P. O. V. A. U. G. U. S. T. O.
[... — Acho que precisamos conversar — Concordo...]
Estou parado na entrada da porta e ela se volta para olhar o céu, a noite estava agradável e trazia uma tranquilidade que eu não encontrava dentro de mim.
Esperei tanto tempo para estar novamente de frente com ela e dizer toda a verdade, mas agora não consigo nem sair do lugar.
— Então? — Ela fala ainda de costas para mim.
Me obrigo a se movimentar e paro ao seu lado.
— O que eu perdi? — Pergunto ela olha para mim sem entender. — Parece que todos mudaram, muita coisa aconteceu. — Tento explicar.
— Você ficou três anos fora, achou que voltaria e todos estariam iguais? — Dou de ombros e ela dá risada, porém uma risada fria.
— Poderia me contar como descobriu que o Sr. Scooter é seu pai? — Ela concorda com a cabeça.
— Eu e Diogo resolvemos tentar descobrir quem era, porque como nossa mãe já não estava entre a gente pelo menos uma parte da nossa família queríamos saber da onde vinha....
— Ele sabia que vocês eram filhos dele? — Pergunto e ela n**a com a cabeça.
— Nem fazia ideia, quando contratamos um detetive particular e ele o encontrou foi um choque para os três óbvio. — Ela fala meio que se lembrando da cena. — Foi até que engraçado a cara do Diogo meio assustado sem acreditar.
– Agora ele está tentando recuperar o tempo né? — Pergunto.
— Ah sim, ele adora os meninos e agora vai ser avô de novo ele está bastante animado, Diogo foi um pouco cabeça dura no começo mas agora nem se fala.— Concordo com a cabeça.
— Nem dá pra acreditar que o Diogo vai ser pai e de um sobrinho meu. — Falo e ela ri.
— Realmente demorou pra isso acontecer, mas Millena e Diogo se merecem. — Ela responde.
— Sim, sempre soube que os dois ficariam mas não sabia que seria tão sério assim, mas e o Matheus ele nem veio no jantar, aconteceu algo com ele?
— Ah Matheus é tipo um caso indefinido, ele se fechou de um jeito que ninguém sabe dizer, agora ele é assim não vem, não fala, não demonstra.
— Ele não era assim, sempre foi alguém muito alegre, brincalhão. — Falo vendo a diferença do meu irmão.
— As pessoas mudam Augusto e a gente não pode fazer nada.
A conversa acaba ali e ficamos olhando para a lua, eu queria muito conversar com ela como a gente fazia antigamente mas ela sempre dava respostas curtas.
— E os meninos? — Ela me olha e seu olhar muda de repente.
— O que quer saber? — Ela pergunta.
— Tudo que eu puder, desde que nasceram, até comida preferida, brincadeira, até mesmo a cor favorita deles, eu realmente quero ser o pai deles. — Ela parece pensar.
— Bem, eles tem 3 anos como você já deve ter calculado são crianças muito espertas sem dúvidas, Lorennzo é o mais estrassadinho com a pouca idade dele já fui muitas vezes chamada na escolinha, já Pietro é calmo até demais sempre está no meio das atrapalhadas do irmão. — Ela fala sorrindo.
Pela primeira vez desde que eu voltei eu vi seu sorriso sincero que muitas vezes era direcionado a mim e eu nunca tinha dado o valor necessário.
— Verdadeiros Montenegros. — Falo sorrindo e ela concorda. — E você? — Pergunto.
— Eu? — Ela pergunta sem entender.
— Sim você, como está? —Ela pisca algumas vezes abre a boca diversas vezes porém nada sai.
— Eu não sei. — Por fim ela responde. — Depois de tudo que aconteceu, tudo que eu descobri eu já não sei o que senti.
— Eu sei que fiz muita m***a, que te deixei quando mais precisou mas eu preciso que você entenda... — Começo a falar.
— Não Augusto por favor, eu não preciso mais das suas desculpas eu esperei muito por isso e me destruiu por completo, então entendi que não preciso disso.
— Mas eu quero... —Tento novamente e ela me corta.
— Não, eu acho que nossa conversa acabou aqui obrigada. — Ela sai sem que eu posso falar nada.
— d***a, será que eu perdi ela?