparelho na minha i********e, é uma sensação estranha, eu nunca tinha feito esse exame antes.
Ela mostra a tela do aparelho para nós e começa aparecer somente um borrão na tela, eu confesso que não entendo nada e começo a me sentir aliviada por não estar gravida, mas ela acaba com o meu alívio quando confirma que esta tudo bem com o bebê.
Eu ainda estou confusa sobre essa gravidez, eu sempre quis ser mãe, mas eu queria fazer as coisas certas, queria encontrar o amor da minha vida, casar primeiro e depois engravidar.
- Ainda é cedo para ouvir os batimentos do feto, mas aparente esta tudo bem. Caso você apresente algum episódio de sangramento, ou dores excessivas, você precisa vir rápido ao hospital. - a médica falando me olhando.
- O outro médico havia nos dito que ela esta desnutrida, o que devemos fazer a respeito? - a sra. Claire pergunta para a médica.
- Eu vou prescrever algumas vitaminas para ela tomar, mas precisa manter uma alimentação saudável e regrada, para não prejudicar o desenvolvimento do feto. - a médica termina de ajeitar o aparelho e se levanta para sair do quarto.
- Nós vamos cuidar dessa mocinha e do meu netinho. - a sra Claire fala feliz.
- Precisa cuidar mesmo, porque já vimos que ela não tem juízo para cuidar de um bebê. - a médica fala séria.
Eu olho para ela de cara fechada, quem ela pensa que é para falar assim de mim?!