De repente, sinto a presença dele. Sim! O poder de meu pai, passa entre nós, e faz Adam se afastar um pouco, então consigo me levantar. Ele, que estava abaixado, cada vez mais se aproximando de mim, se levanta também.
— Me perdoe, Vivien! Isso não é correto, não é mesmo? — Adam me diz, solene e sério, olhando no fundo dos meus olhos. — É inapropriado! Exatamente como você disse. — ele pega e acaricia a minha mão. — Devo falar com o seu pai primeiro, não é? — eu arregalo os meus olhos levemente, o olhando de boca aberta, sem entender, e nem conseguir falar. — Eu devo pedir sua mão a ele, antes de qualquer coisa, não é?
— Mas… — engulo seco, sem conseguir falar mais uma palavra sequer, o olhando sem entender.
— Me perdoe! — ele me olha confuso. — Você tem pai? Vivo? Conhece ele?
— Desde quando você quer pedir minha mão ao meu pai? — pergunto franzindo as sobrancelhas.
— Desde que você bateu na porta… — seus olhos brilham intensamente. — foi quando percebi que não poderia viver longe de você, minha doce Vivien!
Ele beija minhas duas mãos, depois me puxa, abraça a minha cintura e beija a minha testa, enquanto eu continuo o olhando boquiaberta, assimilando o que está acontecendo. Dois homens me pedindo em casamento no mesmo dia? Claro que isso não está certo! Percebi, assim que Adam começou a agir estranhamente, e isso foi assim que ele abriu a porta de sua sala.
— Eu… acho que é melhor… eu ir para casa, e descansar, como você falou, não é? — sorrio para ele, mas me sinto sem graça com a situação.
— Já sou viúvo há tempo suficiente… são quase cinco anos nessa situação. — ele insiste no assunto. — Não tenho amantes. — fico boquiaberta ao ouvir, e abaixo a cabeça ligeiramente. — Eu só disse isso, para você saber que eu não tenho doenças. Não frequento bordéis, nem para beber com amigos, você não teria noites solitárias, Vivien! Eu prometo para você! Serei cem por cento seu! — ele retira uma de suas mãos de minha cintura, e acaricia meu rosto.
— Entenda, eu realmente estou me sentindo cansada. Preciso ir para casa descansar.
Toco seu rosto, com a mão aberta, para as postas, de dois dos meus dedos, toquem sua testa. Preciso fazer com que ele volte ao seu normal, mas minha magia não funciona, pois ele cobre a minha mão com a sua, e beija a minha palma, virando o rosto de lado, enquanto a segura, depois cheira o meu pulso.
“ — Como ele pode estar apaixonado por mim, assim tão de repente?” — penso franzindo as sobrancelhas levemente.
— Que perfume maravilhoso! — ele murmura, de olhos fechados.
— Adam, é só uma água de banho de rosas. — sorrio, tentando recuperar a minha mão, mas ele não deixa, além de continuar segurando a minha cintura. — Adam? — chamo sua atenção, ele me olha nos olhos novamente. — Preciso ir descansar. Foi cansativo ir até às terras de Bucur. — uso suas palavras, para tentar fazer com que ele me solte, e simulo um sorriso cansado.
— Me desculpe, meu amor! — ele solta a minha mão, mas ainda não solta a minha cintura. — Eu vou levar você para casa. — ele sorri para mim, parecendo bobo.
— O quê? — o olho abismada, sem entender suas atitudes.
— Sabe que eu tenho um carro, não sabe? — ele continua com o sorriso bobo em seu rosto.
“ — Santo Criador! Ele quer me levar naquela lata aberta?” — penso começando a me desesperar. — “To.dos vão me ver! Vão achar que estou num compromisso com ele! Isso vai, facilmente, chegar aos ouvidos de Iancu! Ele, com certeza, vai pensar que sou interesseira!”
— Adam, eu… eu empenhei sua palavra. — falo rapidamente, me recordando de que ele deve ir fazer o pagamento.
— Empenhou minha palavra? — ele me olha confuso. — Em quê?
— Eu disse que você pagaria o material, que chegou hoje na fazenda. Disse que você pagaria ainda hoje, em pessoa.
— Mas você é mais importante que minha palavra. — ele volta a exibir seu sorriso bobo.
— Eu prefiro que você vá. — sorrio para ele. — Eu não moro tão longe, e posso chamar uma carruagem. — ele abre a boca para contestar. — Além disso, não é bom que me vejam sozinha com você, antes de um pedido formal de casamento, não é mesmo? — sei o quanto ele preza uma boa imagem.
— Você é tão inteligente e cuidadosa! Como não te amar, Vivien? — ele começa a se aproximar uma vez mais.
— Adam, estou realmente ficando ainda mais cansada… por favor… — consigo me afastar um pouco.
— Quando posso falar com o seu pai?
— Ele está viajando. — não quero que saibam que moro sozinha.
— Ele vai demorar para voltar? — seu semblante se mostra desapontado.
— Acredito que sua próxima carta está para chegar. Nela estará a data em que ele chegará de volta em casa. — minto, pois posso chamá-lo, e ele estará ao meu lado no mesmo instante, se quiser, desde que não seja de dia.
— Vai me avisar? Prometa que vai me avisar, meu amor.
— Apenas me deixe ir descansar agora, e eu prometo que te aviso, assim que a carta ou ele chegar.
— Claro! — ele beija a minha testa. — Não posso deixar que continue se cansando, querida.
Ele beija minha testa, mais uma vez, e me solta devagar. Suspiro silenciosamente, assim que me vejo livre dos braços dele. Caminho para a porta o mais rápido que posso, mas de um modo, que ele note que quero me livrar dele.
Caminho para casa, que não é tão perto quanto fiz com que Adam pensasse. Um humano levaria, pelo menos, uma hora andando, mas eu faço o percurso em três minutos, pois não preciso provar a ninguém que embarquei numa carruagem. Afinal, estou indo para casa.
— Dois pedidos em um só dia? — sua voz chega aos meus ouvidos, assim que entro em casa. — Isso deve ser um recorde! — ele ri baixinho, sentado em meu estofado de couro.
— Pensei que estivesse dormindo, tio Langsler. — respondo séria.
— Você continua não me chamando de pai… — ele suspira. — já faz séculos, Sa…
— Não me chame assim! — eu o interrompo, irritada.
— Eu não vou te chamar pelo nome de sua mãe!
Ele se levanta ameaçadoramente, e eu abaixo a cabeça levemente, sob o comando de seu poder. Ele não me obriga a lhe pedir desculpas, então, me limito a ficar calada. Sim! Ele é benevolente comigo. Às vezes chego a pensar que sou sua preferida, pois ele tem dezenas de filhos, e não o vejo correr para socorrer nenhum deles. Nem quando morava sob o seu teto, eu o vi correr para socorrer qualquer um de meus irmãos. Eu só conheço um deles, pois somos filhos da mesma mãe e, mesmo ele, na última vez em que pediu ajuda, meu pai foi ao seu encontro, três dias depois.
— Achei que estivesse dormindo. — abrando minha voz, ainda de cabeça abaixada, quando repito a minha observação.
— Acredito que tenha sentido meu poder passar por você, assim que disse que estava precisando de mim, por três vezes seguidas. Ou seja, você me acordou. — ele termina de falar, e me livra da punição.
— Obrigada por me socorrer, tio. — sinto que ele fica chateado por eu o chamar assim, mas eu não me importo. A culpa é toda dele!
— O que você quer que eu faça com eles, filha? — ele volta a se sentar no sofá.
— Eu realmente não sei ainda. — me sento ao seu lado, me sentindo desanimada. — Acho que me apaixonei por Iancu, mas Adam começou a agir diferente comigo, desde que voltei da fazenda Bucur.
— E o que você sente por Adam? — ele olha no fundo dos meus olhos. Jamais conseguiria mentir para ele.
— Não tenho atração por ele, tio Langsler. Eu até o acho bonito, mas é apenas isso. Nada além disso! Eu o vejo como o meu chefe, não quero um envolvimento afetivo com ele.
— Vamos ver… — ele estende a mão aberta para mim, com o semblante muito sério.
— Mas… — balbucio, segurando meu pulso. Não quero revelar certas coisas para ele.
— Só vou analisar seus sentimentos, filha. Se tiver algum segredo, continuará guardado.
Olho em seus olhos enquanto fala. Sei que está apenas querendo ajudar, e fui eu quem pediu sua ajuda. Fecho os meus olhos, e estendo o braço direito a ele. Ainda de olhos fechados, sinto suas presas perfurando meu pulso.
Na primeira vez em que ele fez isso, achei que sentiria dor. Eu tinha menos de dezoito anos, e isso foi há séculos. Ele queria saber o que estava acontecendo entre mim e meu irmão. Estávamos reclamando muito um do outro, e Merlin havia quebrado umas coisas. Para ter certeza de que eu não era a causadora da discórdia, meu pai fez contato com o meu sangue, e descobriu que eu estava aprendendo mais do que matemática, com o meu professor… eu estava aprendendo a beijar!
Tudo bem! Ele não ficou puto, mas eu fiquei muito sem graça com a descoberta! E ele queria ter uma daquelas conversas sobre se.xo, já que minha mãe morreu, e eu não queria ter esse tipo de conversa com o meu pai. Se bem que acho que, para a época, nem minha mãe teria esse tipo de conversa comigo. Mas, com certeza, eu acharia uma professora que pudesse me falar alguma coisa e, além disso, não estava nem um pouco interessada no assunto naquela altura.
Sempre soube que eu sou diferente! Enfeiticei meu professor de cálculos para me ensinar a beijar. E daí? Meu pai o enfeitiçou para me ensinar! Mulheres não tinham direito a estudo, nem em casa, coisa que agora, acontece muito: a maioria das mulheres de classe alta, podem estudar em casa. E isso vai mudar, muito em breve, com a escola de Iancu, e as novas abordagens do prefeito.
— Você quer a verdade? — ele me pergunta, me trazendo de volta de meus devaneios.
— Sim, por favor. — olho em seus olhos.
— Se é o que você quer… — ele diz depois de alguns segundos, analisando meus olhos. — você está apaixonada por Iancu que, apesar de vir de uma família boa, não herdou o caráter de seus ancestrais. É extremamente canalha e embusteiro. Está enganando até o prefeito Adam Cracium. — ele move a cabeça de lado, levantando as duas sobrancelhas, em sinal de expectativa, pela minha reação.
— Como sabe que ele não presta? — franzo as sobrancelhas, mascarando a minha decepção.
— Os restos da saliva dele em sua boca. — ele me analisa antes de concluir. — E… ele já tem uma noiva…