CAPÍTULO 06
O apagão na base gerou um caos imediato. Enquanto os guardas corriam pelos pátios externos tentando identificar a causa da falha, Katana e o invasor continuavam seu duelo mortal nos níveis superiores.
— Isso é impossível... — a voz robótica do mascarado falhou, processando a anomalia energética.
Katana não respondeu. Com uma velocidade impressionante, ela o agarrou pelo pescoço e o golpeou com tanta força que o homem atravessou a parede. O traje do invasor brilhou, absorvendo o impacto, e ele se levantou com dificuldade entre os escombros. Desesperado, ele sacou uma arma a laser, disparando freneticamente enquanto recuava em direção às janelas.
Katana movia-se em zigue-zague, desviando dos feixes de luz com agilidade sobre-humana. Ela avançou com a espada em um golpe de fúria; o mascarado desviou, mas a lâmina rasgou o tecido de seu braço. Percebendo que os guardas estavam tomando os corredores, o invasor jogou-se de costas pela janela do último andar. Katana correu até a borda e o observou cair até que, como em um teletransporte, ele desapareceu no ar antes de atingir o solo.
Ela permaneceu imóvel por alguns segundos. Aos poucos, o brilho azul de seus olhos se dissipou, voltando à cor normal enquanto a brisa tocava as mechas de seu cabelo.
— Como ele entrou aqui?! — questionou um capitão da guarda, entrando na sala.
Katana guardou a espada com um clique seco.
— Sou eu quem deveria fazer essa pergunta. O dever de guardar a base é de vocês, não meu. Fiquem mais atentos da próxima vez.
Ela saiu da sala, deixando os guardas em silêncio.
No dia seguinte, os agentes James, Ana e Neytan se reuniram na agência com a Dra. Norma. O clima era de cooperação.
— Bom dia, agentes. Quero parabenizá-los pelo êxito em Nevada, especialmente ao Agente James pelo resgate das crianças.
— Obrigado, Dra. — James interveio educadamente. — Mas a missão ainda não acabou. O alvo real era um composto secreto, levado por uma das suspeitas.
— Sim, estou ciente — respondeu a Dra. Norma. — Por isso pedi que retornassem. O grupo trouxe o composto para Streetveel e possui uma base escondida nas redondezas. Sua missão é recuperá-lo. James, pelo seu desempenho, você será o líder desta operação. Tomem cuidado, o perigo agora é maior.
Após a diretora sair, os três começaram a discutir o plano de forma amigável. Ana sugeriu buscar o café enquanto Neytan aguardava o retorno da Inteligência.
— Eu vou buscar os cafés. James? — Ana perguntou.
— Eu aceito, obrigado — respondeu James, sorrindo.
Quando Ana saiu, o silêncio entre os dois homens foi interrompido por Neytan, que mudou o tom da conversa.
— Você a conhece há muito tempo?
— Sim — James respondeu calmamente. — Desde antes da agência.
— Ela parece gostar muito de você — continuou Neytan, e foi então que o clima pesou. — Tanto que se arrisca para cobrir seus atrasos. Você deveria ser mais profissional, James. Não coloque sua responsabilidade na conta dela. Isso pode prejudicá-la seriamente.
James sentiu o sangue ferver. A postura relaxada desapareceu instantaneamente.
— Olha aqui, você não sabe de nada sobre nós. Eu não admito que você...
Ele parou de falar bruscamente quando Ana entrou na sala com os cafés. Ela sentiu a eletricidade no ar.
— Trouxe os cafés. Está tudo bem por aqui?
Os dois se encararam por um segundo eterno, "fuzilando-se" com o olhar, antes de responderem juntos:
— Sim.
Ana não se convenceu, mas entregou as bebidas. Pouco depois, a Inteligência enviou as coordenadas da base.
Enquanto os agentes se preparavam, Katana estava no salão de treinamento da fortaleza. Seus movimentos eram fluidos e precisos.
— Bravo! Bela performance! — debochou Dara, uma integrante da base que sempre tentava provocar Katana.
Dara era alta, parda, de cabelos curtos e olhos invejosos. Ela pegou um bastão de treino, tentando acompanhar Katana, que permanecia em silêncio.
— Deve ter sido difícil, não é? Passar a vida tentando ser perfeita e acabar sendo apenas uma experiência rejeitada.
Katana parou. Abriu os olhos e, em um borrão de movimento, atravessou o salão. Quando Dara percebeu, Katana já estava de costas para ela, perto da saída.
— Da próxima vez que quiser conversar — disse Katana, fria —, escolha algo mais resistente.
Ela saiu. Segundos depois, o bastão de Dara começou a se despedaçar, caindo em fatias perfeitas no chão. Dara arremessou o que sobrou, furiosa.
O dia da invasão chegou. James e Neytan entraram na base enquanto Ana monitorava tudo do lado de fora, hackeando as câmeras e cercas elétricas.
— Agentes, entrem agora! — Ana comandou pelo rádio.
Eles avançaram pelos corredores metálicos. James instalou um sensor de mapeamento na parede.
— Ana, estamos dentro.
— Visualizando... Gente, esse lugar é enorme. Quilômetros de túneis. Sigam pela direita, o laboratório deve estar logo adiante.
Enquanto avançavam, o binóculo de Ana captou um movimento inesperado na entrada principal. Carros blindados pretos com vidros escuros chegavam, escoltados por soldados do exército do governo.
— Mas o quê...? — Ana viu Katana recebendo os homens. — Soldados do governo? O que eles estão fazendo aqui? Preciso avisar os agentes...