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Meu Motorista de Táxi

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Sinopse

Emma é uma garota rica e sonhadora, que se vê presa a um emprego medíocre quando começa a busca por uma carreira trabalhando no ramo da moda. Em um dia difícil, ela acaba conhecendo Mateo, um rapaz latino que dirige um táxi, e que vai proporcionar uma das piores viagens da vida de Emma. Ela só não contava com o fato de que iria esbarrar nele novamente de um jeito bem inusitado, e que iria surgir uma atração pra lá de forte. Mesmo com toda a paixão abrasadora, ainda há um obstáculo o qual um amor deles terá que vencer: a diferença de classes sociais.

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Capítulo 1
CAPÍTULO 1 Emma tentava com todas as suas forças deter a careta que queria se formar em seu rosto. Não só pelo longo sermão que sua chefe estava passando, com as mesmas cobranças bizarras e exigências absurdas, mas por conta de seus sapatos de salto alto que estavam acabando com seus pés. Ela se remexia inquieta, tensionado e relaxando os músculos em uma tentativa de diminuir o desconforto, que era um latejar agonizante, mas só parecia piorar. Ela sabia que era uma péssima ideia comprar um número menor que o seu, mas era o único disponível e ela não iria abrir mão daquele belíssimo par de saltos Saint Laurent. Ainda mais depois que a vendedora a olhou como se ela tivesse pés de ogro, o que não era verdade, já que ela estava bastante na média. Então ela também levou para o lado pessoal, e por conta do desaforo, ela agiu no calor do momento. Bem, ela estava pagando o preço por sua teimosia agora. “Emma, você entendeu o que eu disse?” Rose perguntou chamando sua atenção. “Claro que sim, entendi perfeitamente.” Mentiu, dando um sorriso e piscando de um jeito falso, apenas para bater seus cílios os quais ela havia colado antes de sair de casa. Ela definitivamente mentia muito bem para alguém que não gostava de trapaça e enganação. Mas infelizmente é o tipo de coisa que você aprimora quando cresce com pais controladores e fica ainda melhor quando começa a trabalhar, e percebe que seu chefe controlador, lembra seus pais controles. Era como está em casa. “Você precisa maneirar um pouco, entender que nosso público alvo é...” Rose parecia realmente empenhada em procurar uma palavra adequada, como se nunca tivesse se referido a alguém com pouco dinheiro em toda sua vida. “Mais modesto?” Emma tentou ajudar. “Sim, exatamente. Tente escrever menos sobre lançamentos da Balenciaga, e mais sobre as liquidações de fim de estação.” Emma abriu um sorriso amarelo, agradecendo internamente por não ter ouvido nada do que ela disse minutos atrás. Era sempre mais do mesmo. E francamente, ela não sabia como ainda tinha um emprego, se seus artigos nunca eram bom o suficiente. Sempre passava da dose, ou simplesmente não era o que Rose queria, mesmo que ela tivesse pedido algo bastante especifico o qual Emma não teria como se desviar, nunca estava bom. Mesmo se certificando de que havia feito literalmente tudo que Rose pediu. Sentada naquela cadeira, em frente aquele mulher com óculos de armação grossa que gritam “meia idade”, em conjunto com o cabelo curto que não chegava aos ombros, Emma concluiu que, definitivamente, ela descontava suas frustrações em seus funcionários. E pela sala repleta de plantas e o tapete de camurça marrom que não combinavam com as paredes vermelha, ela deduziu que Rose guardava muita frustração dentro de si. Ela era plenamente capaz de imaginar sua mãe furando os próprios olhos com uma faca ao entrar em uma sala como aquela. “Claro, sexta-feira estará tudo pronto.” Respondeu ainda mantendo a pose. “Ah, eu quero para amanhã, querida. Caso precise corrigir algo, ou se for necessário você refazer novamente. Assim me certifico que ficará tudo certo antes de mandar para a tiragem na sexta-feira.” Ela sorriu, como se não estivesse dando um ultimato de que iria infernizar a vida de Emma durante toda a semana. Fechar os olhos e respirar fundo seria muito óbvio, então ela levantou abruptamente, com o sorriso engessado no rosto e disse: “Sem problemas.” Rose devolveu o sorriso, e Emma poderia jurar que havia um quê de zombaria por trás de sua expressão, porque era impossível não perceber o tom passivo-agressivo que ela usou quando se submeteu a mais um das vontades de sua chefe. Sua teoria de que ela se divertia fazendo esse tipo de coisa fazia cada vez mais sentido. Uma verdadeira sádica. “Problemas no paraíso?” Daisy perguntou sem tirar os olhos da câmera que tinha em mãos. Apenas pelo modo como Emma se jogou na cadeira e o bufo audível, sua amiga já tinha noção de ela não estava em um dos seus melhores dias. Daisy era fotógrafa e também a melhor coisa que poderia ter acontecido para Emma quando ela chegou para trabalhar na revista McAllister. Ela já não esperava que fosse grande coisa, afinal, ela sabia o que eles escreviam, e para quem escreviam. Mas de qualquer forma, era um jeito de trabalhar com o que ela tanto queria e começando do zero, sem a ajuda dos seus pais. Emma pensou que iria crescer rápido, que seus artigos ou qualquer coisa que ela escrevesse iria se destacar, mas tudo que recebeu foi frustração e vários “não” quando tentou se candidatar em empresas mais populares, que faziam mais seu estilo. Mas já fazia um ano, e a essa altura ela esperava ao menos ser a responsável por escrever aqueles testes do tipo: “qual celebridade seria o seu marido ideal” nas páginas da Cosmpolitan. No seu primeiro dia de trabalho, ela percebeu uma das coisas que não considerava tão r**m. Eles não eram uma equipe extensa, com incontáveis e incontáveis funcionários, então tecnicamente era menos gente para concorrer a cargo maiores. Entretanto, havia uma energia caótica que rondava aquele lugar que quase a fez virar e sair correndo. Talvez fosse Connor chorando na própria mesa, ou Ivy que levava o próprio gato para o trabalho, mas sempre havia aquela sensação de que poderiam precisar evacuar o prédio a qualquer momento porque, por algum motivo, algo pegou fogo. E então veio Daisy, a pessoa que seria seu vizinho de mesa, já que naquele andar eles ficavam agrupados em duplas. Ela explicou como funcionava as coisas, mas apenas o que sabia até então, já que ela também era novata. E talvez por isso elas tenham ficado amigas tão rápido, pela necessidade de se agarrar a alguém que partilhasse da mesma sensação de estar descendo para o fundo poço, como elas sentiam que estavam. Ela perguntou que tipo de café Emma gostava, porque uma de suas primeiras descobertas fora a de que o café de lá era péssimo, então sempre que possível ela trazia uma para si e um para Emma. Pela gentileza e paciência, ela acabou se afeiçoando a Daisy, e algumas semanas depois elas já estavam saindo para tomar drinks depois do expediente e vários outros tipos de programas, junto de sua colega de apartamento, Madison. “Que tipo de paraíso habitaria um demônio daqueles?” Perguntou recostando-se na cadeira e fechando os olhos. “Mandando você refazer os artigos? Ela anda inconformada com tudo e todos. Hoje mais cedo ela me pediu para fotografar menos mendigos e mais pessoas do subúrbio.” Daisy levantou os olhos da câmera, com uma carranca de inconformidade. “Por que você estava fotografando mendigos?” Emma abriu os olhos a fitando confusa. “Não eram mendigos, Emma. Eram as pessoas do subúrbio!” Daisy disse escandalizada, tentando manter o tom de voz baixo. “Por que diabos uma v***a de Elite controla o conteúdo em uma revista que tem essa proposta? Os absurdos que ouço naquela sala fazem eu me sentir em um almoço de família no country club.” Daisy assentiu, mas soltou uma risada que fez Emma semicerrar os olhos. “Que foi?” “Nada. É apenas engraçado ver você chamar ela de v***a eletista enquanto cita os almoços no country club.” Emma abriu a boca ofendida, mas levantou os braços em rendição em seguida. “Bem, mas eu nunca usaria um blusa de babados daquela ou tentaria tocar um negócio que, definitivamente, não é a minha praia. Só estou aqui porque não tenho escolha” deu de ombros, e quando lembrou da blusa horrível que Rose estava usando hoje ela se perguntou o quanto o gosto de sua chefe sobre qualquer coisa era questionável. “Mas você tem escolha, Emma.” Daisy apontou com aquele mesmo ar de riso. “Não tenho.” “Você sabe que as coisas nunca são difíceis para alguém como você. Tipo, sua bolsa vale três meses de salário de qualquer um aqui.” “E você quer mesmo falar de privilégios segurando essa câmera de dois mil dólares?” Emma acusou antes que Daisy começasse um de seus discursos sobre como ela vivia em uma bolha e no quanto ela deveria ser mais atenta a realidade das outras pessoas. A amiga de Emma basicamente tinha o que ela gostava de chamar de “culpa branca”. Sempre criticando o sistema e em como ele poderia ser opressor para as minorias, ainda mais ela sendo uma mulher lésbica. Mas fora sua orientação s****l, Daisy gozava de todos os privilégios que uma garota branca e rica poderia ter tanto quanto Emma, mesmo que ela negasse, todos sabiam que ela não conseguiria passar uma semana sem o cartão de crédito que o pai dela pagava todos os meses. Só que para continuar com a boa vida que tinha, o pai de Daisy impôs que ela conseguisse um emprego. E foi assim que ela foi parar na McAllister, quando na verdade, queria está fazendo um tour pela Europa, fotografando as belas paisagens e tudo de lindo que os outros países tinham a oferecer. Depois de saber disso, Emma tinha quase certeza que todas as idas aos protestos entre outras coisas, eram apenas um jeito de Daisy provocar o próprio pai. Mas com o tempo, ela realmente tomou gosto por lutar por seja lá quantas causas sociais existiam e que poderia fazer algo de útil para o mundo com seu emprego. Emma duvidava que pudessem fazer algo de realmente relevante por alguém naquele lugar, mas ela não era de desencorajar as pessoas. “Então quer dizer que você vai está ocupada hoje à noite?” Daisy perguntou depois de revirar os olhos com que Emma disse. “Sim. Mas não pretendo demorar muito refazendo isso, tenho certeza que ela sequer vai ler mais de duas palavras e vai acabar pedindo um novo, de qualquer forma.” Emma disse olhando para os próprios pés. Ela estava realmente considerando ficar descalça, mas ela lembrou da Kim Kardashian no MET gala de 2019, e em como ela não conseguia nem fazer xixi por conta da roupa que estava usando. Kim aguentou a noite toda e foi eleita uma das mais bem vestidas. Ela poderia aguentar mais algumas horas. “Uma pena. Achei que seria um boa ideia sair para dançar hoje...” Comentou despretensiosamente, ainda mexendo na maldita câmera. “Ainda podemos fazer algo. Vamos pedir sushi e assistir algum filme, Maddie vai estar em casa hoje, podemos fazer uma noite das garotas. O que você acha?” Perguntou mais empolgada. Só compras e algum tempo com suas amigas poderiam fazer seu dia melhor. Daisy pendeu a cabeça para o lado, com aquele olhar de quem está falando “Sério?”. Em suma, Daisy não odiava Madison, mas ela não seria amiga dela em outras circunstâncias, se não fosse por Emma. Então falar que ela estaria lá, como se fosse um motivo a mais para convence-la, era engraçado. Emma abriu um sorriso de quem sabe que está pedindo demais, mas depois que Daisy suspirou e disse “Que seja”, ela sabia que ela estaria lá. Depois de mais duas horas de expediente, os quais Emma passou olhando o i********: e conversando com a amiga, que estava editando fotos na mesa da frente, ela decidiu que estava cansada de trabalhar. E como aquele escritório era uma bagunça, ela apenas se levantou juntando as próprias coisas para ir embora. “Ainda falta uma hora e meia, Emma.” Daisy disse olhando para o relógio que tinha no pulso. “Claro que sim.” Respondeu fazendo pouco caso. Uma coisa felpuda passou por sua perna, e ela até se assustaria se não estivesse acostumada com o gato de Ivy vagando por todo o andar. “Você vai ter que procurar outra mesa, Sr. Padeiro, já estou indo embora.” Ele ronronou em resposta, pedindo por carinho. Normalmente Emma não gostava de gatos, mas o bichado de pelugem alaranjada e barriga saliente era carente e carinhoso, o que acabou conquistando todos, até mesmo Emma. Então por conta do carisma dele, todos acobertavam Ivy e sua ideia bizarra de leva-lo para o trabalho, o escondendo nas gavetas de arquivos a qualquer sinal da presença de Rose. O nome dele era Lincoln, mas como ele tinha o habito de afofar qualquer coisa que visse pela frente, Emma o chamava de Sr. Padeiro. “Você não quer esperar? Posso te dar uma carona para casa.” Daisy propôs. “Não precisa se preocupar, ainda tenho que ir na confeitaria. Comprar aquele cheesecake delicioso para hoje à noite.” “Senhor, aquela coisa é uma das melhores coisas que eu já comi na minha vida!” Daisy disse dramaticamente. Emma sorriu confirmando, antes de se despedir da amiga e fazer um último afago no Sr. Padeiro. O ar frio atingiu seu corpo quase que instantaneamente quando ela chegou à calçada. Ela adorava o clima mais frio de Nova York com a chegada dos últimos meses do ano. Havia o charme dos casacos, cachecóis e sobretudos que Emma particularmente era muito fã. Adorava em como havia um leque de possibilidades na hora de se arrumar, quando poderia escolher entre inúmeras peças ou uma jaqueta de tecido mais pesado sem correr o risco de suar feito um porco e sentir a roupa grudando no corpo como se estivesse em uma aula de spinning. Mas nem tudo eram flores. Poderia ser gratificante se sentir bonita, mas isso não tornava menos frustrante passar quinze minutos tentando pegar um táxi. Ela odiava o trânsito caótico e as pessoas m*l educadas, então quando, enfim, um dos carros amarelos parou para que ela pudesse entrar, ela já estava com os nervos à flor da pele. “Para o centro de West Village, por favor.” Ela ainda pretendia aproveitar o tempo extra que tinha depois de sair mais cedo, talvez olhasse ou comprasse algum lenço novo, estava precisando de alguns. O motorista não falou nada, apenas olhou pelo retrovisor para ela. Emma normalmente não era de ficar encarando, mas quando seus olhos se encontraram pelo reflexo do pequeno espelho, ela não pôde deixar de pensar que ele tinha belos olhos castanhos. E também que ele não parecia tão velho como a maioria dos motoristas. Na verdade, ele parecia bem jovem. Estranho. Iria demorar, então ela alternava entre olhar pela janela, ou mexer no telefone. Estava até mesmo arriscando olhar a nuca do motorista, a parte que era possível ver. Seu cabelo parecia ter sido cortado recentemente, tinha linhas bem definidas e desenhadas. O tipo de corte que ela não costumava ver nos homens da família ou com os caras com quem saía, esses sempre estavam com seus cabelos em cortes sociais, feitos apenas na tesoura, ou com topetes besuntados de gel. Normalmente essa última opção a fazia sentir calafrios. O telefone começou a vibrar em sua mão, a tirando dos devaneios sobre cuidado capilar masculino. O nome de Madison mais alguns emojis de coração apareciam, enquanto ela franzia o cenho, estranhando a ligação. “Maddie?” “Emma! Graças a Deus você me atendeu, achei que você estaria ocupada. Então, você conseguiu pegar o meu vestido na lavanderia?” Os olhos de Emma se arregalaram, e sua boca abriu em um “O” perfeito. Ela não lembrava do pedido, a existência do vestido estava passando despercebido com facilidade até agora. “Claro, o peguei no meu horário de almoço.” Mentiu. Ela passava a mão no rosto, e contorcia o rosto em uma careta de desespero. Como diabos ela esqueceu? “Ah, que alivio. Eles fecham às cinco, então imaginei que você poderia deixar de ser uma v***a mentirosa e cumprir com o que você me disse. Droga, Em, Eles me ligaram agora perguntando se eu não iria pegar meu vestido como eu havia combinado. Eles não abrem amanhã!” Gritou do outro lado da linha. Emma fechou os olhos, tentando amenizar a dor nos ouvidos que os berros de Madison estavam causando. Ela não conseguiria sair da sessão de fotos a tempo, então pediu o favor para Emma, já que ela teria um brunch importantíssimo no dia seguinte e precisava do vestido já pela manhã. Como se não bastasse, a lavanderia estava fechando mais cedo por reformas internas e sequer abriria no dia seguinte. Por que ela não poderia ter levado a roupa em outro lugar? Era lavagem a seco, não dá para fazer isso de mais de uma maneira, dá? Seria o mesmo resultado em qualquer lugar! “Desculpa, Maddie! Eu prometo que posso chegar a tempo!” “Eu realmente espero. Droga, Emma, você sabe o quanto isso é importante.” “Eu sei, eu sei! E eu não vou te decepcionar.” Ela dizia, já gesticulando para o motorista para que ele prestasse atenção nas suas novas coordenadas, enquanto ela tentava falar com Madison ao mesmo tempo. Ela desligou o telefone e sentiu o desespero se multiplicando quando fitou a hora e percebeu que ela teria em torno de vinte minutos. “Será que não teria como você ir mais rápido, por favor?” Pediu ao motorista. Ele a olhou meu retrovisor novamente, mas não disse nada. Isso irritou Emma profundamente, pois levando em conta que o carro parecia estar na mesma velocidade e ele se manteve em silêncio, ele estava a ignorando deliberadamente. Ela bufou e esperou mais dois minutos, e então voltou a se sentar na ponta do banco para pedir novamente. “Você poderia acelerar? Eu realmente estou com pressa! Não é como se eu não fosse pagar você, de qualquer forma...” disse revirando os olhos. Ela odiava como os motoristas sempre escolhiam o caminho mais longo para arrancar mais dinheiro dos passageiros, e com isso, ainda tomavam todo o tempo. Ele sequer olhou para o retrovisor dessa vez. Ao invés disso, passou a marcha e pisou fundo, fazendo Emma ir para frente e bater no divisor de cabine do táxi. “Você enlouqueceu?!” Gritou tentando voltar para o seu lugar e colocar o cinto urgentemente, mas estava difícil, com seu corpo sendo jogado para todos os lados por conta do carro em alta velocidade. Ele continuou em silêncio, apenas dirigindo como um louco e entrando em lugares que Emma nunca tinha passado em toda a sua vida em Nova York. Ela realmente poderia está assustada e com medo de um provável assassinato ou acidente de carro, mas seu maior sentimento era o de raiva. Certo, havia um pouco de medo da morte, mas ela estava muito mais brava. Quando ele freou a jogando para frente novamente, só que dessa vez tendo o impacto evitado pelo cinto de segurança, Emma soprou o cabelo do rosto. Ela estava uma bagunça, sua roupa toda amarrotada. Emma alcançou a bolsa e esbaforida abriu a porta do carro. “Ei! Você não me pagou!” Enfim, ele disse algo. Com um sorriso de comedor de merda, Emma se abaixou apoiando-se na janela. “Nossa viagem ainda não acabou, querido. Se você quiser receber algo, acho melhor me esperar.” Ele estava de maxilar travado, segurando o volante com tanta força que Emma achou que ele poderia arranca-lo se ela o provocasse mais um pouco. Essa reação realmente foi satisfatória, tanto que, por um momento, ela realmente considerou que estava valendo toda a tortura a qual ela iria se submeter nos próximos minutos. O motorista tinha uma barba por fazer que dava um ar desleixado, e uma pele que parecia ter sido beijada pelo sol, daquelas que é impossível conseguir com bronzeamento artificial. E mesmo cega pela frustração, ela se perguntou por que diabos um homem tão bonito como aquele estava dirigindo um táxi, quando aparentemente ele não tinha o mínimo temperamento para tal. Ele ficou em silencio novamente, o que fez o sorriso de Emma se alargar. Ela saiu, arrumando as próprias roupas com as mãos, para amenizar o estrago, imaginando que quem a visse iria deduzir que ela teve um sexo selvagem em uma esquina qualquer. Deus, isso era péssimo. Além de sua viagem catastrófica, Emma ainda teve que lidar com a mulher que a atendeu extremamente m*l humorada. Madison sempre dizia que eles sempre eram muito simpáticos, então provavelmente o olhar de poucos amigos era porque ela já queria ter metido o pé da lavandeira a horas. Emma pouco se importava, ainda estava no horário, no fim das contas. “Obrigada.” Agradeceu com um sorriso falso, que foi prontamente retribuído por um duas vezes mais falso. A mulher a seguiu de perto, quase a empurrando para fora e virando a placa para avisar que estavam fechados quando conseguiu jogar Emma na calçada. “Cretina.” Emma resmungou. O carro amarelo ainda estava lá, a esperando. Isso a surpreendeu, claro. Ele parecia está de saco cheio, e por um momento ela teve quase certeza absoluta que ele iria embora assim que ela virasse de costas, apenas para deixa-la na mão. Mas eles estavam quase em West Village quando mudaram de percurso, ele iria perder muito dinheiro se simplesmente a largasse. “Certo, agora podemos voltar para nossa rota inicial.” Disse como se eles não estivessem a ponto de estapear um ao outro. Como de se esperar, ele saiu em alta velocidade, ao ponto de fazer um cheiro desagradável de borracha queimada ficar no ar. Emma estava disposta a ignorar a birra do motorista, em seu íntimo, ela já se sentia satisfeita por tomar mais parte do tempo dele. Entretanto, enquanto ela mandava mensagem para Madison avisando que estava tudo sob controle, o motorista fez uma curva tão agressiva que seu celular escapou das mãos, caindo no chão do carro. “Merda!” Disse se abaixando para alcançá-lo, mas estava impossível com o chacoalhar incessante. Ela ouviu a risadinha dele ao fundo e toda a raiva que ela estava sentindo antes voltou com tudo. “Eu realmente espero que exista algum tipo de sindicato ou um responsável por essas porcarias amarelas, porque eu serei a pessoa mais feliz do planeta terra quando denunciá-lo amanhã.” Ela disse quando alcançou o telefone. “É aqui que você vai ficar?” Ele perguntou quando chegaram, ignorando a ameaça de denúncia. “Não. Pare em frente a confeitaria.” Ela nem pediu com educação. Decidiu que se ele estava se achando no direito de ser um troglodita, ela também poderia ser uma megera. “São...” Ele estava prestes a dizer o valor quando Emma o cortou. “Não acabamos. Você ainda vai me levar para casa.” “Você só pode estar de brincando...” Ele bufou e bateu a própria cabeça no volante. Seja lá que tipo de atitude ele estava tentando sustentar, caiu por terra ao ponto de parecer que ele poderia apelar para a autoflagelação a qualquer momento. Emma queria rir. Ela estava vencendo. Mas sua felicidade durou pouco. Não havia mais o seu tão sonhado cheesecake, o último havia sido comprado fazia poucos minutos. Emma sentiu que poderia facilmente se debulhar em lágrimas, e ela nem sabia exatamente o porquê. Poderia ser pela decepção de não ter mais a torta, mas ao mesmo tempo parecia que era mais que isso. Antes que as pessoas começassem a reclamar pela sua demora na fila, ela pediu cupcakes e um café com creme, já que eles vendiam bebidas quentes, e por isso ela gostava de frequentar lá, pela praticidade de haver o que beber com os deliciosos bolinhos. E também porque a Magnolia Bakery sempre estava muito lotada para ela passar lá antes do horário de trabalho. Ela realmente achou que o motorista daria uma trégua, e por um tempo até que os ânimos haviam acalmado. Ele estava mais devagar, ao menos o suficiente para ela achar que seria uma boa ideia abrir a caixa e começar a comer um cupcake com cobertura de calda de morango. Quando ela estava prestes a tomar mais um gole de café, uma freada abrupta fez com que o liquido fosse parar em seu rosto e blusa. Emma fechou os olhos com força e mordeu o lábio para não soltar um grito. Como se não bastasse, ela viu pelo retrovisor ele com um sorriso i****a, se achando realmente muito engraçado. Emma aproveitou que a divisória da cabine estava fechada, e em um surto, pegou um dos bolinhos e grudou na pequena barreira de acrílico. Não satisfeita, ela saiu arrastando por toda a divisória deixando um grande rastro de glacê. O motorista abriu a divisória, tentando manter o os olhos na pista ao mesmo tempo que estava fora de si com que estava vendo. “Você é maluca?! Está destruindo o meu carro!” “Sim! Eu sou maluca, seu i****a!” Ela disse jogando o que restava do bolinho nele. “Quer saber, cansei. Desça do meu carro agora, não irei leva-la para lugar nenhum!” Ele disse puxando o freio de mão, dando a entender que não sairia do lugar. “Você não pode fazer isso!” Não pode, certo? Emma tinha quase certeza que ele não poderia. Ninguém a tratava assim. “Claro que eu posso. Talvez na sua vida perfeita ninguém deva ter negado alguma coisa a você, mas olhe só! Não sou obrigado a ceder as suas vontades!” Ele disse exaltado. “Agora, por favor, me pague e suma do meu carro. Ou além de mimada você é caloteira?” provocou. Emma abriu a boca em descrença, fula da vida que um estranho petulante como aquele estivesse a estivesse destratando tão gratuitamente. Ele que havia começado tudo quando ao invés de atender ao pedido dela como uma pessoa normal, decidiu ser extremamente ignorante. “Quer saber? Pegue seu dinheiro i****a!” Ela disse quando alcançou a carteira que guardava na bolsa. Ela não sabia quanto pegou, mas tinha dinheiro suficiente para mais umas duas idas ao Upper East Side. Emma bateu a porta com força, tentando equilibrar suas coisas nos próprios braços. “Espero que algum Uber roube seu emprego, Babaca!” Ela gritou enquanto ele partia. Ela gemeu de frustração, se dando conta que nem sabia aonde estava. Para piorar, seu celular estava sem bateria. Teria que procurar outro táxi se quisesse chegar em casa, então era melhor tirar os saltos se quisesse conseguir caminhar até achar um. Era oficialmente um dia de merda.

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