O olhar lacrimejantes pela dor naquele lugar tão sensível, passou envergonhado por mim e pousou furioso no Neo. Edward tentou acertar o rapaz que se esquivou sem dificuldade alguma. Cansado de tentar acertar o Neo, Edward desistiu com um aceno de mão e seguiu para longe de nós, com o seu lenço limpando o nariz ensanguentado.
Sorri para o Neo que voltava para mim, perto do carro. Não acreditava no que tinha acabado de acontecer.
_ Ele não vai mais te encher _ me beijou segurando minha cintura e piscou, depois entrou no carro fechando a porta.
O imitei. Me sentia protegida. Era umas onze da noite quando saímos da festa. Dirigi até a praia, parei na areia e desci sentando sobre o capô. Sem entender, o Neo saiu do carro me olhando contemplar o mar e também o olhou. Depois de uns segundos subiu no capô ao meu lado e sem me olhar.
_ Isso é o mar? _ falou.
_ É sim.
_ É realmente imenso.
_ É.
Era um costume vir a praia quando sentia saudades da minha família. Hoje era um pouco diferente. Eu havia vindo aqui para me despedir destas saudades. Não me sentia mais sozinha porquê tinha o Neo. Me sentia protegida e amada por ele. Havia conseguido mais do que um amante. Eu tinha uma família novamente.
_ Eu te amo de verdade, Neo _ falei olhando para o mar ainda.
Sentia que mudava, que nunca mais seria a mesma de antes do Neo, ao mesmo tempo que sabia que isso era o melhor que poderia me acontecer.
Os olhos claros me fitavam com o corpo inteiro em suspense. Parecia saber que agora a minha declaração era séria e antes não fora. Voltei o rosto em sua direção a dei um sorriso tímido para o seu rosto sério. O seu olhar veio para a minha boca e depois ele a beijou me abraçando.
_ Eu te amo _ disse como se ele fosse humano e a minha declaração o trouxesse de volta o ar depois de uma longa espera, me beijou de novo eufórico e distribuiu beijos pelo meu rosto. Depois me olhou com um sorriso e me deu um beijo quente de sentimentos. Beijou a minha testa e me manteve em seu abraço por um tempo.
Ao voltar para o apartamento nos amamos muito. Com calma e cumplicidade.
Manhã de quarta-feira. Levantei recebendo o meu café da manhã das mãos do Neo. Sentei na sala de jantar assistindo o noticiário da manhã.
Uma morte era noticiada. Um assassinato. Reconheci o homem assassinado, era o cretino que espancava a sua mecha. Segundo o noticiário, a namorada o havia matado. Mas eu sabia que ela não era namorada dele.
Olhei para o Neo que lavava a louça e me deu um sorriso gentil. Não parecia ser capaz de um assassinato, mas a dúvida me corroìa. O telefone tocou me assustando. Atendi com a voz alterada pelo susto.
_ Olá srta Pin. Aqui é a Ester. Fui eu quem te vendeu o mecha.
_ Sim.
_ Detectamos um defeito grave no lote do seu mecha, precisamos que a senhorita o entregue.
_ Quer que eu te devolva! Mas eu paguei por ele.
_ Devolveremos o dinheiro corrigido. Não se preocupe.
_ Não é esse o problema, Ester.
_ Por favor, srta Pin. Assistiu o noticiário?
_ Estou vendo neste momento.
_ A assassina é um robô do mesmo lote do seu mecha. É questão de vida ou morte. Srta Pin, a sua vida está em perigo.
_ Preciso trabalhar agora. Aonde eu devo leva-lo?
_ No hospital conveniado mais próximo.
_ O que vão fazer com os mechas?
_ Serão destruídos. Não dá para aproveitar a nanotecnologia defeituosa é como um DNA com defeito.
_ Irei amanha _ desliguei.
Olhei para o Neo e para o café da manhã intocado. O noticiário continuava dizendo que a moça estava foragida.
_ Você vai se atrasar para o trabalho _ o sorriso do Neo me trouxe para a decisão final.
_ Vamos viajar, Neo.
Parou me fitando por um segundo _ Não tem trabalho hoje?
_ Claro que tenho. Se chama Neo. Vamos para as cidades não monitoradas.
_ Estamos fugindo?
_ Como advinhou?
_ Eu sei que eu pareço ingênuo por não ver o mundo como você, mas eu vi o noticiário e ouvi a sua coversa no telefone por que minha audição é melhor que a sua e totalmente ajustável. Eu posso estar com defeito. Me entrega para a destruição, Mina. É melhor do que correr o risco de que eu te machuque.
_ Querido, você nunca vai me machucar _ soei óbvia _ Se aquela mecha matou o i****a que a espancava, foi justo. Mas acho que aquele babaca tinha mais inimigos do que podemos imaginar.
Caminhei para o quarto me vestindo para qualquer situação. Chequei as minhas contas online e transferi tudo para duas contas fantasmas que abri ha cinco anos, quando planejei sumir e recriar a minha vida.
O Neo se vestiu e encheu uma mochila com comida de emergência como chocolates, barras de cereais, e outras fontes de energia rápida, além de sucos e água. Peguei os meus documentos falsos do cofre e um celular descartável. Liguei para o meu falsario e encomendei documentos para o Neo. Mandei uma foto do Neo para ele, pelo celular.
Liguei para o trabalho dizendo que peguei sarampo e que ficaria vinte dias de licença. Peguei os documentos no metrô. De lá mesmo segui para o interior em conduções piratas irastreaveis. O boné do Neo o deixava tão lindo, que era impossível pensar nele como um fugitivo. A noite caiu e seguiríamos noite adentro, por isso, adormeci nos braços do mecha.
Chegamos ao interior do estado, bem perto da fronteira nacional. Alguns passos e estaríamos fora da jurisdição de qualquer poder deste país. Claro que eu não pretendia ficar ali por muito tempo. Iria para um país neutro como a Suíça ou um país grande como o Brasil.
Tomei café assistindo o noticiário matinal, enquanto o Neo lia um jornal que comprou na banca ali perto. A mecha ainda estava foragida. Comprei um novo celular já que o meu era rastreavel e ficou em casa. Registrei o novo a aparelho no meu novo no meu novo nome.
_ Não estou questionando nem nada, mas porquê você está fazendo isso tudo?
_ Porque não posso mais abrir mão de você.
_ Mas eu sou só um objeto totalmente substituível.
_ Está errado. Você é um humano sob medida, feito especialmente para mim.
Sorriu e voltou para a sua leitura.
Ele não era humano, mas de certa forma parecia que sim. Nos relacionavamos melhor do que muitos humanos. Olhei pela janela do quarto do único hotel daquele lugar esquecido por Deus. Vendo o Neo ajudando e conversando gentilmente com uma senhora que comprou mais do que podia carregar. Crianças, que jogavam bola no meio da rua de terra vermelha levantando poeira debaixo do Sol da tarde, deixaram a bola escapar na direção do Neo e sua nova amiga. Ele a chutou de volta e um garoto agradeceu.
_Quer jogar? _ um garoto que observava tudo convidou.
_ Fica para outro dia, mas obrigado _ respondeu sorrindo.
Depois de deixar a senhora em casa, o Neo voltou para o hotel com o meu shampoo favorito que eu pedi _ Fazendo amigos? _ peguei o frasco e indo para o banheiro.
_ Não custa nada ajudar. Além do que se você faz o bem induz os outros a fazerem o mesmo e o bem que fez volta para você.
_ Corre o risco das pessoas acharem que isto é a sua obrigação, sabia?
_ Não é bem assim. É só adaptação. Da próxima vez que a senhora me ver, ela saberá que pode contar comigo, e me pedirá ajuda. Isso faz parte da minha relação com ela.
_ Parece uma relação injusta.
_ Não é. Se eu fosse até a sua casa, ela me receberia, e poderíamos conversar sobre as suas experiências de vida. É muito mais do que eu fiz por ela, Mina.
Ponderava o seu ponto de vista quando avistei uma barata e soltei um grito estridente.
_ O que foi!?_ o Neo entrou no banheiro pronto para qualquer perigo.
Coloquei-me atrás dele o usando como escudo, e apontei para a barata em cima da tampa do vaso sanitário.
_ É uma barata. _ falou simples como se dissesse que o céu azul.
_ É um monstro, nojento e asqueroso. Mata!
_ Porquê?
Ele pegou a barata na mão observando e eu choramiguei _ Se não vai matar, pelo menos atira ela pela janela. BEM LONGE!
_ Não é tão r**m. Quer tocar? _ me ofereceu e eu corri de medo, para longe.
_ JOGA ELA FORA OU EU MESMA TE DESTRUO. EU JURO POR DEUS, NEO!
Ainda sem me entender, ele saiu do quarto com a barata. Me arrepiei de nojo e pavor dos pés a cabeça quando a porta fechou.
_ Vai tomar banho! _ ordenei quando ele voltou e ele obedeceu.
Choveu aquela noite. Deixou as ruas de terra enlameadas e com grandes poças. Mas a noite de amor sobre aquela torrente forte e constante foi...
Neo beijou o meu corpo inteiro, como se possuísse um mapa das minhas zonas erógenas, cada beijo era uma sensação, a mais, de prazer me acendendo mais a casa beijo. Meu corpo inteiro ardia de desejo por ele. No que aquele corpo trêmulo com batimentos acelerados me correspondiam muito bem.
Quando os seus lábios voltaram finalmente aos meus soltei um gemido de satisfação e ela sorriu. Continuamos com beijos intensos e longos. Sua mão deslizou por entre as minhas coxas separando-as e se encaixando entre elas, logo as mãos apertavam os meus quadris e coxas.
_ Diz que me ama como se eu fosse um humano.
_ Sim. Eu ja te disse.
_ É difícil crer nisso.
_ Não deveria duvidar de mim _ era um fato que a minha palavra devia ser a lei para o Neo. Na festa da empresa ele me desobedecer quando atacou o meu colega i****a e agora duvidava da minha palavra.
_ Talvez este seja o meu defeito. Pois sinto que te amo demais, que se algum dia outro aparecer e tomar o meu lugar no seu coração, eu morrerei.
Aquele jeito de colocar a situação era tão humana. Será que o defeito dos mechas era serem humanos demais? Lembrei das atitudes do Neo e era claro que ele estava tomando decisões próprias e tirando as suas próprias conclusões sobre a vida também.
_ Eu te amo mais do que amaria um humano porque você é e sempre será só meu em tudo.
Me tomou como sua, me amando.