Desculpas são o suficiente?

1117 Palavras
Alguns dias depois... **Matteo narrando** Pego minha mochila, entro no carro da minha mãe, e ela me olha séria. — O que foi, dona mia? — Ergo-me um pouco no banco e beijo seu rosto, fazendo-a suavizar um pouco a cara de brava. — Comigo o beijinho não funciona, né? — minha irmã pergunta, batendo a porta enquanto minha mãe sai com o carro. — Quem disse que funcionou? Eu mudei os horários da sua irmã para ela ficar algumas aulas com você, filho. Se comporte e respeite sua prima. Seu pai me contou tudo o que você disse a ela, e eu tenho certeza que já discutiram antes. — Mas, mãe... — Sem "mas". Pare de ser r**m com ela por acontecimentos do passado e da infância de vocês, ok? Era apenas um crush de infância. — Mãe, ninguém mais fala "crush" — Morgana diz, mexendo no celular. — E falam o quê? — ela pergunta, parando o carro em frente à escola. — Tchau, mãe. — Beijo, tchau, crianças. Amo vocês. Entramos na escola, e antes de nos separarmos, Morgana me encara. — O que foi? — pergunto. — Não arruma confusão e procure-a para pedir desculpas, até o almoço. — Você não precisa ser minha babá. — Ganhei dinheiro para isso, não pense que gosto de ser sua babá. Ela se vira e sai, enquanto eu ando até o armário da Lavínia, esperando por ela. **[...]** Quando quase bate o sinal, vejo ela entrando com o melhor amigo. Pelo menos eu acho que é, já que a chamou de "amorzinho" da última vez que nos vimos, no dia da briga. Reparo melhor e estranho por ela estar de blusa de manga longa e gola alta. Seus cabelos tampam o rosto, e o cara leva sua mochila, apoiando-se como se sentisse dor ao andar. Ando até ela, esquecendo todo o discurso de desculpas que preparei. — Lavínia? — pergunto, e ela me olha sem expressão. — Vamos, Brad, por favor — lego em sua mão, tentando fazê-la parar, mas ela faz cara de dor. Puxo a manga da blusa, me assustando com o enorme roxo, e ela puxa apressada. — Me desculpa, eu só queria pedir desculpas. Eu errei e... — Tudo bem, vamos seguir o que você falou no início, ok? Tchau, Matteo. — Lavínia, eu... — ela para, me olhando, e suspiro sem saber o que falar. — Podemos ser amigos? — Ok, eu preciso ir para a aula — ela diz, e o amigo dela me encara com ódio, mas seguem o caminho. — Matteo, você é muito i****a — falo para mim mesmo, indo para minha sala. **[...]** Pego minha pizza no almoço e, quando vou me sentar com meus amigos, minha irmã me puxa para uma mesa vazia. — Sem reclamação — ela diz, pegando meu suco e trocando pelo refrigerante dela. — Qual é? O pai não precisa saber. Vai comer com suas amigas. — Fala X — ela diz, tirando foto, e vejo que enviou para meu pai. Fico olhando em volta e vejo a Lavínia com o amiguinho dela. Ele faz aviãozinho para ela, que n**a sorrindo. Ela mexe no cabelo e vejo rapidamente um machucado no canto de seu rosto. Queria estar ali. Sinto-me culpado por ela estar assim, toda machucada. Preciso me redimir. Quem sabe, ir até lá ajuda em algo. Quero deixá-la animada, já que devo isso a ela. — Eles não namoram. Já investiguei sobre. — Está interessada nela? — pergunto, como quem não quer nada, mas estou totalmente interessado. — Você está? — ela me olha, e desvio da pergunta, enchendo minha boca de pizza. — Já volto. Ela diz, pegando um chocolate na bolsa e indo até a mesa deles. Ela a abraça de leve e entrega o chocolate para a Lavínia, que sorri. Morgana beija a mão da Lavínia, colocando no rosto, e dá tchau para o Brad, saindo de lá e voltando sorrindo. — KitKat? — É o chocolate preferido dela, menino burrinho. — Você que é hacker e fica sabendo de tudo. — Sou hacker, mas também sei olhar e ouvir as coisas. Ela fala que ama esse chocolate desde pequena. **[...]** Jogo a mochila no chão e me jogo na cama, finalmente relaxando. Sentia-me com uma pulga falante andando ao lado da Morgana. — Filho, podemos conversar? — meu pai entra no quarto. — Fala, pai. — Como foi? Pediu desculpas à sua prima? Eu fui esses dias lá, mas ela não estava em casa. — Pedi desculpas, mas ela estava péssima, pai. Com vários machucados, e o amigo praticamente a carregava — ele fecha o semblante, me olhando sério. — Você acha que sua tia bateu nela? — Provavelmente. Lembra que, na hora em que saíram da escola, ela a machucou? — Vou falar com ela. Se sua mãe perguntar, fui ao mercado — ele diz, correndo para fora. Fecho os olhos, tentando dormir. Mas meus pensamentos estão a mil, pensando na Lavínia e como fui i****a. Se eu soubesse que ela passaria por isso, nunca teria brigado com ela. Quero me aproximar, protegê-la da própria mãe e da máfia. Pego meu celular, procurando o número dela. Nunca mandei nada, mas está salvo. Penso e tento digitar várias coisas, mas apago, vendo que parece i****a. — Oii, quer conversar? — Quem é? — ela pergunta, e me apresso em responder para não ser bloqueado. — Matteo. Ela não responde nada. — Queria te pedir desculpas mais uma vez. Você foi castigada por minha culpa. — Tudo bem. Minha mãe diz que o que nos machuca nos deixa mais fortes. Fico sem saber o que responder depois disso. — Estou quase virando o Hulk. Dou risada, deitando-me com o celular e pensando no que mandar. — Então é fã da Marvel? — Quem não é? Vai me falar que prefere a DC com o Super-Homem e a Mulher Maravilha? — Mesmo a amando, prefiro a Marvel. Thor é mil vezes melhor. — Ele é bonitinho e bom, mas fraco. Então prefiro o Loki. Sorrio, já esperando isso. — Se eu te convidar para ver um filme da Marvel, você me perdoa totalmente? Ela demora para responder, e me levanto angustiado, andando de um lado para o outro. Jogo o celular na cama, tentando não ligar, mas quando a notificação apita, me jogo nela, pegando o celular desesperado. — Pode ser. — Domingo? — Ok. Seu pai chegou aqui. — Digito algo, mas quando ela manda outra mensagem, apago. — Tenho que ir. Até mais, Matteo. Sorrio, guardando o celular e me sentando na frente do computador, vendo o meu filme favorito para vermos. Ela tem que gostar.
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