Depois que Anthony contou o que havia acontecido, as duas irmãs arrumaram suas coisas e foram para casa, claro, com uma pequena guarda da polícia de olho em suas portas. Os vizinhos que moravam ao redor olhavam assustados para o carro, sem entender o que havia acontecido.
Já a rebelião virou notícia no jornal da cidade. O que deixava as duas arrepiadas. Depois de quase uma década desde a prisão deles, elas haviam deixado tudo para trás por conta de suas carreiras. Anthony tinha cuidado de tudo, era nítido que elas haviam se envolvido bastante com o caso e ele ficou com medo de qualquer sequela deixada por aqueles três, mas a cada sessão de terapia, a cada missão dada, as duas garotas se transformaram nas mulheres de sua confiança.
Naquele momento, ele estava na casa delas. As duas estavam sentadas no sofá, com o noticiário falando sobre aquilo. Ele pegou o controle e desligou.
- Eu vou cuidar de vocês. - Disse ele, se sentando em uma poltrona. - Vou tirar vocês daqui.
As duas trocaram olhares, pareciam preocupadas.
-Você tem certeza disso, Thony? - Perguntou Lylah. Ela tentava manter a calma naquela tensão. - Eu acho que eles não vão ter a coragem de vir até nós...
-Acredite, Lylah, eles virão. - Cortou-a Anthony. Sua voz era de nervoso. - Eles são bandidos, fizemos uma grande operação para prendê-los e pelo o que me lembro, vocês me contaram que eles as ameaçaram. Eles não têm outro motivo para querer fugir.
Dominick se levantou e andou até atrás do sofá.
- Eu acho que estamos muito bem preparadas para nos defender sozinhas. - Disse ela, com firmeza. - Se eles vierem, é só atirarmos.
Anthony acabou trabalhando baixo, o que irritou Dominick.
- Eu acho que as mocinhas deveriam parar de bancar as heroínas e me ouvir. - Ele pegou algo no bolso interno do seu terno e jogou na mesa de centro. Eram três cadernos, que pareciam um pouco amassados. - Depois que lerem o que está escrito ai, vão entender o porquê estão em perigo.
As duas olharam para os cadernos. Lylah pegou um deles e passou as folhas bem rapidamente.
-Mas o que é isso? - Perguntou a ruiva.
-São diários que eles escreveram nos últimos meses. -Respondeu Anthony. - A última folha mostra qual é o plano deles. Se não confiam em mim, deveriam ler.
Mais uma vez, as duas trocaram olhares, aflitas. Dominick foi a primeira a pegar um dos cadernos. O nome da capa tinha um D na contra capa, o que levou a pensar ser de Dylan. Ela abriu a última página e depois de ler, seus olhos encontraram os de Lylah.
-O que foi? - Perguntou ela, de cenho franzido.
Dominick baixou seus olhos para o caderno e antes de ler, ela engoliu em seco.
-"Querido diário, amanhã é o grande dia. Venho aqui lhe dizer que esta é a última vez em que estou escrevendo, pois amanhã acontecerá o grande plano. Eu estou ansioso, não vejo a hora disso acontecer. Eu a vejo nos jornais e ela está tão linda. Ah Lylah, eu não vejo a hora de estar com você novamente e te fazer pagar por todos esses dias em que me colocou aqui. Oito anos… Ai vou eu, Lylah Michaels." -Terminou Dominick.
Lylah ficou olhando Dominick por alguns segundos, tentando digerir o que foi lido. Seu corpo encostou no sofá, seus olhos cheios de lágrimas. Ela olhou para Anthony.
-E qual é o seu plano?
Este respirou fundo.
- Eu vou abrir uma ficha como proteção às testemunhas. Vocês vão para um lugar seguro e eu vou ficar o tempo todo com vocês… Quer dizer, a maior parte do dia, já que preciso colocar alguém nessa investigação.
Lylah olhou para o caderno nas mãos de Dominick, que também parecia assustada. Àqueles homens iriam mata-las e ela não queria aquilo.
-Então faça, Secretário Voight.
***
A casa segura que Anthony arrumou para Lylah e Domicnick ficava afastada do centro da cidade, em uma rua bem pacata. Com dois andares, mas poucas janelas, o lugar tinha só o essencial: poucos móveis, sem itens pessoais e a despensa bem abastecida. Uma viatura estava na frente da casa, vigiando-as.
Lylah jogou a mochila em cima do sofá e suspirou.
- Por quanto tempo ficaremos aqui?
Anthony tinha as mãos no bolso, pensativo desde que fora buscá-las. Tinha posto vários policiais na rua, procurando pelos três fugitivos, mas nenhuma pista até o momento.
- Eu não sei. - Ele disse sem encarar nenhuma das duas mulheres. - Eu realmente não sei.
Ninguém disse mais nada. Não havia o que dizer. Oito anos separavam Dominick e Lylah do maior erro de suas vidas. Agora, elas tinham que pagar por ele.
Quase no fim de tarde, Anthony precisou ir embora. Ele não disse nada, mas estava claro que aquela noite, ele não dormiria. Pegou para si a responsabilidade de cuidar das duas policiais.
Dominick quis preparar o jantar. Era melhor do que ficar parada olhando para o nada. Mas, Lylah encarava os três diários sobre a mesa. Ela pegou um e abriu na primeira página. Começou a ler em voz alta.
-"Há oito anos atrás, eu era um homem diferente. Mais ingênuo, talvez. Eu me achava esperto por ser o chefe da minha organização e comercializar armas por toda a América Latina. A fachada para os meus negócios era também minha válvula de escape. Os frequentadores chamavam ela de A Mansão dos Desejos. Uma casa em que todos podiam ser livres, que todos, com um estalar de dedos podiam ter seus desejos mais secretos realizados. Claro, se pagassem um bom dinheiro por isso. Assim, eu tinha dinheiro, poder e todas as mulheres que eu quisesse ter."
Lylah parou por um segundo. Dominick respirava pesado.
- Continua.
- Tem certeza?
- Tenho.
Lylah voltou a olhar para o diário de Ramon Rodriguez.
-"Eu sabia que a gerente da casa, Natalie Wilson, tinha contratado novas dançarinas para a mansão, naquela semana. Não me importava muito, desde que elas tivessem fichas limpas e nenhum contato com a polícia. Eu não gostava de traidores. Naquela noite, andando pela mansão, vendo os clientes felizes e satisfeitos com as atrações do local, eu fui atraído por uma música suave e triste. Parecia um blues antigo, uma gaita arranhando a alma de quem a tocava. Vinha do quarto dos tecidos. Curioso, empurrei a porta e foi quando eu a vi."
***
10 anos atrás
O quarto dos tecidos era um dos favoritos de Roman. Em tons escuros e uma cama oval no centro, do teto caiam ao menos seis tecidos na cor azul que iam até o chão. A música que ele ouviu do corredor, preenchia todo o lugar.
Uma mulher seguia o ritmo do blues, fluindo pelo quarto, trocando de tecido, como se quisessem se esconder entre eles. Roman a seguiu. Estava hipnotizado. A lingerie dela era preta com branco, cinta liga, meia 7/8 e saltos bem altos. Usava uma máscara e isso o impediu de ver seu rosto. O cabelo preto caía pelas suas costas em cachos largos. Ela subiu em um dos tecidos e escorregou lentamente.
Roman a esperava e a segurou para que não mais fugisse. Ele levou a mão até a máscara dela, mas a mulher o impediu.
- Eu quero ver quem é você. - Ele disse, um pouco perigoso.
Mas a mulher simplesmente sorriu e se distanciou, sumindo pelos tecidos novamente. Ela gargalhou baixo, gostava da brincadeira que fazia com aquele homem e ele gostava. Ele a estava seguindo.
- Eu não posso tirar a minha máscara, senhor Rodriguez... - Falou ela, já subindo em um dos tecidos. - Mas se me achar mais uma vez, eu posso fazer o que o senhor quiser. - Ela falou, ainda tentando se esconder.
Roman fechou o cenho. Ele era o dono do nunca, ele mandava e as pessoas obedeciam. Irritado, ele voltou a seguir a mulher, que continuava rindo e provocando-o. As luzes baixas e os tecidos dificultavam Roman de ver qual era o caminho que ela seguiria. Até que ele conseguiu virar no mesmo instante que ela.
- Peguei. - Roman a segurou por um braço e a puxou para ele. Olhou bem nos olhos dela. - Agora você é minha.
Ela sorriu ao perceber que ele havia lhe pegado.
- É, você me pegou. - Naquele momento, os dois sentiram algo entre eles. Era como se uma conexão tivesse sido selada entre eles. Roman levou as mãos à máscara daquela mulher e a tirou, assim revelando seu rosto. Ela não quebrou o contato visual. - Eu sou Dominick Michaels, Senhor Rodriguez, sua nova funcionária. - Disse ela, sem sair de perto dele. - Espero que esteja me saindo bem no meu primeiro dia.
***
Dias atuais
Lylah terminou de ler a página do diário e fitou a irmã que estava imóvel, agarrada ao balcão da cozinha.
- Nick?
Dominick saiu de seus pensamentos e fitou a irmã. Seu rosto ficou vermelho, mas logo respirou fundo.
- Eu me lembro muito bem quando o encontrei pela primeira vez. - Disse ela, parecendo sentir alívio ao começar a falar do assunto. - Ele me olhava de um jeito tão intenso, como se quisesse me conhecer de todas as formas. Ele ficou na sala comigo, conversamos e foi a primeira vez em toda a minha vida que eu me senti conectada com alguém. - Disse ela.
Lylah encostou na cadeira, esfregando os braços, como se estivesse com frio.
- Eu entendo você. - Falou, perdendo-se em seus próprios pensamentos. - Éramos jovens, nossa primeira missão disfarçada. Não sabíamos que o envolvimento podia ser tão real, tão intenso.
Dominick mordeu os lábios, indo até a sala e pegando os outros dois diários.
- Eles devem ter escrito muito sobre a gente. - Ela pegou um dos diários. Era o de Simon. - vamos ter que ler tudo. Está pronta para isso?
O silêncio caiu sobre elas. Lylah queria dizer que não, queria correr para o seu apartamento e encolher-se em sua cama como fez em boa parte dos últimos anos. Porém, não dava mais para fugir do passado. Ela só assentiu com a cabeça.
Respirando fundo, Dominick abriu a primeira página do diário. Ela passou os olhos e depois olhou para a irmã. Então, voltou ao diário.
- "Aquele dia foi um tremendo estresse para nós três. Eu e Dylan estávamos estressados e nada melhor do que aproveitar a nossa noite na Mansão dos Desejos. Nome forte e interessante que os próprios clientes haviam dado ao nosso negócio. Eu pedi que Natália nos preparasse algo e fomos assistir uma apresentação... Só não contávamos que fôssemos vê-la…"
***
10 anos atrás
Os dois homens estavam olhando para o palco da sala VIP. Estava nítido em seus rostos o estresse. Foi quando as cortinas abriram e eles viram uma garota. Cabelo vermelho escuro, pele brilhante pelo glitter nela, a lingerie vermelha e preta e sua máscara da mesma cor combinavam bem com ela e toda a sua sensualidade. Aquilo os deixava excitados, mas era cedo demais para qualquer coisa.
A mulher começou a dançar, a música era bem sensual e seu corpo acompanhava todos os movimentos perfeitamente. Os dois estavam completamente hipnotizados por aquela garota misteriosa.
Ela ocupou todo o palco, atraindo-os. Até que ela desceu, se aproximando deles. Passou por entre Simon e Dylan, sorrindo. Tocando neles, mas fugindo quando os dois tentaram segurá-la.
A mulher voltou a subir no palco, dessa vez, indo até o ferro do pole dance. Ela usou o aparelho, movimentando o corpo na batida da música. Girando e chamando os dois homens para se juntar a ela.
Simon se levantou e foi em passos vagarosos até perto do palco. As luzes brincavam ao mostrar tudo naquela mulher. A provocação que ela fazia com eles o deixava mais relaxado. Ele olhou para Dylan, que assentiu. Quando a mulher veio na direção de Simon, a segurou pelo braço.
- Por mais que eu ame essas brincadeiras, uma hora ela precisa acabar. - Ele levou as mãos à máscara dela, a tirando. - Agora que tal dizer seu nome?
A ruiva se surpreendeu com o atrevimento de Simon, mas tentou não demonstrar. Seu corpo também tinha ficado arrepiado, fato que ela atribuiu ao ar condicionado.
- Lylah Michaels, senhor Lopez. - Falou ela, erguendo o queixo e o encarando. - Sou a nova dançarina. Espero que eu tenha lhe agradado.
***
Dias atuais
- Pare, Nick. - Lylah pediu, se levantando da mesa. - Eu não vou suportar ouvir mais nada sobre essa noite.
Dominick fechou o cenho com a reação da irmã.
- E vai fazer o que, Lylah? Se fechar para o que houve? Temos que fazer algo, ler isso aqui pode nos ajudar muito. - Ela jogou o diário na mesa, respirando fundo. - Eles estão lá fora, querendo nos pegar... Ninguém pode nos salvar, nem Anthony. - E respirou fundo. - Eu sei que vocês conversaram depois de eles saberem seu nome. Como foi?
Lylah sabia que a irmã tinha razão, mas era muito difícil para ela recordar seu passado. Ela se apoiou com as mãos no encosto da cadeira e fitou o chão.
- Foi uma conexão instantânea. - Ela começou. - Eu sabia quem eles era, eu sabia que estávamos em lados opostos da lei e mesmo assim, naquele momento éramos só Lylah, a dançarina e seus patrões. - Com um suspiro profundo, ela sorriu. - Eu contei a eles que tinha o sonho de ser veterinária e que estava ali pra juntar dinheiro para a faculdade.
***
Flashback
-Veterinária? Amante dos animais. - Disse Dylan, com um copo de whisky que Lylah havia preparado para ele. - Você parece ser uma pessoa muito boa, Lylah.
Depois de toda a dança sensual, os dois homens pediram uma música suave. Agora, eles estavam sentados nas poltronas e a dançarina sentada na beira do palco. Eles a olhavam com interesse. Ela era linda.
- O que acha de ajudarmos você? - Perguntou Simon, fumando um de seus charutos favoritos. - Podemos te ajudar pagando alguma coisa. Você tem talento para a dança, mas parte meu coração ver alguém fazer isso tudo por estudos.
Lylah ergueu a sobrancelha.
- Me ajudar? Os senhores m*l me conhecem. Além do mais, eu sei que ninguém faz nada de graça por ninguém. - Rindo, ela se levantou e subiu no palco. Ela segurou o ferro do pole dance, girando o corpo nele. - Eu gosto do que faço. Ou será que não estou fazendo direito? - Lylah parou na frente deles, os braços erguidos, se agarrando ao pole dance. - Natália me disse eu tenho que agradá-los. Não é?
Os dois a olharam da cabeça aos pés. Tudo se encaixava tão bem nela, a lingerie, o salto, a meia... Aquela mulher era um sonho para eles.
- Mas é claro que precisa nos agradar, aliás, a partir de hoje, você pertencerá apenas a mim e a Simon, nenhum outro homem mais poderá tocar em você ou mesmo te olhar. - Falou Dylan, bebendo mais um pouco do whisky. - Mas isso não quer dizer que não possamos ajudar uma pessoa. Fizemos muito isso e com você não poderia ser diferente. - Ele falou. Logo, chamou ela para se sentar em seu colo. - Vem aqui.
Dizendo a si mesmo que seu coração não estava disparado, Lylah saiu do palco e caminhou até onde Dylan estava sentado. Conhecia bem os relatórios sobre aqueles dois homens. Só que uma coisa era ler e outra bem diferente era viver. Lylah sentou sobre as coxas de Dylan.
- O que significa pertencer aos senhores? - Perguntou, confusa. Tentou parecer relaxada, mas sua coluna estava tensa. - Meu emprego é dançar para quem pagar mais.
E ele a olhou, sério, o ciúmes começando a tomar conta do seu corpo.
- Aqui quem manda somos nós e você nos obedecerá apenas. - Disse ele, suave. Sua mão passando pela coxa de Lylah. - Espero que tenha entendido.
***
Dias atuais
- Eu queria não ter sentido o que eu senti. - Lyla continuava narrando seu primeiro contato com os homens os quais entregou para a prisão. - Dylan me tocou e meu corpo me traiu. Foi mais do que escolher ser dele e de Simon. - Ela olhou a irmã, bem nos olhos. - Meu corpo reconheceu que eu pertencia aos dois. Você sabe como é isso, não é?
Dominick olhou para ela, em seus olhos já havia uma resposta. Seu coração acelerou ao lembrar daquele dia.
Sim, ela sabia muito bem como era aquele sentimento.
***
Flashback
Roman estava impressionado com a nova dançarina, Dominick Michaels. A morena de cabelos cumprido e pele bronzeada andava pelo seu escritório na Mansão dos Desejos como se fosse a dona do lugar. Depois da dança envolvente no quarto dos tecidos, Roman queria aproveitar a companhia de Dominick. Queria saber mais sobre ela, seus gostos, suas preferências. Ele estava sentado em sua cadeira alta, a frente de sua mesa de trabalho e Dominick lhe trouxe seu whisky.
Roman olhou para o copo e depois para ela.
- Como sabia que eu tomava duplo com gelo? - Perguntou, um pouco surpreso.
Dominick apenas sorriu.
- Eu tenho que saber com quem estou trabalhando, senhor Reigns. - Falou ela, firme e sentando na cadeira a frente dele, cruzando as pernas. - Eu sei que odeia se irritar por qualquer coisa e uma das coisas que Natália nos disse era para não enchê-lo de perguntas. Mas é impossível não perguntar algo quando se tem o senhor me olhando como se fosse me devorar. - Completou, meio ousada.
Roman bebeu um gole do whisky, sem tirar os olhos da mulher.
- Eu vou te devorar, Dominick. - Ele sorriu. - Você me atraiu de uma forma muito incomum. Normalmente, não ligo muito para as dançarinas que Natália contrata, mas você... - Roman deu uma pausa, a língua passando pelos lábios. - Você é diferente. Venha aqui. Quero que sente no meu colo.
Dominick não pensou muito. A primeira etapa da missão estava quase concluída: conseguir a confiança de Roman.
Devagar, ela se levantou e foi até ele. Com as mãos macias e grandes, ele a acompanhou até sentar em sua coxa malhada. Os braços de Dominick enlaçaram o pescoço de Roman.
- E o que mais posso fazer pelo senhor?
- Ah, minha doce Dominick... Você pode fazer muitas coisas por mim. - Roman segurou com força as coxas dela e, sem dizer mais nada, a beijou como se estivesse esfomeado por seu desejo
***
Dias atuais
O barulho da pistola de tatuagem trouxe Roman de volta ao presente. Seu braço estava ardendo por todos os lados e ia coçar como inferno pelo resto da noite, mas ele queria o trabalho concluído. Dylan era um artista quando tinha nas mãos a ferramenta certa e Roman confiava no amigo para deixar ele marcar seu corpo como a inspiração dele quisesse.
A tribal era um emaranhado de linhas e espinhos que começavam do ombro direito e iam até o pulso.
- Pestock já achou elas? - Roman perguntou, olhando para Simon que mexia no celular.
Este continuava a mexer no celular, vendo o que eles perderam durante muito tempo.
- Ele ainda não encontrou, apenas disse para termos um pouco mais de paciência. - Simon deixou o celular de lado e olhou para Roman, enquanto Dylan continuava a fazer a tatuagem, bem concentrado. - Eu já soube que elas estão em outro lugar, Anthony as levou como testemunhas e agora, Pestock está procurando qual é esse maldito endereço. Eu não vejo a hora de colocar as mãos na Lylah.
Roman riu baixo, tentando não mexer o braço.
- Também não vejo a hora de ter Dominick em minhas mãos. Ela vai sofrer tanto, vou ter ela de joelhos me implorando por perdão. - Ele olhou para Dylan, ainda concentrado na tatuagem. Roman sabia que dos três, a traição pesou mais para o loiro. Foi Dylan quem mais enlouqueceu preso. - Você está bem com isso, Ambrose? Não vai torcer o pescoço da ruiva assim que pôr os olhos nela, vai?
Ao ser perguntado por aquilo, Dylan parou e desligou a maquininha. Seus olhos azuis levantaram para Roman. Esse tempo todo, ele só tinha pensamentos em cima de Lylah, do quanto ela o fez sofrer, do quanto ele realmente quase enlouqueceu.
- Prometo não tentar fazer isso, eu e Simon temos planos para que ela pague. - Ele voltou a se concentrar na tatuagem. - Mas não se preocupe. Ela não vai morrer.
Roman arqueou a sobrancelha e fitou Simon, mas o moreno nem lhe deu atenção. Não que ele não confiasse na palavra de Dylan, mas se alguém podia lhe manter na linha, com certeza era Simon. A relação dos dois era tão simbiotica, que Roman m*l conseguia imaginar um vivendo sem o outro. Fora uma sorte que ficaram na mesma cela no presídio. Se Dylan ainda estava são, foi muito por isso.
- Ótimo. Agora é só esperar que Pestock mande a informação e, então, vamos atrás delas.
Dito isso, o celular de Simon tocou. Era Pestock. Ao atender, os dois trocaram algumas palavras e de repente, os olhos castanhos de Simon brilharam e olhou para os dois homens.
- Ok, cara... Eu vou dizer isso a eles. Valeu!! - Assim que desligou, ele gargalhou baixo. - Baron ligou e disse que achou um possível endereço das duas. Ah meus amigos, tudo está ficando cada vez melhor para nós três.
***
As semanas foram se passando e a cada dia, a tensão aumentava dentro da casa em que as irmãs moravam. Elas não podiam sair, não podiam trabalhar, tinham que ficar o dia todo dentro daquele lugar. Nem os jogos, nem o livro, muito menos os diários dos três homens, nada tiravam as duas do tédio de viver vinte e quatro horas dentro daquela casa.
Anthony ia pelo menos três vezes por dia lá ver como estavam e em todas as vezes, elas brigavam com ele.
- Já estamos cansadas. - Falou Dominick, brava. - Não podemos sair, não podemos trabalhar... Se eles realmente quisessem nos pegar, já teriam vindo.
Anthony limpava as lentes do óculos com um lenço de pano. Ele sabia bem quais eram as queixas de ambas as mulheres, mas não havia o que fazer.
-Eu sinto muito, de verdade. Eu tenho todos os policiais possíveis na rua, tirei outros das férias. Todo mundo do departamento está focado em achar esses infelizes.
- E por que não, nós duas? - Lylah rebateu, de braços cruzados. - Somos tenentes. Suas melhores Tenentes e não ouse dizer ao contrário, Anthony. Nick e eu podemos ajudar muito mais nas ruas do que nessa droga de casa.
O homem respirou fundo.
- Eu sei, eu sei disso e é este o motivo de eu não colocá-la nesse caso. Eu sei o quanto foi difícil para vocês depois da prisão deles, mas... Eu preciso proteger vocês...
-Ou você está com medo de que eu e Lylah acabemos nos envolvendo novamente com eles. - Cortou-o Dominick, cruzando os braços. O homem não respondeu e ela riu. - Nós demos duro para aquela missão, fizemos de tudo e hoje estamos em um patamar bem maior para sentir medo de três bandidos com a qual já lidamos. E se for preciso colocar na sua mente que não nos envolvemos com eles, é o que faremos. - E ela se virou para a sua irmã. - Vou pedir uma pizza para nós. Merecemos, não acha?
- Ah por favor! Com muito queijo e muito ketchup. - Lylah concordou.
Já Anthony...
- Estão loucas? - Ele perguntou, agitando os braços. - Vocês não devem usar o telefone e tampouco chamar um desconhecido para essa casa. Isso vai contra todos os protocolos e...
Lylah se jogou no sofá, como se não se importasse com nada.
- Que se dane os protocolos. Eu só quero a p***a de uma pizza e maratonar alguma coisa na TV.
Anthony respirou fundo, passando a mão no rosto, cansado.
- Olha meninas, eu sei o quanto tudo isso está sendo difícil para vocês, mas eu juro que tudo isso vai valer muito a pena depois. É impossível que nós não os peguemos até o final de semana.
Dominick surgiu novamente onde estavam, desligando o celular.
- Você tem dito isso para nós nas últimas duas semanas, Anthony e até agora nada. Eu e Lylah até revisamos esse caso, lemos várias vezes os diários deles, mas nada. Estamos cansadas demais com tudo. Queremos ajudar, mas ser mantidas aqui não vai colocar eles na cadeia.
Lylah estava com o controle da TV na mão e zapeava os canais, tentando procurar algo para assistir.
- Por isso, senta aí, espera a pizza chegar e, se quiser, tem cerveja na geladeira. - Ela concluiu.
Anthony era voto vencido, não importava o quanto ele tentasse ou discutisse, as irmãs Michaels não eram mais as novatas que ele acolheu sob as asas.
Meia hora depois, a campainha tocou e Lylah saltou do sofá para atender a porta. Anthony sacou a arma e partiu na frente, abrindo-a e partindo para cima do entregador.
- Cadê sua identidade? Cadê?
O entregador ficou sem reação com o que estava acontecendo. Dominick se levantou e foi até a porta.
- Anthony, pelo amor de Deus. - Ela levou a mão até o braço dele e abaixou. - É só um entregador, deixa ele trabalhar. - E olhou para ele. - Desculpe, ele não está em um dia muito bom. Eu vou tentar acalmá-lo.
O entregador sorriu.
- Não precisa se preocupar, moça. Aqui está sua pizza.
Lylah pegou e entregou o dinheiro ao homem, que olhou por todo o lugar, parecendo curioso. Anthony percebeu aquilo, mas ao olhar o rosto do homem, algo veio à sua mente.
- Espera, eu já vi você em algum lugar... - Disse ele, de cenho franzido e bem pensativo.
O homem abaixou o boné, tentando disfarçar.
- Ahn, eu já devo ter entregue algo na sua casa, senhor. - Ele pegou o dinheiro de Lylah e sorriu, piscando para ela. - Bom apetite, moça. - E saiu, sorrindo.
Lylah colocou a caixa sobre a mesinha de centro da sala, abriu e pegou uma fatia.
- Anthony, o que um pobre entregador de pizza ia fazer? Jogar queijo na sua cabeça? - Ela e Dominick riram. - Vem, pega um pedaço.
Anthony ainda olhou pela janela, procurando o entregador, mas ele já tinha sumido de vista. Talvez, ele estivesse nervoso demais. Um pedaço de pizza não faria m*l a ninguém.
***
Foi quase. Por mais um segundo e talvez o disfarce dele iria ser descoberto pelo secretário de segurança. Baron só queria sair correndo dali o mais rápido possível para que ninguém o parasse mais.
Quando chegou em um ponto onde tinha certeza de que não seria seguido, pegou o celular e chamou o único número salvo ali. Demorou um pouco,mas a voz do outro lado parecia esperar por ele.
- Irmão, está tudo confirmado. Seus alvos estão mesmo no endereço que enviei. Bom, a partir daqui, eu cumpri com o meu papel e agora é com vocês.
E assim, desligou. Agora, ele iria aproveitar suas tão sonhadas férias no Caribe em paz.
***