Capítulo 3

3312 Palavras
P.O.V Taylor Acreditei que passaria facilmente pelos cinco estágios do luto, mas em meu coração, o vovô permanecia vivo, com seus conselhos enigmáticos, o cheiro de baunilha e uma risada rouca que sempre surgia no meio de suas frases. Me neguei a chorar diante daquelas pessoas, eu os conhecia, mas lutei muito para criar uma imagem de mulher forte, os flashes a distância atravessavam a grade do quintal tentando obter uma boa imagem do que acontecia. Assim como os outros membros da familia Evans, vovô Norman foi enterrado ali próximo da casa, e sem uma lápide pois ele acreditava que sua vida inteira não podia ser contida em poucas frases. Deixei uma lágrima escapar ao ver seu caixão coberto de terra, tornou tudo mais real, ele se foi e agora estou sozinha. O frio e a chuva pareciam ser o perfeito cenário para a minha tristeza, e então sem esperar, fui abraçada, de um modo contido mais acolhedor, pega de surpresa pela Alexa ela por fim disse que aceitava o acordo. Fiquei grata por ela não ter me soltado imediatamente e me permiti relaxar um pouco dentro do seu abraço, logo eu teria que voltar a Nova York e deixar para trás esse meu lado bobo e frágil, mas não precisava acontecer naquele dia. - As primeiras cartas serão entregues a vocês agora. - Robert falou assim que eu e a Victoria adentramos a casa, nos entreolhamos antes de pegarmos as cartas que ainda estavam estendidas no ar. O olhar do advogado permaneceu fixo em alguém atrás de nós e eu sequer precisava virar-me para saber que se tratava da Alexa e do Jack. - Por favor leiam com atenção e não ignorem as palavras desse velho sábio. - seu olhar parou em mim outra vez, sorri assentindo mas ele não parecia satisfeito com aquela resposta, entretanto se retirou do local sem dizer mais nada. - Aposto que ele está falando pra gente parar de negar o amor que todo mundo precisa receber. - Victoria murmurou revirando os olhos, encarei o envelope preto com detalhes dourados antes de encarar minha irmã. Ela jamais casaria para receber aquele dinheiro, isso era fato. - Vou dispensar todo mundo e deixar a casa somente para nós. - a fuzilei com um olhar e ela entendeu que não deveria dispensar a cozinheira. - Tudo bem, a Mary fica. - Vamos para o meu quarto Alexa. - falei olhando rapidamente a mulher atrás de mim toda molhada e trêmula de frio, ela passou a tossir desesperadamente como se estivesse engasgando. - S-Seu quar..to? - ela ficou mais vermelha que seus próprios cabelos e eu tentei não revirar os olhos por causa da presença do Jack ali. - Sim meu anjo, você precisa de um banho quentinho para não ficar gripada. - dei-lhe um sorriso acolhedor e toquei seu braço a puxando levemente para perto de mim, ainda parecendo desnorteada ela aceitou ser guiada por mim. Caminhamos em silêncio até o segundo andar, adentrei meu antigo quarto que permanecia do mesmo jeito de quando eu era adolescente. Fui até meu guarda-roupa e peguei uma calça moletom e um blusão, coloquei sobre a cama e então esperei que ela viesse buscar mas a ruiva permanecia parada na porta com os braços cruzados. - Harris. - chamei um pouco impaciente. - Tome um banho e mude essas roupas, estarei no corredor até que termine. - ela assentiu com a cabeça e eu resolvi sair daquele cômodo antes que perdesse minha paciência por completo. Mal dei um passo para fora do quarto e encontrei o Justin ali parado digitando freneticamente algo no celular. - Tudo bem entre vocês? - Justin perguntou analisando meu rosto, não fiz questão de lhe responder. - Já publicaram algumas fotos do funeral e tem até mesmo uma foto de vocês duas se abraçando.. - ele falou animado virando a tela do seu celular pra mim, era um pouco desfocada mas o ângulo da foto e a chuva formaram um contraste perfeito para aquele abraço parecer íntimo, o que não tinha sido. - Todo mundo está se questionando quem é essa ruiva linda ao seu lado, o abraço foi perfeito mas essas roupas combinando.. - ele deu gritinho animado deixando a frase no ar, revirei os olhos preferindo não comentar nada. - Ela está no banho. - apontei para a porta fechada atrás de mim. - ele assentiu com a cabeça e me entregou meu celular que ficava mais em sua mão do que na minha. - Respostas curtas e vagas, certo!? - perguntei por hábito antes de abrir minhas redes sociais para ver as milhares de mensagens deixadas nas últimas horas. - Não acho que dará certo. - comentei casualmente mas me arrependi ao ver seus olhos arregalados me encarando. - Para com essa possessão de negatividade. - ele me repreendeu gesticulando excessivamente. - Você que me convenceu de que ela era perfeita para isso! - ele tinha razão, suspirei cansada sabendo que argumentar com ele era algo dificil. - Ela fica vermelha e se engasga com qualquer mínima coisa. - pontuei. - Isso pode ser um problema.. - ele arqueou a sobrancelha esperando que eu continuasse. - Já pensou estarmos em uma reunião de negócios e ela engasgar cada vez que eu lhe dirijo a palavra? - Isso pode ser considerado fofo, pensarão que ela é timida e que está tão apaixonada por você que as vezes perde a fala. - ele murmurou baixinho com um brilho nos olhos. - É um pouco tarde para se arrepender, então pare de buscar desculpas e tente não intimidar ela assim a coitada para de gaguejar e se engasgar tanto. - abri a boca incrédula com sua declaração. - Eu não a intimido. - me defendi mas ele se limitou a soltar um riso sarcástico. - Você não vale o que o gato enterra. - antes que ele rebatesse a porta foi aberta pela Alexa. - Vamos aos negócios. - Justin falou adentrando o quarto e eu fiz o mesmo fechando a porta atrás de mim. Ele se sentou na cama com seus aparelhos e eu fui até uma poltrona no canto do quarto enquanto a Alexa permaneceu ali de pé no meio do cômodo. - Você leu o contrato? - o moreno perguntou a ruiva que se limitou a assentir com a cabeça. - Quer acrescentar alguma coisa? - me inclinei para frente cruzando as pernas e apoiando meu cotovelo nelas para prestar atenção. - Você pode falar a vontade. - Justin sorriu para a deixar confortável. - Eu não gostaria que houvesse nenhum tipo de contato intimo. - ela falou tão baixo que eu tive dúvidas do que havia ouvido. - Sem sexo? - Justin questionou me olhando maliciosamente. - Sem problemas. - falei de maneira firme obrigando meu amigo a parar de me encarar daquele modo. - Tudo ocorrerá de maneira profissional. - Você precisará ir para a Nova York e poderá retornar quando a Taylor não precisar dos seus serviços. - por um instante achei que ela contestaria pela quantidade de vezes que abriu a boca querendo dizer algo porém desistiu e concordou em meio a um suspiro. - Tudo será pago e você tem liberdade para comprar as coisas que quiser, é só assinar agora. - ele deslizou o papel sobre a cama e ela o pegou e assinou rapidamente. - Aconselho vocês a conversarem sobre seus gostos, inventar uma história sobre como se conheceram e se apaixonaram, eu vou programar a semana de vocês e garanto que será super animada! - em um pulo ele se levantou da cama e correu porta afora. Um silêncio desconfortável se instalou, ali naquele momento ela não parecia a Alexa doce que me vendia bolinhos e muito menos a Alexa que me enfrentou quando fiz a proposta, parecia timida e insegura, e não era que fosse algo r**m, eu não conseguia encarar qualquer uma de suas versões como desagradáveis, eu só não sabia como reagir. - Qual sua cor favorita? - ela perguntou coçando a nuca, levantei da poltrona sem lhe responder e peguei meu celular sobre a cama que o Justin havia deixado. Ignorei todas as notificações e abri minha playlist de músicas procurando por uma específica, ao encontrá-la dei play em Dancing with a stranger do Sam Smith, ela era perfeita para o que eu planejava. Quando a melodia preencheu aquele quarto caminhei até a ruiva parada e levando uma mão até sua cintura guiei sua mão até meu ombro, a diferença de tamanho talvez não influenciasse em nada. - Vamos dançar? - ela perguntou logo após engolir a seco, segurei sua mão direita a encaixando dentro da minha mantendo-a erguida no ar. - Eu não sei dançar. - Não é um problema. - sussurrei na intenção de deixá-la mais relaxada. - Esse contrato será como uma dança com um estranho, não nos conhecemos.. - dei um pequeno passo com pé direito fazendo seu esquerdo ir para trás. - mas preciso que confie em mim para te conduzir nisto. - falei olhando fixamente em seus olhos, deslizei minha mão sobre sua cintura trazendo seu corpo para mais perto do meu e dei um passo para o lado fazendo-a repetir meu movimento de um modo meio brusco. Espero que não seja tão dificil assim levar estes meses de relacionamento falso como está parecendo dificil dançar com um robô travado. - Minha cor favorita é roxo. - ela esboçou um sorriso em resposta - é a mistura do rosa com o azul, qual é a sua? - dei um passo para a frente e depois um para o lado sentindo-a fazer o mesmo de uma maneira mais suave. - Gosto do vermelho. - ela comentou de modo tímido. - Sou apaixonada por essa cor. - mantive meus olhos nos seus enquanto arriscava alguns passos leves sem muito movimento. - Você realmente sabe cozinhar aqueles doces todos? - Sim. - soltei seu corpo e segurando em sua mão a fiz dar uma volta retornando para a mesma posição. - Comer sempre foi meu maior prazer até que descobri que fazer era ainda melhor e mais divertido. - ela sorriu deixando expostas suas covinhas. - Por que aceitou a proposta? - seu sorriso vacilou um pouco me fazendo duvidar de que responderia mesmo. - Minha mãe morreu há alguns meses. - ela murmurou de modo melancólico, a música já havia acabado então soltei sua mão abraçando sua cintura permanecendo naquela posição tendo meu pescoço abraçado por seus braços. - Eu acabei ficando com as dividas do hospital e do funeral, não tinhamos casa própria então eu pago o aluguel de onde moro atualmente e tenho uma gata para cuidar.. - ela não me olhou nos olhos novamente e deixou a frase no ar sem fazer questão de completá-la, parecia um assunto muito delicado para ser contado a uma estranha. - Aposto que a causadora desses problemas é esta gata. - ela deixou um riso escapar e eu contive um sorriso ficando contente por fazê-la tirar aquela triste expressão do rosto. - Poderia se livrar dela. - Será interessante ter uma esposa, - ela enfatizou a última palavra de modo sarcástico. - que não goste de gatos, pois a Panqueca morará conosco. - me sentindo levemente incomodada com suas palavras me afastei coçando a garganta. - Espero que suas péssimas decisões se limitem ao nome do gato. - murmurei indo até a cama para pegar meu celular. - Eu preciso realmente que você entenda que necessito do seu comprometimento e seriedade neste acordo. - ela assentiu com a cabeça levando seus braços até as costas. - Envie um email para o Justin com tudo de importante que eu precise saber sobre você, amizades, relacionamentos antigos, as dividas, qualquer coisa do gênero. - Pensei que conversariamos sobre essas coisas. - neguei com a cabeça enquanto respondia algumas mensagens. - Preciso retornar a Nova York amanhã de manhã então pretendo passar esta noite com minha irmã, vou convencê-la a citar nosso relacionamento em sua sessão de fofocas sobre celebridades. - como ela ficou em silêncio ergui os olhos da tela do celular para vê-la ali parada com uma expressão que eu não soube identificar. - Você pode ir para casa organizar suas coisas, amanhã você pede demissão daquele muquifo e seguimos viagem. - guardei o celular no bolso da calça e a encarei esperando alguma resposta verbal mas ela não veio. - Alexa? - Sim? - ela respondeu inocentemente. - Quando eu falar com você me responda, gosto de respostas verbais, ainda não pude me tornar vidente para ler mentes. - ela revirou os olhos me fazendo prender a respiração. - Você precisa me obedecer. - Mas eu nem desobedeci ainda. - ela murmurou e depois se retirou do quarto e só então percebi o que ela havia falado. - Não me desobedeceu ainda? - me questionei indo até o banheiro tomar um banho para relaxar. Eu já podia prever todas as maneiras de como aquilo poderia dar errado. ... Alexa foi deixada em casa pelo Jeremy, após um banho de banheira relaxante, desci até a sala de jogos, Victoria e umas garrafas de cerveja estavam ali há um tempo, me sentei de frente a ela no chão e peguei uma das garrafas abertas. - Onde está o Jack? - perguntei quebrando o silêncio. - Você não está namorando aquela garota de verdade, está? - ela ignorou minha pergunta indo direto ao ponto, eu sabia que aquela conversa não demoraria a chegar mas não acreditava que seria tão rápida. - Sim, namoramos. - aquelas palavras soaram estranhas em minha boca mas não deixei transparecer. - Como arranjou alguém tão rápido assim disposta a querer ficar com você só para que pegue a herança? - ela riu da própria fala de um modo lesado deixando claro que a bebida já havia a afetado, dei um gole na minha cerveja antes de respondê-la. - Ela vai querer te dar um golpe! - A Alexa não é assim. - falei firme não gostando do rumo da conversa. - E eu, não estou com ela por interesse. - menti e ela tentou arquear a sobrancelha mas acabou fazendo uma careta ao invés disso. - Ah não? - neguei com a cabeça a observando sentar-se direito a minha frente. - Há quanto tempo se conhecem? - Alguns meses. - tentei não ser muito específica. - Onde se conheceram? - ela perguntou rapidamente como se aquilo fosse um teste, e de certo modo, era. - Aqui na cidade. - falei mantendo os olhos nos seus para transmitir sinceridade. - Ela trabalha em uma padaria e eu acabei indo até lá comprar coisas somente para ter a oportunidade de vê-la. - ela sorriu maliciosa parecendo se dar por vencida. - Acredito em você maninha. - sorri aliviada. - Finalmente está deixando que alguém faça faxina nesse seu coração. - ela movimentou as mãos no ar de modo atrapalhado me fazendo sorrir. - Vamos jantar e então você me conta como o Jack conseguiu chegar ao nivel de quase namorado. - levantei do chão e a ajudei a fazer o mesmo, a abraçando lateralmente caminhamos de modo desajeitado até a sala de jantar onde Mary começava a pôr a mesa. - Era isso que ele queria. - minha irmã comentou em tom triste quando tomou seu lugar a mesa de frente para mim. Entendendo o que ela havia dito segui seu olhar até a cadeira vazia ao nosso lado na ponta da mesa, vovô dizia que se sentava ali para poder apartar qualquer briga que eu e a Victoria viessemos a ter durante as refeições. - Você leu sua carta? - ela perguntou tirando seu envelope meio amassado do bolso. -Esperei para ler com você. - retirei minha carta do bolso do short mostrando que eu também havia pensado a mesma coisa. Mary surgiu com dois pratos em suas mãos e nos serviu um belíssimo macarrão ao molho branco, dando um beijo no topo de cada cabeça como sempre fez durante nossa infância ela se retirou nos deixando sozinhas novamente e então a Victoria abriu sua carta e me dando um último olhar dirigiu seus olhos a aquele papel branco e suspirou pesarosamente antes de iniciar a leitura em sua voz arrastada e um pouco atrapalhada. "Querida Victoria, Você sempre foi a mais durona e teimosa, não chorava quando caia e batia nos garotos da escola que implicavam com você, sempre soube se defender, e até mesmo quando não sabia, não procurava ajuda. Sei disso porque ficou com chiclete grudado no cabelo o dia inteiro e não permitiu que ninguém a ajudasse a tirar. Agora que eu parti, espero que dê atenção as minhas palavras.. Tudo bem se sentir fraca ou triste, não precisa ter medo de ser humana, é isto que lhe tornará forte, a capacidade de sentir seus sentimentos e ainda manter a postura de inatingível. Não confunda expressar as emoções com fraqueza. Se permita cair em queda livre as vezes, e dar a chance a quem lhe ama de te pegar no colo. Com amor, Vovô." Observei seus olhos vermelhos banhados de lágrimas, ela terminou as últimas palavras escritas de maneira sôfrega e com a voz embargada, eu sabia que ela não se permitiria derramar uma lágrima, preferi não lhe dizer nada, afastando meu prato um pouco trouxe a carta até a frente dos meus olhos, e então, sabendo que talvez minha reação fosse a mesma que a dela, me dispus a ler. "Querida Taylor, Por favor não pense que pode pôr seus sentimentos em uma caixinha, trancar e jogar a chave fora, não poderá prosseguir fazendo isso. Desde pequena você não nos dizia quando estava com fome por medo de incomodar-nos, foi assim que aprendeu a fazer doces maravilhosos desde cedo, mas você não pode continuar pensando que deve permanecer calada por medo de que seus sentimentos possam incomodar. Diga o que sente, o que quer, o que não gosta, faça bagunça, permita que sua voz seja ouvida. Seus sentimentos são importantes, e não incomodam. Se permita dizer, assim mesmo sem pensar muito, o que há no seu coração, o que de pior pode acontecer além de finalmente ganhar atenção? Com amor, Vovô." Dobrei o papel e o guardei no envelope de maneira cuidadosa, respirei fundo tentando não chorar, olhei aquele prato de comida percebendo que havia perdido completamente a fome. - O vovô sempre nos conheceu muito bem e sabia como nos atingir em cheio. - ela me deu um sorriso triste e acabei retribuindo da mesma forma, eu ainda tentava absorver suas poucas, porém certeiras palavras. - Ele nem nos deixou pôr um colete para aguentar um tiro como este. - soltei um riso em meio a um suspiro. Demonstrar os sentimentos, parar de fingir que é inatingível e parar de esconder o que sente. Ele realmente conhecia nossos prontos fracos. Levantei da mesa e dando um olhar para a Wynonna ela decidiu me seguir, subi as escadas até meu quarto e assim que ela entrou fechei a porta. - Amanhã voltamos as nossas vidas em Nova York. - comentei em tom baixo indo até minha cama e deitando nela bati no espaço vazio esperando que ela deitasse ali. - Mas hoje.. - ela murmurou me abraçando fazendo minha cabeça descansar em seu peito, abracei sua cintura sentindo falta daquele contato. - podemos ser só as super Evans - ela usou o nosso codinome secreto me fazendo sorrir. - Eu e você contra o mundo. - respondi fechando os olhos. Amanhã seria o início oficial do plano para ter a herança e a carisma da mídia, mas hoje, éramos só eu e a Victoria pondo de lado cada briga e implicância boba para compartilhar o amor e a dor. O amor que sentiamos uma pela outra, e a dor de perder o vovô.
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