Pré - programado para Amar

2420 Palavras
Escovei os dentes e deitei na cama. O Neo ficou em pé esperando um comando. _ Vem para a cama comigo Neo _ chamei. Ele obedeceu me abraçou e eu nos cobri. A ponta do seu nariz subiu pelo meu pescoço chegando a lateral do meu rosto. Passava das duas da da madrugada. Dormi tão bem naquela noite. Manhã de sábado. Acordei vendo que o Neo dormia, estava sonhando dava para ver pela REM. Tentei levantar de vagar, mas ele abriu os olhos e piscou. _ Bom dia Mina. _ Bom dia, Neo _ sorri. Fui até o armário e escolhi uma roupa para o Neo e os sapatos coloquei sobre a cama e vesti um jeans com blusinha e tenis. Neo era mais habilidoso do que eu. Preparamos o café da manhã juntos e eu levei ele para dar uma volta no Parque do Ibirapuera. Aluguei bicicletas e demos voltas pelo parque até eu cansar de fazer isso. Era umas dez da manhã quando devolvemos as bicicletas e seguimos abraçados para um banco entre as árvores. _ Bom dia Mina! _ uma vizinha se aproximou. _ Bom dia, Magg. _ Nossa, que saúde! _ seus olhos se perderam no Neo. _ Sou o namorado da Mina. Meu nome é Neo _ estendeu a mão que a Magg apertou. A Megg caiu nessa de namorado. Os mechas não eram muito populares. Só a nata da.sociedade tinha acesso às propagandas e catálogos. A visita as lojas eram agendadas. Eu mesma só esbarrei na novidade por conta de um trabalho de marketing que eu fiz para a empresa. Mas o que mais me impressionou foi o modo como o Neo foi convincente. Rolou um olhar apaixonado para mim e tudo mais. _ Muito prazer, Neo. Seja sempre bem vindo. _ Muito obrigado Megg. O prazer foi todo meu. Continuamos o nosso caminho chegando no banco onde eu sentei. O Neo me imitou estendendo os braços pelo encosto do banco e me abraçando consequentemente. _ Namorado? _ apontei apoiando o rosto na mão. _ Achei que fosse apropriado, mas se preferir eu posso... _ Namorado está ótimo, Neo. Mas como você pensou nisto tão rápido? _ Não foi rápido. Foi a primeira palavra que veio na mente ao te ver pela primeira vez. _ Enquanto eu babava no sofá! _ Enquanto você me olhava ainda dentro da caixa. Fiquei surpresa sobre isso. O pessoal que projetou esse boneco fez mesmo um ótimo trabalho. Mas até um ótimo trabalho tem um lado fraco _ Me diz o você mais gosta em mim _ provoquei para ver o quão bom aquele boneco poderia ser. _ Gosto de te ver mordendo o lábio inferior. Tanto faz se é por desejo ou insegurança, é sempre lindo ver isso. Levei um segundo atônita assimilando a informação, e outro constatando que eles eram realmente muito bons e realmente fizeram um ótimo trabalho. Continuou _ O que você mais gosta em mim? _ me pegou de surpresa, estava muito atento em seu olhar sobre mim e esperava uma resposta. Ponderei se havia algo que sobressaía entre as suas qualidades _ A sua preocupação com o meu bem estar me agrada mais, com certeza. Gargalhou _ Isso é porque eu te amo, Mina. Frases feitas, Mina. Disse à mim mesma. São somente frases feitas da sua programação bem feita. Sorri sem lhe dar crédito. Fechou o sorriso ficando sério por um segundo e voltou a sorrir, mas foi um sorriso diferente. Senti que o robô queria ouvir um eu também te amo. No caminho de volta para casa precisamos atravessar muitos faróis e em um deles não havia sinalização e devo ter atravessado sem olhar, pois de repente, o carro estava amassado contra o corpo do mecha que havia segurado o carro com um empurrão como se fosse o incrível huk. O carro estava amassado, mas o Neo sangrava e estava com uma fratura exposta e um ematoma no abdômen. O motorista muito condoido pediu mil desculpas e eu pedi que ele me deixasse no hospital conveniado da empresa que criou o mecha. Na sala de espera, conheci uma mecha que esperava o seu dono. Ele conversava com o médico após a sua consulta, segundo o relato da própria mecha. Ao que me pareceu ao ver a boneca se recuperar, ela havia sido espancada e cicatrizava os seus pontos diante dos meus olhos. _ Mas eu sei que ele me ama, e que vamos ficar bem de agora em diante. Eu o amo mais que tudo _ disse a mecha antes de um homem furioso saísse da sala e gritasse um vamos para a mecha assustada e submissa que obedeceu em uma corridinha e o acompanhou. Fiquei chocada com tudo nesta situação. Logo fui chamada para a sala onde o Neo estava. Entrei no consultório vendo o Neo com uma faixa na fratura e outra no abdômen. Sorriu quando olhei para ele. _ Ele estará melhor em duas horas srta Pin _ disse a médica _ Não se preocupe que a anestesia vai durar até lá. O Neo não irá sentir mais dor. _ Sentir dor? _ me desesperei por ter esquecido que ele sentia dor. No caminho até o hospital o Neo estava tão tranquilo que eu esqueci _ Meu Deus! Neo, doeu muito? _ Não foi nada comparada a dor que eu sentiria se o carro tivesse atingido você. Fiquei sem reação repetindo para mim mesma que eram só frases feitas. _ Eles são adoráveis, não são? _ a médica interrompeu os meus pensamentos _ Os mecha se apegam ao dono de uma forma tão bonita. Pena que alguns não entendem esse amor e tentam se livrar dos seus mechas. _ Os mechas se apegam? _ Sim. Eles são programados para amar o seu dono acima de si mesmos. Por Isso o Neo não hesitou em se lançar contra o carro. Não dá para se livrar de tanto amor, e os mechas ainda possuem uma tecnologia auto-restauradora com nano-robos em sua estrutura. Isso prolonga a sua vida útil por tempo indeterminado. Há a possibilidade de duararem mais que a vida dos seus donos o que deve ser terrível para o mecha. A manutenção é só para garantir que tudo se cole direito, para manter a integridade do produto. Olhei para o Neo, me culpando por não ter dito o que ele queria ouvir, quando me declarou o seu amor. O abracei enquanto ainda estava sem camisa e sentado na cama _ Obrigada Neo. Me beijou _ Disponha, Mina. Me afastei sem jeito porque aquilo soou romântico e lhe entreguei a sua camisa que ele vestiu. _ Devo ter algum cuidado especial com ele? _ Por causa da fratura ou no geral? _ Tudo. _ Só o que diz no manual. _ Banhos de sol diário? _ Sim. Isso... e saiba que ele vai aprendendo com você. Suas preferências são guardadas na memória dele. _ O Neo tem memórias?! _ Sim, ele tem Inteligência Artificial. Vai assimilando e descartando as informações conforme a sua importância. É como o cérebro humano. _ Eu o vi sonhando está manhã. _ Ele é como um ser humano, Srta Pin. Um humano só seu, sob medida. Se eu fosse você me deixaria ser amada por ele. Fiquei corada diante destas palavras. Me senti como um livro aberto. Depois de cumprimentá-la e sair do consultório, com o Neo atrás de mim. Peguei o meu celular e pedi um táxi. Iria demorar uns minutos e eu estava com fome. Comprei uma água na máquina ali ao lado e bebi um pouco. _ Vamos esperar o táxi na saída, Neo _ informei. Seguiu ao meu lado para o elevador e depois para a saída. Bebi mais água sentada no banco externo ao prédio com o Neo ao meu lado. _ Obrigada por cuidar de mim, Marina _ quebrou o silêncio. _ Não me chama assim _ olhei em seus olhos brevemente, constrangida com o que ele sentia por mim e confusa demais para entender com o que exatamente eu estava confusa. _ Desculpa. Mina. _ Não foi nada Neo. Você cuida de mim e eu cuido de você, está bem? _ falei por falar. Sorriu _ Isso é perfeito para mim. O táxi chegou e entramos. O taxista começou a conversar e o Neo embarcou na conversa animado. Falaram de tudo e brincaram um pouco. Foi divertido ver o Neo assim. Era incrível como ele tinha resposta para tudo em um entrosamento perfeito. Chegamos em casa e eu corri para a geladeira pegando um iogurte com frutas e sentei na mesa fora da ilha cozinha, na sala de jantar, para comer. Já o Neo se pôs a cozinhar e cortar vegetais. Quando terminei de comer o meu copinho o Neo pôs a mesa do almoço e sentou a mesa comigo. Sorri feliz e ele retribuiu. Depois de almoçar, tomei um café na sala envolvida no abraço do Neo. Assistimos alguns episódios de um seriado. O Neo acariciava a minha barriga sustentando o meu corpo apoiado no seu peito. _ Como você se sente? _ olhei no seu rosto. _ Acho que já cicatrizou _ moveu o braço enfaixado olhando. Sentei de frente para ele com as pernas entrelaçadas e comecei a desenfaixar o seu braço. Estava como se nada tivesse acontecido. Tirei a sua camisa pondo de lado e deslizei as mãos ao redor do curativo nas suas costelas esquerdas. A mão do Neo pousou sobre a minha aos mesmo tempo que ele suspirou alto com um arrepio. Beijei os seus lábios, como uma promessa de que lhe daria amor, sendo retribuída com um beijo ardente. Terminei de tirar o curativo e beijei o lugar antes ferido para me proteger. O Neo deitou deixando que eu o beijasse. Sua respiração estava alterada. Um braço embaixo da cabeça e outro sobre as minhas costas. Tirou a minha calça e calcinha, quando eu fiquei em pé no sofá com ele entre os meus pés, jogou na mesa de centro e retirou a minha blusinha e me puxou para o seu colo tirando o meu sutiã. Deslizou as mãos pela minha pele nua, me fazendo suspirar e me deu muitos beijos dentro dos seus carinhos até me deixar muito ofegante. Desbotoei a sua calça e abri o zíper descobrindo o seu m****o que saltou mais do que pronto. suas grandes mãos envolveram os meus quadris e me fizeram sentar no seu m****o que me penetrou inteiro de vagar. Eu respirava pela boca, carente de ar. Gemi jogando levemente o corpo para trás. Neo beijou o meu b***o deixando escapar um gemido. _ Eu te amo Neo _ falei durante o orgasmo. O Neo sorriu, estava tão feliz que acompanhou o meu prazer, mesmo que eu não tivesse dito para ele fazê-lo. Isso me agradou muito. Seguiu o tempo. Haviam passado semanas. Nesta noite eu teria uma festa obrigatória no trabalho e iria levar o Neo como meu acompanhante. A festa aconteceria num hotel de luxo e pessoas de grande prestígio dentro da empresa estariam lá. Eu não queria impressionar, mas não queria fazer feio. _ Como eu estou? _ disse o lindo mecha perfeitamente alinhado dentro do fraque que lhe caía perfeitamente. _ Um sonho _ passei a mão pelo peitoral admirando. _ Digno de você? _ nos olhou lado a lado no espelho. _ Melhor, mas vão pensar que você está comigo por dinheiro, é a justificativa perfeita. Me olhou confuso, mas eu somente sorri. Chegamos na festa chiquérrima onde as esposas dos meus principais chefes nós receberam com olhos gulosos sobre o meu acompanhante. Me arrependi de ter trazido o Neo. Se eu não me arriscasse em dividir o meu brinquedo com elas, perderia o meu emprego. Fiz a média apresentando o meu "noivo". Mudei o estatus do Neo por motivo de força maior. Já havia falado com todos, quando o Neo me pegou pela mão e me levou para um lugar mais reservado. Olhei ao redor brevemente antes que ele me beijasse explorando o meu corpo. Foi bom e eu deixei rolar os amassos, mas me afastei antes disso esquentar mais. _ Mina, fica _ pediu. _ Em casa fazemos bem melhor, amor _ falei quente antes de um beijo _ Seja bom comigo e volte para festa. Não posso ser pega nesta situação numa festa da empresa. Preciso do meu emprego. _ Mas me disseram que você deve gostar muito de sexo, para ser tão gostosa. _ Isso foi rude e machista. Quem disse isso? _ Edward Folk. Edward Folk era o mais desprezível homem da face da terra. Ele tinha uma boa aparência, e por isso, tinha sempre uma nova conquista, mas o caráter dele deixava muito a desejar. Vivia me enviando mensagens românticas pelo sistema de mensagens da empresa. Como sempre o ignorei usou o Neo para me alfinetar. _ Não siga os conselhos de ninguém, Neo. A não ser os meus. Volta para a festa e me faz companhia. Voltei para a festa acompanhada do Neo. O olhar do Folk não saía de nós. O que ele pretendia afinal? Depois do discurso me considerei livre e saí da festa com o meu acompanhante que foi o mais belo da festa. No estacionamento, o Edward nos abordou, parecia cena de filme. Caminhou até nós no seu belo fraque azul que combinava com os seus olhos. Parou diante de mim com uma expressão sarcástica. _ Vai se casar com este bonitinho? _ seu tou era de cobrança. _ Isso não lhe diz respeito, Folk. _ Diz para mim se ele te satisfaz. _ Sim _ fiquei satisfeita em ser sincera. _ Sem essa! _ duvidou _ Ele é muito jovem. _ Não podia ser mais perfeito, não é? Volta para as suas peguetes Folk. Ficou bravo e sem palavras, mas não podia deixar barato e por isso me beijou tirando o meu fôlego. Me deu um olhar vitorioso e saiu. Nojo foi a minha reação ao me tocar do que tinha acontecido, mas só vi as costas do Edward já distante. O olhar do Neo estava triste e confuso sobre o meu. _ Está tudo bem, Neo _ tranquilizei querendo por um fim no assunto _ Vamos para casa. Mas o Neo não me obedeceu. Foi até o Edward segurando pelo ombro e quando ele se virou deu um murro nele. Fiquei assustada a princípio, mas percebi que, apesar de estar com raiva, o Neo controlou sua força e só quebrou o nariz do babaca.
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