O primeiro beijo

1895 Palavras
Durante as semanas que se passaram, após a minha ida à casa do Luiz e os fatos que ocorreram lá, ocasionou no distanciamento dele, mesmo quando vamos embora sozinhos. Ele agora passa mais tempo com o Leo e as víboras e menos com a turma do barulho, tornou-se exibido, só porque já pegara uma menina do primeiro F. Fiquei um pouco bolado com isso, mas não o culpo, não tínhamos nada. A forma seca que venho o tratado deve ter contribuído para isso, eu não sei o motivo, mas o clima de amizade que tínhamos nos primeiros dias de aula está diferente do de agora que se encontra mais superficial e distante, pois estamos trocando poucas palavras que as vezes é um oi ou um tchau... A onda dos assuntos que tem se propagado nessa semana nos corredores é sobre o primeiro beijo. Eu ainda não entendo por que as pessoas criam tantos paradigmas por causa de um beijo, muitos querem que querem perder o BV (Beijo Virgem) ou o BVL (Beijo Virgem de Língua). Até a oitava série não ligava para isso, no entanto, agora no primeiro, eu vi mais ou menos a importância disso, segundo o Leo: "significa a maturidade ou status, pois assim você estará próximo de se tornar um homem", ele adora se esbanjar para todos da sala que já perdeu ambos os tipos de beijo, o mesmo as víboras faziam, enquanto que o Luiz também me disse que já perdeu ambos os tipos de beijos na quinta série com uma menina chamada Nicole. Até o William e o Marcos haviam beijado e eu não, o Théo não quis se pronunciar, ele disse que isso é uma informação pessoal. Sentia-me isolado quanto a isso. Havia uma menina na sala chamada Tânia, de pele escura, cabelos negros em forma de trança, olhos castanhos denegrecidos, ela tinha uma quedinha por mim conforme o Leo, ele queria que eu ficasse com a menina, o motivo aparentemente para provar minha sexualidade, eu morria de medo de que eles especulassem outra coisa, o que ocorrera com a Ester acontecesse comigo, então tive que fazer. Estava tudo programado, íamos nos beijar na aula de geografia, no fundo, enquanto o Leo e o William tapavam a visão para ninguém ver o beijo, antes ele me deu uns concelhos. - Wally é o seguinte, é bem simples, você só tem que fechar os olhos e aproximar o seu rosto ao dela, de forma que os seus lábios se toquem. Ok? Assenti com a cabeça, por mais que seja algo simples, para eu era um bicho de sete cabeças, afinal, não queria de fato ficar com ela, porém tinha que fazer isso para provar para todos a minha maturidade e a minha masculinidade. Chegara o momento, estava cara a cara com a Tânia, o Leo e os demais agitavam, não reparei direito na expressão do Luiz, mas não queria que ele visse o beijo e nem olha-lo. A hora H chegara, fechei os meus olhos e aproximei o meu rosto ao dela, nossos narizes se encontraram, logo depois os lábios, ficamos cerca de cinco segundos com os beiços encostados e depois recuamos. Um selinho apenas. O Leo e os outros começaram a me elogiar, dizendo que agora eu sou um homem, eu fiquei até feliz pelos elogios, me sentindo o maioral, todavia no fundo não me sentia um homem, na verdade, sentia que nada havia mudado, continuava o mesmo Wally, magrelo, inseguro e tímido de sempre, quanto ao selinho, eu não consegui sentir nenhum tipo de desejo, para mim não significou nada. Ainda não entendo por que dizem que o beijo é bom ou que é a melhor coisa do mundo, porquanto que este, pelo menos, não passou de uma ação que não trouxe absolutamente nada a acrescentar em mim.  A Tânia havia se aproximado na terceira aula, ela queria conversar no intervalo e por pressão dos meninos eu aceitei, sentia que não podia fugir disso, tinha que falar a verdade para ela, ficamos sozinhos no intervalo conversando. - E aí? – Ela disse. - O que? – Me faço de desentendido. - O que achou do beijo? - E-eu achei – penso um pouco na palavra adequada – legal! – Respondo sagaz, pegara a primeira palavra que viera a minha mente. Não conseguir dizer a verdade, tenho medo de consterná-la. - Hum – sibila, com receio nos olhos. - E-e você? – Pergunto franzindo a testa, nervoso. - Foi bom – diz também, aparentemente, muito desconfortável. - Desculpa Tânia, mas eu não sinto o mesmo por você – digo coçando a cabeça, envergonhado, com dificuldade em me expressar e quebrando o gelo que pairava. - Não me leve a m*l Wally, mas relaxa, eu só queira saber mesmo se você tinha gostado do beijo. - Eu gostei – minto – você é uma pessoa legal e bem que poderíamos ser amigos, que tal? - Só amigos? – Pergunta ela, assinto com a cabeça, esperando uma resposta positiva – aceito – ela dá um sorriso e me alivio. Ficamos nos entreolhando e de repente, sobre a mesma reação, dizemos ao mesmo tempo. - Vou dizer a verdade! – Proferimos em uníssono. Assustamo-nos com a ação de ambos, ela prossegue dizendo primeiro. - Eu primeiro, desculpa Wally, mas eu não senti nada pelo beijo, não foi algo que eu tenha gostado – diz com temor nos olhos – não quero te magoar. Tudo bem? – Pergunta docemente. - Posso te falar uma coisa mais maluca ainda? – Ela assente com a cabeça – eu achei a mesma coisa, estava com medo de te entristecer também, mas está tudo bem, somos amigos não somos? – Digo dando um sorriso simpático e estendendo a minha mão. - Claro! – Ela também sorri e também estende a mão apertando a minha. Na hora de ir embora, me encontrara na entrada da escola esperando o Luiz, pois havia o perdido em meio à multidão. Me embrenhando nos corredores me aproximo sem querer de um grupo de pessoas conversando, aparentemente são da minha sala, e me pego surpreso ao ouvir o que eles tagarelavam: - Quem diria que dez reais na aposta fizesse a Tânia fazer isso – disse um deles alto e arregalo os olhos confuso. - Verdade, só assim para alguém beijar ele, o Leo foi um gênio de propor essa apostar, Tania é uma menina f**a, ela faz todas as apostas que sugerem – diz uma menina do mesmo grupo e a esta altura, já deduzira o que ocorrera. É sério que ele ofereceu dez reais para ver eu me humilhar a algo, isso só confirma o que a Ketlin dissera, todos parecem me rodear por pena, ou para o desejo sádico de me ver triste, humilhado... – Andando com a cabeça esguia, já estava fora da escola, indo sem esperança de encontrar o Luiz, quando de repente esbarro em alguém, percebo que é o mesmo de costas. Ele se vira com um olhar m*l-humorado, eu digo tentando anima-lo: - Nem me espera neh? Seu saco de bosta – caçoo rindo ao ar, ele não demonstra qualquer reação. Arqueio uma das sobrancelhas e pergunto novamente: - O que foi? Ele novamente não diz nada e continua seguindo o seu percurso. Eu me estremeço de ultraje e raiva ao mesmo tempo, entre os dentes grito em sua direção: - Quer saber? Que se f**a! Se vai ser assim Luiz, então tudo bem. Apresso os meus passos para ultrapassa-lo e seguir o meu caminho sozinho, eu já não estava bem, não precisava de mais um motivo para ficar pior, todavia ele agarra o meu braço, me viro e ele se aproxima, reparo melhor em sua face e ele estava com os olhos avermelhados. - Você fumou? – Digo tentando achar humor em meio ao clima tenso que pairou. Ele abaixa a cabeça, passa a costa da mão direita sobre os olhos e dá um sorriso com suas lindas covinhas. - Você é péssimo com piadas – satiriza  e dou de ombros. - Agora vai me dizer o que aconteceu ou não? – Indago procurando respostas, ele fica um pouco em silêncio. - É você o problema Wally. - Eu? – Bufo ofendido. - Quer saber? Nada não... – ele desvia o olhar e depois o retorna para mim e sibila – o que você sentiu pelo beijo da Tânia? - Para ser sincero, eu não achei grande coisa – dou de ombros e igualmente fico confuso pela pergunta, que foi tão repentina. Não sabia qual era a do Luiz no momento, tão bipolar, uma hora estava bravo e a agora dispara essa pergunta de súbito. Enquanto o clima tenso continuava, nos aproximávamos da rua em que nos separaríamos, um silêncio permanecia, e ele o quebra, proferindo: - Wally! – concentro minha atenção nele, e ele continua – eu sei que está tudo estranho entre a gente e... – só observo tentando prever o que ele tentava dizer -... e-eu. Ele novamente se aproxima de mim e recuo para trás até eu ficar encurralado por uma parede, ele se aproxima mais, de forma que consigo sentir o cheiro do seu hálito e o odor de seu perfume de baunilha. Seus olhos me perfuram como faca, tento desviar deles, porém dessa vez não consigo tirar os meus globos oculares de sua boca, seus lindos lábios rosados, finos e suaves. Eles se mechem formando palavras. - Wally, o beijo da Tânia pode ter significado nada, agora vamos ver o meu. Eram as palavras que eu precisava ouvir, que se f**a o Leo ter pagado a Tânia apenas para o seu ego doentio, que se f**a todos terem pena de mim, sinto que isso que estou tendo agora é algo real, de fato, vamos ver o que realmente é o primeiro beijo de verdade... embora a frase que tenha soltado, ele não tomou a atitude que esperava, ficamos próximos por um tempo, de forma que sua perna ficava roçando o meio das minhas pernas, encostando no meu pênis, o que já foi o suficiente para enrijece-lo, sua mão vai em direção ao meu rosto, me alisando. Não conseguia mais evitar de fita-lo, então me entrego e o encaro, olho a olho, sua pupila mostrava o seu desejo oculto, dessa vez não tinha como escalpar, estava claramente a mostra sua intenção, talvez em sua cabeça, assim como na minha, esteja tendo uma luta entre a vontade e o receio.  Então eu mesmo tomo a atitude, lembrei-me do concelho do Leo, então fecho os meus olhos e aproximo os meus lábios de encontro aos dele, o beijando de uma vez, estávamos tão próximos que conseguia sentir o seu pênis também enrijecer. Para alguns, pode ter sido apenas um selinho, mas para mim, que está tendo sua primeira experiência agora, foi "o selinho", ficamos com os beiços encostados por um tempo, que para mim pareceu à eternidade, e agora finalmente sentia porque as pessoas valorizavam tanto o primeiro beijo, era como se estivesse acontecendo um festival com fogos de artifícios dentro de mim, sentia um frio confortante entre o meu peito esquerdo, o meu corpo estremece todo de desejo e vontade de mais e mais... foi a melhor sensação que senti em toda a minha vida... Agora sim eu consigo pensar sem me arrepender, sim eu sou Gay e dai?
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