No trocador

1158 Palavras
Morgana narrando Chegamos na casa das minhas tias e, ao olhar para minha mãe, não consegui esconder a empolgação. — O que foi, mocinha? Nunca te vi tão animada para fazer compras — ela perguntou, levantando uma sobrancelha. — Só quero passar um tempo com você — respondi, tentando soar casual. A ideia de minha mãe fazer compras com minhas tias e a Lavínia foi sutilmente plantada por mim, para que ela pensasse que foi ideia dela. Dessa forma, eu poderia ficar a sós com Lavínia. Eu precisava conversar com ela. Achava que gostava dela, mas ainda não tinha certeza. [...] Finalmente, a Lavínia chegou em casa, e eu sorri, disfarçando quando minha mãe me olhou. — Oi, gente. Desculpa, não sabia que teríamos visita — Lavínia disse, um pouco surpresa. — Vai tomar banho, amor. Vamos fazer compras e você vai junto, uma noite das garotas — minha mãe disse, com entusiasmo. — Tá bom — ela respondeu, estranhando a situação e subiu correndo. — Você querendo fazer compras com a gente? Que bicho te mordeu, Morgana? Você sempre sai com suas amigas — minha tia Cecília perguntou, curiosa. — Queria dar uma chance apenas — dei de ombros, tentando parecer desinteressada. — Como a Lavínia está na escola? Vocês são amigas lá? — ela continuou, insistente. — A gente conversa no horário do almoço, mas nossas aulas são diferentes, infelizmente — respondi, tentando encerrar o assunto. [...] Sorrio quando Lavínia desce, cheirosa e pronta para sair. As senhoras saem na frente, apressadas, e seguro a mão de Lavínia, que me olha assustada. — Oi — ela diz baixinho. — Oi. Você demorou. Foi bom o treino com meu pai? — Foi legal, bem diferente do da camorra, mas legal. — Você gosta mesmo da camorra? — Sim — ela responde, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Você sairia por algo ou alguém? — Acho que não. Camorra acima de tudo e todos, como minha mãe sempre diz. Fico em silêncio, sem saber o que dizer, enquanto entramos no carro. Minha mãe e tias cantam uma música chiclete: "Making my way downtown Walking fast Faces passed And I'm home bound." Elas cantam juntas enquanto tia Cecília dirige, e todos rimos. — Agora vocês, pequenas — tia Alice diz, apontando para nós, e não resisto à animação. — And I need you... — cutuco Lavínia com o cotovelo, que começa a cantar junto. — And I miss you... And now I wonder... — ela canta, me fazendo sorrir. As três malucas seguem cantando até o shopping. [...] Escolho um vestido qualquer quando vejo Lavínia ir em direção aos provadores. Ela se assusta, mas sorri quando esbarro nela. — Desculpa — digo, segurando seu braço. — Tudo bem. Você vai provar também? Aqui só tem um provador. Pode ir primeiro — ela diz gentilmente. — Não, boba. A gente pode dividir. Que m*l tem, né? — digo, fingindo inocência e segurando sua mão, puxando-a para dentro. Ela fica sem graça, e tranco a porta tirando minha blusa. — É... Morgana? — ela olha para o teto. — Pode olhar, quem nunca viu p****s, né? — digo rindo e começo a tirar minha calça. — Tudo bem, quem nunca viu p****s, né? — ela responde, tirando sua blusa também, e dou risada. Viro de costas para o espelho e experimento o vestido. — O que acha, Lavínia? — pergunto, e ela me olha de cima a baixo. — Ficou perfeito em você — ela responde, e eu me aproximo, vendo-a ficar sem graça. — Perfeito para você ir a um encontro comigo? — ela pisca confusa e inclina a cabeça, me olhando melhor. Acho fofo. — Oi? — Um encontro — digo gesticulando — aquilo que as pessoas saem juntas, conversam, tiram fotos fofas, riem e se beijam. — Se beijam? — ela pergunta, chocada. — Sim, assim — me aproximo, colocando minha mão atrás de seu pescoço. Aproximo meus lábios dos seus e, finalmente, a beijo. Invado sua boca devagar, e ela corresponde na mesma hora, me deixando feliz. Desço uma mão para sua cintura, apertando-a contra mim, e com a outra puxo seus cabelos da nuca levemente, fazendo-a arfar entre o beijo. Acabamos o beijo com falta de ar, mas nenhuma se afasta. Encosto minha testa na dela, sorrio ao ver suas bochechas vermelhas e faço carinho em seu rosto. Ela sorri, encostando mais o rosto em minha mão. — Então... um encontro? — Sim, do jeito que você quiser. Pode escolher para onde iremos. — Eu tenho que te contar algo... eu... — Ficou com meu irmão? — pergunto, e ela assente. Não paro o carinho. — Tudo bem — encosto a ponta do meu nariz no dela, fazendo um carinho de esquimó. Ela sorri. — Eu não me importo de dividir você ou algo do tipo. O que importa é estar com você em algum momento, ok? Mas não vamos rotular ou exigir algo agora. Vamos focar no encontro. Você aceita? — Sim, e já sei para onde — ela diz, sorrindo, e dou um selinho, me afastando. Eu realmente não me importo dela gostar do meu irmão e estar saindo com ele. Não me importo em dividir e nem sou tão possessiva para querer ela só para mim. — Então, para onde iremos? — pergunto, tirando o vestido e colocando minha própria roupa. — Surpresa. Mas esse vestido está perfeito — ela fala, sorrindo para mim. — Vamos? — Sim, nossas mães devem estar preocupadas — abro a porta do provador e saímos. — E elas, como ficam com os encontros e... — Fala sério — dou risada e explico para ela. — Nossas mães se apaixonaram pelos sequestradores que eram meu pai e sua mãe. E os pais das nossas mães também estão casados em um trisal bissexual. Eles são os próprios tabus e não vão julgar. Seria hipocrisia julgar. — É verdade. Às vezes eu esqueço todo esse passado deles — ela diz rindo também. — Do que estão rindo? — minha mãe pergunta, aparecendo com minhas tias, e ela me abraça. — De nada. Vamos? Vou levar esse vestido. — É lindo, filha. — Eu também achei — Lavínia diz, e minha mãe assente. [...] Chegamos em casa cansadas. Já estava bem tarde, e eu estava morrendo de fome. — Vamos, meu amor? — minha mãe pergunta, e assinto, indo me despedir. Abraço minhas tias, e a Lavínia abraço um pouco mais forte. — Tchau — ela diz, fazendo carinho em minha nuca. — Tchau. Podemos sair no domingo? — pergunto baixo, e ela arregala os olhos. Entendo que já tem planos. — Éer... — ela fica totalmente sem graça. — Tudo bem. Você me avisa quando pode. Tchau, Lavi. Beijo seu rosto e me viro, indo embora. Olha, eu não faço a menor ideia em que passo meu irmão está, mas estou focada no que eu quero.
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