Fantasmas e fortalezas

1173 Palavras
​CAPÍTULO 05 ​— Irmão, olha só o que eu comprei! Não é maneiro? — Jordan exibia o sorriso mais largo que James já vira na vida. ​— Uau, que belezinha de carro, maninho! Deve ter custado uma nota preta — James comentou, admirando o brilho da lataria. ​— Ah, nem tanto. É um esportivo classe A, sempre quis um desses. ​— E você conseguiu. Estou muito orgulhoso de você, Jordan. ​— Que isso... Vamos dar uma volta? Abriu um café novo aqui perto, podemos pedir para viagem. Eu sei que meu maninho adora um cappuccino gelado — Jordan brincou, dando uma cotovelada no irmão. ​— Engraçadinho... Está bem, vamos lá. ​Ao chegarem ao estabelecimento, James desceu do carro primeiro. — Vou lá dentro fazer os pedidos, você me aguarda aqui fora? ​— Claro. Não esquece o gelato! — Jordan riu, aumentando o som do rádio. ​James deu um tapinha afetuoso na cabeça do irmão e entrou no café. Enquanto aguardava no balcão, ele observava pelo vidro. Jordan estava radiante, cantando e dançando sozinho dentro do carro novo. James sorriu; ver a felicidade do irmão era sua maior conquista. ​— Seu café, senhor — disse a atendente. ​— Obrigado. ​James pegou os copos e saiu. Enquanto caminhava em direção ao veículo, ele entrou na brincadeira, levantando os cafés e acompanhando o ritmo da música que Jordan ouvia, até que... o mundo explodiu. ​Um clarão ensurdecedor transformou o carro em uma bola de fogo instantânea. Estilhaços de vidro e metal voaram como projéteis em todas as direções. James foi arremessado para trás com violência, o impacto roubando seu fôlego e sua consciência por breves segundos. Caído no chão, com os ouvidos zumbindo e a visão turva, ele olhou para as chamas que consumiam tudo o que ele amava. ​— JORDAN! — o grito rasgou sua garganta, mas o som foi abafado por um bipe persistente. ​Biip... biip... biip... ​James despertou sobressaltado, desligando o despertador do relógio com um movimento brusco. Ele permaneceu sentado na beira da cama, o suor frio escorrendo pelo rosto. Cobriu o rosto com as mãos, imerso no silêncio do quarto, tentando expulsar a imagem do carro em chamas de sua mente. ​Na sede da SION, a rotina não dava trégua. A agente Ana continuava mergulhada nos arquivos do Projeto Katana, buscando qualquer rastro que levasse ao paradeiro do componente roubado. ​— Bom dia — disse James, aproximando-se com o semblante cansado. ​— Bom dia! — Ana o avaliou com preocupação. — Tudo bem? Como está o ferimento? ​— Já está um pouco melhor. Alguma novidade sobre o composto? ​— Ainda na mesma. Existe um bloqueio criptografado impedindo o acesso aos dados mais recentes, mas o Neytan conseguiu rastrear algumas chamadas feitas da base de Nevada horas antes do ataque. ​— Pelo menos um de nós está tendo êxito — murmurou James. ​Enquanto conversavam, Neytan estava em uma sala reservada, cruzando as coordenadas das ligações com o banco de dados da Interpol. Ele estava inquieto. "Por que a Katana se envolveria em um roubo de patentes? Isso não faz sentido", pensava ele. ​Seu telefone tocou. Era a Dra. Norma. ​— Bom dia, agente Neytan. ​— Dra. Norma, bom dia. No que posso ajudá-la? ​— Recebi o relatório de que os agentes obtiveram êxito no resgate das crianças. Meus parabéns. ​— Na verdade, o mérito é do agente James. Foi ele quem as localizou e garantiu a segurança delas. ​— Sim, compreendo. Mas não liguei apenas para elogios. Quero informar a equipe sobre sua nova diretriz. ​— Nova diretriz? Mas como assim? Nós ainda não terminamos aqui... ​— A missão de vocês em Nevada foi encerrada por ordens superiores — a voz da Dra. Norma era final e fria. — Retornem para Streetveel imediatamente e preparem-se para a próxima. Aguardo vocês na agência para esclarecer todos os detalhes. ​A ligação foi encerrada, deixando Neytan perplexo. Sem escolha, ele reuniu a equipe e retornou à cidade. Após o pouso, James se despediu rapidamente, precisando de espaço, enquanto Ana e Neytan seguiram para seus apartamentos para um descanso necessário da longa viagem. ​Do outro lado de Streetveel, escondida nas profundezas da floresta, erguia-se uma fortaleza impenetrável. Prédios de concreto secreto, cercas eletrificadas e câmeras de alta tecnologia protegiam o local. Mas, entre as sombras das árvores, um invasor mascarado com trajes de última geração se movia de forma quase invisível. ​Dentro da base, um guarda anunciou na sala de um homem poderoso: — Chefe, ela chegou. ​— Mande-a entrar — ordenou a voz masculina e misteriosa. ​A porta se abriu para Katana. ​— Seja bem-vinda de volta. Fez um ótimo trabalho, apesar dos imprevistos com os agentes. ​— O componente foi recuperado com sucesso — respondeu ela, em tom sério. ​— Por isso confiei esta missão a você. O Conselho ficará satisfeito. Agora vá descansar, Katana. Por hoje é só. ​Ela fez uma leve reverência e se retirou. Ao caminhar pelos corredores iluminados por luzes azuis e vermelhas, Katana sentiu algo. Um leve deslocamento de ar. Uma presença que não deveria estar ali. Ela olhou pelo canto do olho enquanto avançava pela encruzilhada de corredores. ​O invasor, escondido no topo de uma coluna, desviou o olhar para digitar algo em seu visor de pulso, mas quando voltou a olhar... ela havia sumido. ​— Achei você! — a voz de Katana surgiu do silêncio, logo atrás dele. ​O mascarado arregalou os olhos e saltou da coluna, escapando por milímetros da lâmina da espada. Ele era habilidoso, usando duas facas de energia como escudo para bloquear os ataques frenéticos de Katana. O invasor ativou a camuflagem de invisibilidade e desferiu uma sequência de golpes carregados com choques elétricos. ​A dor das descargas elétricas disparou gatilhos na mente de Katana. Ela se viu novamente criança, sendo castigada em seus treinamentos implacáveis. Cada choque era uma lembrança de seu antigo mestre. O invasor aproveitou sua hesitação e desferiu um chute potente, lançando-a longe. ​— Pensei que a famosa Katana fosse mais forte — debochou o invasor, com a voz distorcida. ​“Levante-se, garota fraca!”, a voz de seu mestre ecoou em sua memória, trazendo à tona uma fúria incontrolável. ​Nesse momento, uma onda de energia invisível emanou violentamente do corpo de Katana. O impacto de seu poder meta-humano foi imediato: as lâmpadas do corredor estouraram simultaneamente e o sistema do traje do invasor entrou em curto-circuito. A camuflagem de invisibilidade fritou e falhou brutalmente, deixando-o visível e vulnerável. ​O mascarado recuou, mas em um piscar de olhos, Katana ressurgiu à sua frente. Seus olhos haviam mudado: o castanho desaparecera sob um azul vibrante e luminoso, brilhando com uma intensidade mortal. ​Ela ergueu a espada, a ponta encostada na garganta do homem. ​— Aonde pensa que vai?
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