Alguns dias depois...
**Matteo narrando**
Pego minha mochila, entro no carro da minha mãe, e ela me olha séria.
— O que foi, dona mia? — Ergo-me um pouco no banco e beijo seu rosto, fazendo-a suavizar um pouco a cara de brava.
— Comigo o beijinho não funciona, né? — minha irmã pergunta, batendo a porta enquanto minha mãe sai com o carro.
— Quem disse que funcionou? Eu mudei os horários da sua irmã para ela ficar algumas aulas com você, filho. Se comporte e respeite sua prima. Seu pai me contou tudo o que você disse a ela, e eu tenho certeza que já discutiram antes.
— Mas, mãe...
— Sem "mas". Pare de ser r**m com ela por acontecimentos do passado e da infância de vocês, ok? Era apenas um crush de infância.
— Mãe, ninguém mais fala "crush" — Morgana diz, mexendo no celular.
— E falam o quê? — ela pergunta, parando o carro em frente à escola.
— Tchau, mãe.
— Beijo, tchau, crianças. Amo vocês.
Entramos na escola, e antes de nos separarmos, Morgana me encara.
— O que foi? — pergunto.
— Não arruma confusão e procure-a para pedir desculpas, até o almoço.
— Você não precisa ser minha babá.
— Ganhei dinheiro para isso, não pense que gosto de ser sua babá.
Ela se vira e sai, enquanto eu ando até o armário da Lavínia, esperando por ela.
**[...]**
Quando quase bate o sinal, vejo ela entrando com o melhor amigo. Pelo menos eu acho que é, já que a chamou de "amorzinho" da última vez que nos vimos, no dia da briga.
Reparo melhor e estranho por ela estar de blusa de manga longa e gola alta. Seus cabelos tampam o rosto, e o cara leva sua mochila, apoiando-se como se sentisse dor ao andar.
Ando até ela, esquecendo todo o discurso de desculpas que preparei.
— Lavínia? — pergunto, e ela me olha sem expressão.
— Vamos, Brad, por favor — lego em sua mão, tentando fazê-la parar, mas ela faz cara de dor. Puxo a manga da blusa, me assustando com o enorme roxo, e ela puxa apressada.
— Me desculpa, eu só queria pedir desculpas. Eu errei e...
— Tudo bem, vamos seguir o que você falou no início, ok? Tchau, Matteo.
— Lavínia, eu... — ela para, me olhando, e suspiro sem saber o que falar. — Podemos ser amigos?
— Ok, eu preciso ir para a aula — ela diz, e o amigo dela me encara com ódio, mas seguem o caminho.
— Matteo, você é muito i****a — falo para mim mesmo, indo para minha sala.
**[...]**
Pego minha pizza no almoço e, quando vou me sentar com meus amigos, minha irmã me puxa para uma mesa vazia.
— Sem reclamação — ela diz, pegando meu suco e trocando pelo refrigerante dela.
— Qual é? O pai não precisa saber. Vai comer com suas amigas.
— Fala X — ela diz, tirando foto, e vejo que enviou para meu pai.
Fico olhando em volta e vejo a Lavínia com o amiguinho dela. Ele faz aviãozinho para ela, que n**a sorrindo. Ela mexe no cabelo e vejo rapidamente um machucado no canto de seu rosto.
Queria estar ali. Sinto-me culpado por ela estar assim, toda machucada. Preciso me redimir. Quem sabe, ir até lá ajuda em algo. Quero deixá-la animada, já que devo isso a ela.
— Eles não namoram. Já investiguei sobre.
— Está interessada nela? — pergunto, como quem não quer nada, mas estou totalmente interessado.
— Você está? — ela me olha, e desvio da pergunta, enchendo minha boca de pizza. — Já volto.
Ela diz, pegando um chocolate na bolsa e indo até a mesa deles. Ela a abraça de leve e entrega o chocolate para a Lavínia, que sorri.
Morgana beija a mão da Lavínia, colocando no rosto, e dá tchau para o Brad, saindo de lá e voltando sorrindo.
— KitKat?
— É o chocolate preferido dela, menino burrinho.
— Você que é hacker e fica sabendo de tudo.
— Sou hacker, mas também sei olhar e ouvir as coisas. Ela fala que ama esse chocolate desde pequena.
**[...]**
Jogo a mochila no chão e me jogo na cama, finalmente relaxando. Sentia-me com uma pulga falante andando ao lado da Morgana.
— Filho, podemos conversar? — meu pai entra no quarto.
— Fala, pai.
— Como foi? Pediu desculpas à sua prima? Eu fui esses dias lá, mas ela não estava em casa.
— Pedi desculpas, mas ela estava péssima, pai. Com vários machucados, e o amigo praticamente a carregava — ele fecha o semblante, me olhando sério.
— Você acha que sua tia bateu nela?
— Provavelmente. Lembra que, na hora em que saíram da escola, ela a machucou?
— Vou falar com ela. Se sua mãe perguntar, fui ao mercado — ele diz, correndo para fora. Fecho os olhos, tentando dormir.
Mas meus pensamentos estão a mil, pensando na Lavínia e como fui i****a. Se eu soubesse que ela passaria por isso, nunca teria brigado com ela. Quero me aproximar, protegê-la da própria mãe e da máfia.
Pego meu celular, procurando o número dela. Nunca mandei nada, mas está salvo. Penso e tento digitar várias coisas, mas apago, vendo que parece i****a.
— Oii, quer conversar?
— Quem é? — ela pergunta, e me apresso em responder para não ser bloqueado.
— Matteo.
Ela não responde nada.
— Queria te pedir desculpas mais uma vez. Você foi castigada por minha culpa.
— Tudo bem. Minha mãe diz que o que nos machuca nos deixa mais fortes.
Fico sem saber o que responder depois disso.
— Estou quase virando o Hulk.
Dou risada, deitando-me com o celular e pensando no que mandar.
— Então é fã da Marvel?
— Quem não é? Vai me falar que prefere a DC com o Super-Homem e a Mulher Maravilha?
— Mesmo a amando, prefiro a Marvel. Thor é mil vezes melhor.
— Ele é bonitinho e bom, mas fraco. Então prefiro o Loki.
Sorrio, já esperando isso.
— Se eu te convidar para ver um filme da Marvel, você me perdoa totalmente?
Ela demora para responder, e me levanto angustiado, andando de um lado para o outro. Jogo o celular na cama, tentando não ligar, mas quando a notificação apita, me jogo nela, pegando o celular desesperado.
— Pode ser.
— Domingo?
— Ok. Seu pai chegou aqui. — Digito algo, mas quando ela manda outra mensagem, apago. — Tenho que ir. Até mais, Matteo.
Sorrio, guardando o celular e me sentando na frente do computador, vendo o meu filme favorito para vermos. Ela tem que gostar.