CAPÍTULO CINCO

1329 Palavras
— Filho da pu.tah sa.fa.do! — esbravejo, depois me levanto e começo a andar de um lado para o outro. — Ele tem que tomar uma lição! — esfrego as mãos, uma na outra. — Minha filha, não haja pelo calor do momento. — suas palavras me fazem parar e olhar para ele com raiva. — Só estou dizendo para esfriar a cabeça antes de agir. Qualquer coisa pode dar errado, se você agir de cabeça quente. — O que você quer, é proteger seus queridos humanos! Os maravilhosos seres, por quem se apaixonou! — O que eu quero, é tentar proteger a minha filha! Não quero que se frustre, e também não quero que se revele. Quero menos ainda, que se arrependa! — ele suspira, parecendo frustrado. — Estou te pedindo para fazer um plano antes de agir, querida. Eu jamais colocaria, qualquer ser humano, antes de você! Você é a minha prioridade! — Não fui sua prioridade durante dez anos da minha infância! — E agora você volta no mesmo assunto de sempre… — ele olha para cima e exala de uma vez. — tento compensar isso, há mais de mil e quinhentos anos. — ele olha para mim de novo. — Quando você vai me perdoar? — Você nem mesmo me diz para onde foi, como eu posso perdoar você? — Quando o momento chegar, eu vou contar tudo a você, eu prometo. Mas, ainda assim, não sei se vai me perdoar, filha. — ele me dá um sorriso triste. — Não sei de onde você herdou tanto rancor. — Não sou rancorosa… — cruzo os braços em cima do pe.ito. — Ah! É claro que não! — ele fala rindo, e sua risada, assim como sua voz, são carregadas de sarcasmo. ― Você vai me ajudar ou não? — pergunto impaciente. ― Eu sempre vou te ajudar, filha. — ele me olha com carinho. — Preciso conhecer seu chefe. ― Vai dizer que é meu pai, mesmo sem parecer? — tento não fazer, como ele diz, “minha cara de arrogância”. ― Você quer que eu pareça ter quantos anos? — ele passa uma das mãos no rosto, e fica com o semblante de um velhinho de noventa anos. — Assim está bem para você? ― A voz não condiz com a aparência… — reprimo o meu riso, respirando fundo. ― Posso dizer que sou seu irmão mais velho, se isso te fizer feliz. — ele volta ao normal, mas seu semblante parece aborrecido. ― Olha, tio Langsler, hoje em dia, os homens se casam mais velhos… ― Você quer me ensinar sobre a humanidade? — ele me interrompe, franzindo o cenho. — Sobre os seres que eu, praticamente, vi serem criados? ― Desculpe! — abaixo a cabeça em respeito. — Eu havia me esquecido… mas você nem me fala muito sobre isso, e… ― Quando o momento certo chegar, você vai saber! — ele me interrompe mais uma vez. ― Você pode parar de me tratar como uma criança? — Olho para ele, irritada. ― Claro que sim! — ele sorri. — Quando você parar de se comportar como tal! ― Me perdoe, senhor de quase cinco milhões de anos! — é minha vez de soar sarcástica. ― Isso mesmo! — sua voz é severa. — Lembre-se da minha idade e me respeite, Sars! ― Me perdoe! — falo com certa dificuldade, abaixando a cabeça, sentindo uma pontada de dor. Resultado da punição pela minha insolência. Respiro fundo, quando ele para de me punir, e falo de novo. — Me perdoe! ― Ainda assim, não me chama de pai! — ele suspira de olhos fechados, balançando a cabeça. ― Podemos falar do problema, por favor? — falo baixo, ainda de cabeça baixa. ― Já disse que preciso conhecer o tal Adam. — ele me olha nos olhos e respira fundo. — Você tem vinho? ― Sempre tenho algumas garrafas para você. — falo suavemente, e saio da sala para buscar. Volto com o vinho, e taças para nós dois pois, com certeza, ele vai querer que eu beba com ele, como sempre. E, em geral, eu não tenho opção de escolha nesses momentos “pai e filha”... A noite é tranquila, com assuntos amenos, e mais nenhuma discussão sobre os dez anos que ele passou longe de mim e meu irmão Merlin. Eu desconfio fortemente de que ele tenha bloqueado esse assunto dentro de minha cabeça, num canto escuro, para que eu não voltasse a falar disso, e assim evitar brigas e discussões. Mas acho que foi melhor assim. Também falamos um pouco sobre Merlin, e sobre o seu medo de se expor novamente, mas tio Langsler não entrou em detalhes. Eu disse a ele que, às vezes, Merlin me deixa algumas mensagens em meu espelho, dizendo que está bem, que sente saudades, mas que não deixa rastros, para que eu continue, sem poder o encontrar. Fico triste com isso, mas parece que, meu pai, também dá um jeito de a tristeza não permanecer por muito tempo, então, isso passa rápido. O dia surge nublado, frio até. Outra coisa que me parece ser “Providência de Meu Pai”, assim ele pode sair durante o dia, já que a luz do sol tem um efeito ru.im sobre ele, que nunca me foi exatamente explicado. Mas sei que o senhor Dracus, não pode “viver” de dia, e que os passa dormindo. O que me parece muito estranho, já que eu não preciso dormir, devido à natureza que herdei dele. Mas não discuto essas coisas com ele pois, como ele vive me dizendo, “No momento certo você vai saber”... Chegamos cedo à prefeitura. Tão cedo, que não há sinal de Adam, em lugar nenhum. Nem mesmo os meninos, que costumam levar os recados, não o viram… exceto Beniamin. ― Eu o vi do outro lado da cidade, senhorita Vivien! — ele diz sorrindo, e orgulhoso de si mesmo, por saber a resposta. — Lá, onde tem as lojas que os garimpeiros, costumam vender as pepitas de metais valiosos e pedras preciosas. — meu pai ri baixinho, e Beni aponta para ele. — E quem é esse homem? ― Sou o irmão mais velho dela. — ele responde, parecendo estar se divertindo com a situação, e eu reviro os meus olhos, demonstrando toda a minha impaciência. ― Aliás, senhorita Vivien, ontem ele me pediu para avisar o senhor Ianco Bucur, que a reunião será depois do almoço. — Beni me informa. ― Mas… a que horas foi isso, que eu não o vi falar com você, Beni? — franzo as sobrancelhas, tentando me lembrar de ter escutado alguma coisa sobre isso. ― Alguns minutos depois que você saiu. Ele disse que o recado era de extrema urgência e importância! ― Ele disse porque estava mudando o horário da reunião? — meu pai pergunta, tentando esconder o riso. ― Eu perguntei a ele, senhor! — Beni mostra um sorriso largo. — Ele disse que tinha algo muito importante para fazer de manhã. Algo que já deveria ter feito há muito tempo, mas que foi burro o bastante, para não perceber anteriormente. ― Obrigada, Beni! — interrompo a conversa, sorrindo cordialmente para o garoto. — Vamos, irmão! Puxo meu pai para dentro da prefeitura. ― O que será que ele está fazendo lá? — penso em voz alta, quando me sento à minha mesa. ― Há muitas coisas que um prefeito pode estar fazendo no setor de comércio. — meu pai se senta à minha frente. — Tanto pode ser algo particular, quanto pode ser algo relacionado à sua posição de autoridade máxima da cidade. Não deve se preocupar tanto. Além disso, eu estou aqui, não é mesmo? — ele pega minha mão entre as suas, em cima da mesa. — Não foi por isso que você me chamou? ― Para que, exatamente, você chamou esse homem aqui, Vivien?
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