NÃO DIGA ALÔ, DIGA ADEUS

2671 Palavras
Triiiiiiiim. O telefone toca. -Alô? A voz do outro lado não responde. - Alô?! A voz rouca do outro lado pergunta. - Dr. Gutemberg.... È o Senhor ? - Sim, ele mesmo. Pois não? Tu...Tu... Tuuuuu... O barulho do telefone indicava que a conversa havia se encerrado. - Alô?... Alô?...- Insistia Dr. Gutemberg. Nenhuma resposta. “Diabos, essas crianças não tem o que fazer?’’ – pensava. .O Dr, coloca de volta o telefone no gancho. Precisa arrumar as pastas da audiência de amanha, são dez no total. Ding- Dong!!!. A Campainha toca. - È hoje!’’ Esbraveja Gutemberg, que se levanta para atender a porta. ... São sete horas da manhã de terça. Roberto Farias se preparava para mais um dia de trabalho. Como todos os dias, abriu a porta já olhando para baixo a procura do jornal. Sim está lá. - O café está na mesa, querido! – Sua esposa Mariângela gritava da cozinha. Mas não respondeu, estava mais entretido com a primeira página do jornal que dizia: “Advogado Dr. Mauricio Gutemberg é assassinado com treze tiros. Polícia não tem pista ainda do suspeito’’ . - Está esfriando!- Ela grita novamente. - Já estou indo!- Diz ele enrolando o jornal e escondendo por baixo do terno. Dr, Roberto Farias, como é conhecido, è um assassino de aluguel. Ele trabalha para um agiota , o Toninho, os dois mantêm um tipo de sociedade, mas ninguém desconfia de sua segunda profissão, ele é muito zeloso, e para os outros ele intitula-se como contador e advogado. Conheceu Toninho há dez anos, os dois fizeram a mesma faculdade. Um dia, Toninho ligou pedindo ajuda de Herbert. Ele nunca se negou a ajudar o amigo, mas naquele dia, seria uma ajuda diferente, um pedido que iria mudar sua vida para sempre. Toninho pediu que seu amigo matasse um cara que estava devendo a ele. Roberto ficou assustado com a noticia de que seu amigo estava metido com o crime. No início ele se negou, não poderia pensar em imaginar fazendo algo tão inescrupuloso, tinha princípios, ou pelo menos imaginava que tinha. Além disso, não poderia arriscar a vida de sua esposa e seus dois filhos. Mas a amizade que tinha pelo amigo falou mais alto, e apesar Roberto ter sido o homem carinhoso e caridoso que sempre foi, ele era fiel como um cão. Aceitou a proposta do amigo, e claro, o dinheiro também. Com o dinheiro que ganhou do seu primeiro assassinato, Herbert comprou a sua casa. Desde então, ele continuava com a parceria com o agiota. Sua esposa Jamais desconfiou, tinha todo o cuidado do mundo para que ninguém de sua família descobrisse, para isso, mantinha um escritório de advocacia e contabilidade como se fosse de fachada. Mariângela achava que sua renda era toda de lá . - O Marcelinho não esta querendo levantar hoje. - Disse Mariângela- Ele deve estar com febre - Já levou ao médico? - Não, mas vou levar, ele se queixou ontem de dor de garganta... - E a Irvin? - Ah, você sabe... Esse namorado... - De novo? Já disse, esse cara... - Querido! Por favor! Prometa-me que não vai mais impedi-los?- Ela segura as mãos dele- Vocês se dão também, não deixe essa história atrapalhar o relacionamento de vocês. - Querida, ela só tem 16 anos, preciso protegê-la, e acredite em mim, esse rapaz não é bom para ela. - A decisão cabe a ela, infelizmente. Irvin descia pelas escadas afobada. - Mãe, pai já estou de saída, o Diego vem me buscar para irmos ao colégio - E seu café?? Perguntava a mãe - Tomo na escola. Beijos. Irvin sumia pela porta da sala. Enquanto sua mãe ainda exclamava para ela: - Para a escola, viu?! O pai não respondia, apenas balbuciava algumas palavras, e repetia consigo: “Cretino’’. De certo, o relacionamento dos dois ficara abalado depois que ela começou a namorar. Diego estudava na mesma escola que ela, era um ano mais velho. O fato de o pai da menina não aceitar a namoro, não impedia as fugidas noturnas dos dois. Fato que dava motivo as discussões e brigas diárias. O pai ainda tentava se acostumar com a ideia de que sua querida garotinha estava crescendo, mas o seu descontentamento não sendo só pelo fato de ela estar namorando, mas também pelo fato de que o garoto era considerado,digamos, arruaceiro, além de um suposto envolvimento com drogas. Ele tinha uma banda de rock, passava noites tocando em alguns bares da cidade e Irvin acompanhava a todos eles. Apesar das intrigas havia prometido a si mesmo que iria tentar manter um bom relacionamento e ser mais compreensível. Além do mais, o amor que sentia pela sua família era maior que todas as desavenças. Chegava a noite. Roberto havia dito a mulher que iria chegar mais tarde do trabalho, iria ajudar Toninho em um processo complicado, portanto não ficaria para o jantar. A vítima da vez era Ricardo Marques. Milionário paulistano dono de várias empresas de marketing. Depois de anos no topo dos negócios, Ricardo se afundava em dívidas, marqueteiros , agiotas , e vários empresários em sua cola. Mas o que realmente contribuiu para sua decadência foi sua agitada vida noturna. As más línguas dizem que chegou a gastar mais de 500 mil em uma só noite. È como dizem: “Quanto mais alto você sobe, mais alto é a queda”, era o que dizia seu amigo Toninho, e naquela noite, ele não podia falhar. Iria reaver o dinheiro de mais de um milhão de reais emprestado ao milionário. Estaciona a Ranger preta perto de um orelhão próximo a mansão de Ricardo. - Alô?! - Alô? Quem fala? Tu...Tu... Tuuuuuu...... “Na isca! Ele está em casa!’’ Todo cuidado possível é pouco, não podia ser descoberto, por sorte já havia estudado todo o lugar no dia anterior. Seria uma das missões mais difíceis, apesar da crise que atingia Ricardo, ele não economizava na hora de contratar seguranças. Roberto pega o celular. Faz uma ligação: - Alfredo? ... A barra está limpa? ... E as câmeras estão todas desligadas? Tudo pronto para dar início ao trabalho. Ricardo abre uma Champanhe e coloca em sua taça de cristal, vai à janela, seu quarto está escuro mas a luz da lua cheia, brilhante como um diamante, está iluminando diretamente por seus olhos , e pensa : “Como é bom ser rico’’ A porta range. Ricardo se vira para o vulto que está dentro de seu quarto. - Quem está ai? Mas não escuta nenhum som, a sombra se aproxima lentamente, e por sobre a luz do luar , Ricardo consegue ver um cano apontado em sua direção - O que ... Bang! Bang! Silêncio... Chaves, carteira por sobre a mesa, o silêncio na casa denuncia o tardar da madrugada. Dr. Roberto retira o seu paletó acinzentado, e o pendura. Está cansado, teve um dia trabalhoso. E nada melhor do que tomar sua dose noturna de vinho tinto, e acender o charuto. Senta na poltrona da sala de visitas, da uma tragada e bafora como se estivesse expirando todo o seu cansaço. Mas o silêncio da casa é interrompido por uns leves gemidos. “O que será isso?...Vem da sala de estar...’’- Levanta , apaga o cigarro, vai até a sala. Roberto se aproxima lentamente, não há nada em cima do sofá, mas consegue ver que no chão há um amontoado de roupas que parecem gemer. Não... Não são roupas... - Irvin!- Exclama furiosamente Roberto que acende a luz: - Papai!!! Em cima dela há um namorado atordoado e ofegante. Está nu, tenta em vão cobrir suas partes intimas com as mãos. - O que esse cretino está fazendo aqui?!! - Calma! È meu namorado! - Fora daqui- Diz Ricardo sacando a a**a que estava guardada em sua cintura e apontando para o namorado da filha. - Ele está armado! Cara ele está armado! – respondia Diego, incrédulo. Mariângela, com o barulho, desce as escadas correndo: - O que está havendo aqui?! Ricardo?!! Abaixe essa a**a!!! Meu Deus!!! Onde conseguiu isso?! - Esse..Esse..Filho da puta...Estava com nossa filha. - Papai! Por favor! Abaixe essa a**a! - Cale a boca! Cretina! Sua v*******a! Mariângela entra na frente da mira da a**a que está apontada para o casal. - Ricardo! Por favor! Não faça nenhuma besteira- Vira-se para o namorado da filha – Vista as suas roupas, eu te acompanho até a porta. O rapaz, sem pestanejar, sai correndo em direção a porta com suas roupas nas mãos. - Tenha calma, por favor, diz Mariângela- virando-se para marido e tocando –lhe os ombros. Irvin debruçada em lágrimas, m*l consegue olhar para o rosto de seu pai, que coloca a a**a de volta na cintura. - Depois, de todo o amor e carinho que te dei. Depois de tudo o que fiz pela nossa família. Você me desrespeita dessa forma. Transforma a minha casa em um motel? Onde está o seu juízo? - Ele é o meu namorado pai.E eu não sou mais uma criança. - Não quero mais ver esse rapaz aqui entendeu? - Disse o pai segurando o cangote da filha. Ela se afasta empurrando –lhe as mãos: - Você não vai voltar a vê-lo... - E sem olhar para ele, se afasta, subindo as escadas da casa. Continuou - E nem a mim. A frase de sua filha não saia de sua cabeça, a confusão havia-lhe tirado o sono, apenas degustava, sentado em uma poltrona antiga, seu charuto predileto. “E nem a mim’’. “O que quer dizer com isso? Aquela garota, pensa que pode fugir? Ela não sabe nada da vida”... Apagou seu “Hoyo de Monterrey’’ no cinzeiro. Já eram três da madrugada, mesmo que não quisesse , precisava descansar, o seu corpo pedia, teve um dia cheio. E além disso, o tempo trataria de fazer com que as brigas esfriassem na casa, havia prometido que no dia seguinte iria ter uma conversa com sua filha sobre o namoro, quem sabe até não poderia ter uma boa conversa com o rapaz. ... Triiimmm -Alô?... Alõ?...Quem fala?... Ninguém respondia. ‘’ Quem ligaria tão cedo assim?- pensava - Amor, quem era?- Mariângela que acabara de levantar da cama perguntava - Deve ser algum engano. Eram seis da manhã, Roberto ia para sua rotina antes de ir trabalhar, tomar um banho,escovar os dentes, afazeres diário que fazia quase tudo mecanizado. Dentro do banheiro no quarto, se olhava no espelho barba e cabelos grisalhos enalteciam mais ainda sua idade, passava as mãos sobre sua protuberante barriga, ‘ - Mamãe!!!Mamãe!!! – gritava Marcelinho, rompendo o silencio que estava na casa - A Irvin não está no quarto dela! - Será que ela foi mais cedo para o colégio? Ela não disse nada...- Os pais correram para o quarto da menina. Ela não estava lá. O olhar que Roberto deu sobre o quarto vazio lhe dava uma espécie de ânsia, um embrulho no estomago. Esperava pelo pior. Vasculhava o quarto na esperança de encontrá-la, rezava para que fosse uma brincadeira de muito mau gosto, ou que estivesse brincando de esconde- esconde. A mãe tentou apaziguar para não cair no desespero disse que iria ligar para o namorado da filha e para os pais dele. Era provável que eles já estivessem na escola. Roberto ainda olha de relance para o quarto `a procura de alguma pista. Não demora muito até que encontra um bilhete no chão, perto da cabeceira da cama, e, onde provavelmente ele deveria estar, se não fosse um vento rebelde que pairava pela fresta da janela. Ele abre com todo o cuidado e lê, com letras desalinhadas,dizia: ‘’ Desculpe-me por tudo. Amo vocês. Ivi.’’ O pai apenas senta na cama, lê novamente o bilhete, conseguia ouvir sua voz, era como se ela falasse com ele. Seus olhos se esbarram com o de Mariângela, que retornava com o telefone na mão. Pelo seu olhar, ele percebe que houvera uma tentativa frustrada de encontrar a filha, não diz nada, apenas mostra o bilhete à mãe. Ao terminar de ler, cai sentada na cama da filha como se fosse derrubada por um empurrão. E percebem que. com a agitação, não repararam que a porta do armário estava aberta, e que as roupas de Irvin já não estavam mais lá. ... Um ano se passou desde que Irvin foi embora. Dr Roberto continuava com as suas atividades diárias e noturnas, porém, agora fazia tudo com uma profunda tristeza em seu coração. Depois de tantos anos, havia prometido a si mesmo que naquele dia iria largar a vida criminosa, sentia que aquilo era um castigo de Deus. Não suportava mais lidar com o ardor de não saber onde sua querida menina estava. Todas as buscas eram em vão: jornais, anúncios e até mesmo com a ajuda da polícia, nada, não havia pistas da garota. Parecia que estava procurando um fantasma. Roberto estende as mãos para abrir a gaveta que fica ao lado de sua cama, e abria uma caixa onde guardava o bilhete que Irvin deixou, junto com todos os presentes que sua filha havia-lhe dado. Não conseguia tirar o peso da culpa que carregava pelo sumiço da filha. Mariângela tentava consolá-lo todos os dias, acreditava veemente que sua filha estava bem, e que um dia retornaria para a casa. Era tudo questão de tempo. Se levanta da cama, e ouve o celular tocando. È seu melhor amigo Toninho, com certeza ligava para lhe passar mais um trabalho sujo. Ele atende já com as palavras prestes a ser expelidas quando houve: - Roberto, preciso de um favor. Desta vez... não vai ser para mim. - Como assim? Que favor? Para quem? - Vai ser para um amigo meu, que também é agiota. No caminho explico mais detalhadamente. O lugar fica a milhas daqui, então sugiro que pegue o carro e te explico quando pegar a estrada... ... Roberto para em um orelhão perto da casa da vítima. O telefone chama e ninguém atende. “Será que não há ninguém em casa?... Mas o Toninho disse que tinha certeza que ele estaria aqui...”. Pensou em ir embora, lembrou da promessa feita a si mesmo sobre largar esse “mundo’’. Mas hesitou, o valor a ser pago pelo trabalho não era algo a ser jogado fora, a recompensa oferecida por ele vinha em sua mente: um milhão de reais. Além do mais. seria o último trabalho que faria para Toninho. Roberto atravessa a rua olha para os lados para ver se não há ninguém. Já é madrugada e a rua está pouquíssima iluminada. Chega ao local, olha o número da casa. Sim! É ali mesmo! A casa é bem modesta, parece um sobrado antigo, muito m*l cuidado a porta que dá para a rua está enferrujada, há pequenas janelas de vidros que contornam ao redor da porta. Ele olha pelos vidros se há alguém no imóvel, porém está muito escuro. Pega a chave mestra e abre a porta bem vagarosamente. Com a p*****a já engatilhada, começa a caminhar, o seu coração parece sobressaltar sobre o paletó, não consegue ver absolutamente nada. A casa é uma escuridão sem fim. Ele houve um ruído parece ser passos de alguém vindo de um lugar que parece ser um quarto. Tateando sobre as paredes ele saca a a**a, precisa arriscar. Repentinamente avista um vulto, e sem titubear, atira três vezes. O vulto está caído no chão. Ele apalpa o bolso de seu paletó em busca da lanterna e ilumina as paredes até achar um interruptor de luz. A luz ilumina o que ele pensava ser um quarto, e na verdade uma sala. E o vulto caído , sem vida , é uma mulher. Ele se aproxima da mulher, lhe parece familiar, tira os cabelos ensaguentados de seu rosto. Logo reconhece, é sua amada filha Irvin que está morta no chão, passando os olhos pelo seu corpo percebe que abaixo de seus s***s está uma protuberante barriga. Ela estava grávida.
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