Aressa narrando
O homem fica me olhando com cautela e esperando que eu o responda, mas eu ainda estou tentando lidar com esse misto de sentimentos.
- Eh… sim… não… - eu falo confusa.
- Sim ou não?! Preciso que você seja mais específica para que eu possa te ajudar. - ele fala com calma e dá um meio sorriso para mim.
Eu respiro fundo e tento me controlar, eu preciso me concentrar no presente e não surtar.
- Eu não estou bem, mas vou ficar. Não preciso de ajuda. Obrigada! - eu finalmente consigo falar algo.
Ele permanece me olhando fixo, eu abaixo a minha cabeça um pouco envergonhada pela minha reação.
- Você tem certeza?! - ele insiste abaixando na minha frente.
Ele fica bem perto de mim, mas não me toca, ele só fica parado me olhando e esperando a minha resposta.
- Não! Eu não tenho certeza de nada. - eu falo e caio no choro de novo.
Eu não sei explicar o que está acontecendo comigo, mas eu estou muito sensível com tudo o que acabou de acontecer e principalmente por ter descoberto essa possível gravidez.
- Eiii… se acalma! - o homem fala com calma e senta ao meu lado.
Ele me puxa com cuidado para o seu ombro e passo o seu braço pelo meu ombro, eu acabo deixando que ele me toque e apoio a minha cabeça no seu ombro.
- A minha vida está de ponta cabeça. - eu falo me acalmando.
- O que eu posso fazer por você? - ele fala com calma.
Eu me recomponho e volto a minha realidade, ele é um estranho, eu não posso falar da minha vida pessoal para um estranho. Eu me afasto dele, respiro fundo e olho em seus olhos.
Ele fica me encarando com o semblante tranquilo e esperando que eu me pronuncie, mas nós somos interrompidos pelo arrogante do Leon.
- Você não pode fazer nada por ela. Agora eu vou te dar uma lição. - ele fala pegando o homem pela gola da camisa e despejando toda a sua grosseria no homem ao meu lado.
- Me solta!! - o homem fala firme e tentando se soltar.
Eu fico indignada com a reação do Leon, o homem só estava sendo educado e tentando me ajudar, ele não tinha que chegar desse jeito.
Os dois começam a trocar socos e eu fico ainda mais revoltada com a infantilidade deles, nem parecem dois homens feitos.
- JÁ CHEGAA!!! - eu grito com os dois, mas não resolve de nada.
Eu penso em separa-los, mas eles parecem dois brutamontes se socando e eu olho ao redor não vejo ninguém para me ajudar.
- PAREM OS DOIS… - eu acabo entrando no meio deles e m*l tenho tempo para uma reação, sou empurrada para trás.
Eu me desequilibro e caio sentada no chão, sinto uma dor forte nas costas e no pé da minha barriga.
- AAII… - eu solto um pequeno grito e os dois param na mesma hora.
O homem que estava me ajudando a alguns minutos atrás, se aproxima de mim e tenta me ajudar mais uma vez.
- Você se… - ele não termina a frase e é arrancando de perto de mim a força.
O Leon aparece no meu campo de visão, se abaixa e me pega no colo, me levando até o quarto mais próximo e gritando pelo médico.
- Me deixa sozinha. Sai daqui. - eu falo quando ele me coloca em cima da cama.
- Eu não vou sair daqui. - ele fala sério.
Eu me viro em cima da cama com muita dificuldade e fico de costas para ele. Esse homem é muito bipolar e arrogante.
O médico entra correndo no quarto e olha espantado para o Leon.
- Senhor Cartier, o que aconteceu com o seu… - o médico começa a questiona-lo, mas ele o interrompe.
- Examine ela. Acabou de levar um tombo e bateu a coluna. Ela está grávida. - o Leon fala sério.
O médico me olha com os olhos arregalados e demora um pouco para ter alguma reação.
- É para hoje. - o Leon insiste sério.
O médico finalmente toma uma atitude e vem até mim, ele me ajuda a deitar de barriga para cima novamente e começa a me examinar.
- Eu preciso que a senhora faça uma ultrassom para ver como está o bebê, mas aparentemente não foi nada sério. - o médico fala me olhando.
Eu apenas concordo com a cabeça e ele se afasta de mim, olha para o Leon como se estivesse pedindo permissão.
- Seja rápido. - o Leon fala frio.
O médico assente com a cabeça e sai quase correndo do quarto, no mesmo instante eu viro o meu rosto e não olho para o Leon.
Eu estou morrendo de sede, então tento me levantar da cama para ir tomar água, a dor já diminuiu um pouco, acho que foi mais o impacto que doeu.
- Onde você pensa que vai? - o chato do Leon me questiona.
- Eu não vou fugir. - eu falo irritada.
Quando eu consigo ficar sentada na cama, coloco os meus pés no chão e vou firmar o meu peso, acabo sentindo a dor forte de novo.
- Aii… - eu solto um gemido de dor.
O Leon da dois passos e me segura colada em seu corpo novamente. Eu fico sem reação, eu não sei por que fico que nem uma tonta toda vez que estou perto dele.
- Da para você ser menos teimosa, garota?! - ele fala sério, mas também parece calmo.
Há há há… o Leon, calmo?! Isso só pode ser coisa da minha cabeça.
Esse homem nunca foi calmo quando esteve perto de mim, pelo contrário, ele parece mais um furacão que destrói tudo.
- Eu só quero beber água, senhor! - eu falo fazendo careta e o provocando.
Ele me olha franzindo a testa, depois de alguns minutos ele me coloca deitada novamente na cama.
- Era só você ter pedido que eu pegava. - ele fala com toda a sua “delicadeza” de sempre.
Eu fecho a cara para ele e ele se vira saindo do quarto. É lógico que eu não iria pedir nada para ele, onde já se viu pedir algo para ele, com toda essa arrogância que ele tem.
Ele entra no quarto com duas garrafas de água, uma é sem gás e a outra é com gás. Ele me entrega as duas garrafas e eu pego somente a sem gás.