A P R I L H O K I N S
Eu tinha acordado na manhã seguinte com uma p**a ressaca, eu estava fazendo besteiras de mais, talvez devesse parar mas eu não queria.
Eu tomei um banho e me arrumei, a faculdade ainda estava fechada e aquilo tudo começou a se tornar tedioso, eu queria saber o que fazer, então eu peguei um papel e fiz uma lista das coisas que eu precisava.
Fazer compras
Comprar tequila
Conseguir um emprego
Comprar um carro
Colocar as roupas para lavar
Fazer os trabalhos da faculdade.
Não era tanta coisa assim, acho que a mais difícil seria arrumar um emprego, eu sai do apartamento e fui rumo ao supermercado mais próximo, quando cheguei acabei pegando um carrinho e fui em direção às bebidas.
Por que bebidas são tão caras?, é uma coisa na qual vai deixar a gente bêbada pra c*****o e no dia seguinte não iremos saber o que aconteceu, deveria ser mais barato.
Eu peguei uma garrafa de vinho e tequila, depois passei a comprar as coisas realmente necessárias.
A pior coisa é não ter um carro, não sabia que era tão r**m carregar tantas sacolas nas mãos.
Quando eu cheguei no apartamento meus pés estavam doendo, após guardar todas as coisas alguém bateu na porta e eu corri, eu abri e Steve estava ali.
Ele entrou sem ao menos pedir licença, foi até o balcão e pegou a garrafa de tequila.
- Você é nova demais para beber
tequila April. - ele sorriu e balançou a garrafa.
- E você é novo de mais para agir como meu pai. - revirei os olhos.
Tomei rapidamente a bebida da mão dele e a guardei, de seguida eu o olhei e esperei que falasse alguma coisa.
- O que você quer agora? - me encostei no balcão.
- Você podia ser menos chata, só quero conversar. - suspirei.
- Mas eu não, tenho muitas coisas para fazer.
- Oh claro, estou percebendo o tanto de coisas para se organizar que você tem. - ele apontou para a sala.
- Ironia não é seu forte Steve. - cruzei os braços.
- Você não me conhece o bastante para saber disso.
Eu tentava entender porque Steve sempre queria causar uma discursão comigo, eu só queria que nós ficássemos bem, eu estava cansada desse nosso clico vicioso.
- Eu te odeio.
- É recíproco. - ele murmurou.
- Steve por favor, vai embora. - fechei os olhos por breve segundos.
- Só me deixe concertar as coisas April, eu prometo não f***r a sua cabeça novamente.
Ele estava prometendo algo na qual nunca iria cumprir, porque no fundo eu sabia que ainda era cedo demais para tudo dar certo, ele ainda iria f***r muito a minha cabeça.
- Só quero que você vá embora. - eu relaxei depois de dizer isso, eu me senti bem.
- É isso mesmo que você quer? - apenas assenti - Vá se f***r então April.
Eu não tive tempo de falar nada, ele apenas saiu e bateu à porta com força, eu queria gritar, bater nele até minhas mãos doerem, mas eu apenas peguei minha garrafa de tequila que tinha guardado e me sentei no sofá novamente, lá vamos nós mais uma vez.
»»»
Minha mãe não me ligou, muito menos me mandou uma mensagem, eu acho que ela não estava preocupada a ponto de vir atrás de mim.
Naquela mesma noite eu dormi no sofá, e na manhã seguinte eu estava acabada, o meu banho foi tão rápido por eu estar atrasada na faculdade que quase acabei esquecendo da minha bolsa. Quando eu cheguei na faculdade meus passos passaram a ser bem mais rápidos, quando eu entrei na sala todos os olhares foram para mim o grande problema foi que pela primeira vez eu vi Sunny na mesma aula que eu. Eu ignorei as palavras da professora e me sentei, enquanto a aula passava normalmente Sunny resolveu falar com a garota atrás de mim, eu deveria ficar irritada ou até mesmo mandar ela calar a boca mas quando eu escutei o nome de Steve resolvi apenas escutar.
- Ele me procurou ontem à noite, deus foi a melhor transa que já tivemos. - ela gargalhou.
Eu escutei mais algumas coisas básicas sobre o quanto ela estava apaixonada e depois que eles iriam em um bar hoje, eu ignorei o resto da conversa, mas ainda sim meus pensamentos foram se eu deveria ir ou não ao bar, eu estava cansada de mim mesma por querer ficar com Steve.
Como eu podia ser tão patética?.
Minha cabeça estava doendo tanto naquela manhã que eu pensei que ela iria explodir, quando todos os alunos começaram a sair da faculdade eu queria gritar por não termos o resto das aulas.
Eu resolvi ir atrás de um emprego, já estava na hora de eu me sustentar sozinha, tenho certeza que minha mãe não irá me dar nenhum dinheiro.
Eu andei, depois andei muito mais, e finalmente achei uma cafeteria na qual precisava de garçonete, eu quis sair abraçando as pessoas a minha volta, eu estava feliz.
Não demorou muito tempo quando eu entrei e a dona falou que eu já poderia começar na próxima semana, eles realmente precisavam de garçonete já que nem me pediram nada, mas eu fiquei ansiosa, queria começar o quanto antes.
Eu estava andando rumo para o meu apartamento quando eu vi um lugar na qual eu sempre quis ir, um estúdio de tatuagem, eu estava animada, mas era medrosa para entrar lá.
Quando eu cheguei em frente ao prédio Peter estava ali, o cabelo bagunçado, a camisa social amaçada e o rosto totalmente machucado, eu não pensei duas vezes antes de correr até ele é ajudá-lo.
Nenhum de nós falou nada quando entramos no elevador, eu estava curiosa para saber o que tinha acontecido, quando chegamos no meu andar eu descolei as chaves rapidamente e abri a porta.
Peter se queixou de dor quando eu o coloquei no sofá e corri para pegar algo útil dento do banheiro, quando eu voltei para sala ele respirava fortemente e as mãos tremiam.
- O que aconteceu? - eu me ajoelhei em frente há ele, de seguida deslizei minhas mãos até o rosto do mesmo.
- Eu te perguntei April, se você namorava Steve e você falou que não. - ele murmurou, a voz estava embargada pelo choro então eu tive dó só de imaginar Peter chorando. - E então de repente Steve me ataca feito um louco, ele me mandou ficar longe de você ou da próxima vez me matava.
Eu tentei raciocinar tudo aquilo, como Steve foi capaz?, aquele grande filho da p**a, ele não tinha diretor de ferir as pessoas dessa maneira.
- Me desculpe Peter, ele realmente está fora de si. - peguei o pano molhado e passei sobre as mãos dele.
- Você não tem culpa, eu nem sei porque estou aqui. - ele suspirou e ficou um bom tempo em silêncio. - Mas eu sabia que você seria a pessoa mais certa para cuidar de mim.
Eu corei e abaixei minha cabeça, odiava quando as pessoas me deixavam desconfortável.
- Não diga essas coisas Peter, eu fico com vergonha. - ele jogou a cabeça para trás e gargalhou.
- Me desculpe April, não sabia que era tão inocente assim. - eu me ajeitei no chão e apertei fortemente o braço dele.
- Quieto. - murmurei - Eu nunca disse que era inocente, você quem está falando suas próprias conclusões.
Ele mordeu o lábio inferior e de seguida me puxou para se sentar ao seu lado.
- Você é tão perfeita. - sorri.
- Obrigada, eu acho. - passei minha mão sobre o cabelo e o olhei.
Peter se aproximou de mim, eu tentei entender quando ele segurou minhas mãos e entrelaçou com as suas, ele se aproximou muito mais e de repente eu senti sua respiração bem perto da minha boca, ele iria me beijar, mas d***a, eu não estava pronta.
- Peter? -dei uma falsa tossida tentando chamar a atenção dele.
- Desculpe April, eu estava fora de mim. - apenas assenti.
- Tudo bem, só lembre que nós dois resolvemos ser amigos. - ele suspirou mas concordou de seguida.
Nós paramos de falar durante um tempo e alguém começou a bater na porta fortemente, revirei os olhos enquanto me levantava e ia até a porta, eu olhei pela fechadura da porta e tomei um susto quando vi Steve encostado na parede.
- Meu deus, você precisa se esconder Peter, se Steve te ver eu nem sei o que ele é capaz de fazer. - coloquei as mãos sobre a cabeça e passei a andar de um lado para o outro.
- April fique calma e abra a porta, ele não é tão i****a assim, de qualquer modo não estamos fazendo nada demais. - apenas suspirei e abri a porta, ele entrou e parou quando viu Peter no sofá.
- Esse grande i****a resolveu correr para você. - Steve gargalhou. - Não aguentou a surra e resolveu contar pra ela, seu fudido. - ele gritou.
Peter se levantou rapidamente e então eu me coloquei entre eles dois.
- Se vocês querem brigar vão lá pra fora, eu não vou tolerar isso aqui dentro. - gritei.
- Foi ele quem começou April. - Peter apontou.
- f**a-se, agora saiam os dois do meu apartamento, Peter nós se vemos na faculdade amanhã, e Steve, apenas continue longe de mim. - eu abri a porta e os dois saíram rapidamente.
Eu estava orgulhosa de mim mesma, consegui contornar uma situação e ainda ficar em paz eu realmente estava indo bem.
- Não me mande ir embora, porque eu quero conversar com você. - eu olhei para trás e Steve estava novamente dentro do meu apartamento.
Nunca esquecer de fechar a porta, tenho que me lembrar disso na próxima vez.
- Você tem cinco minutos.
- Me desculpe por tudo o que eu fiz com você, só vamos tentar fazer com que as coisas deem certo. - arregalei os olhos.
- Steve, eu estou tentando fazer isso dar certo desde o primeiro momento em que você falou comigo. - soltei de uma vez.
- Me desculpe novamente, eu nunca tive nada além de s**o com as garotas isso está me matando. - eu sorri.
Aquilo estava realmente acontecendo, ele finalmente resolveu sair do nosso ciclo vicioso e tentar tornar as coisas melhores, eu estava gostando daquilo.
- Vamos ir devagar, primeira coisa que nós devemos fazer e se conhecer melhor. - ele deu de ombros.
- Minha cor preferida é preto.
- Steve. - o olhei. - Estou falado sério.
- Tudo bem, eu acho que posso fazer isso. - ele parou e ficou em silêncio por um momento. - Antes de tudo, eu odeio essas coisas bregas, como ir ao cinema, dar flores e jantares.
- Vou fingir que quando nós fomos " comer alguma coisa " aquele dia. - fiz aspas com o dedo. - Não foi nada.
- Aquilo foi uma exceção. - ele se sentou.
- Outra coisa, isso não vai ser um namoro, por enquanto lembre-se, apenas estamos começando a nos conhecer então não tente nada impróprio. — ele assentiu.
- Prometo, sem mãos ou dedos. - ele jogou as mãos para cima e sorriu.
- Você é tão i****a Steve. - me sentei ao lado dele.
- Isso é estranho, a gente m*l se conheceu por mais clichê que essa p***a toda seja eu não consigo me afastar de você. - murmurou.
- Isso é bom, porque eu também não consigo. - eu senti que ele estava olhando para mim, mas não tive coragem de olhar de volta.
- April. - ele tossiu. - Eu realmente quero você.
Steve não era perfeito, muito menos eu, mas ainda sim nós fomos rápidos demais e eu queria que desse certo do jeito que estávamos pensando.
Porém as coisas sempre desandam, ele tentou, depois tentou mais uma vez, mas no fundo ele sabia que não conseguia ficar apenas comigo porque de qualquer jeito eu não poderia mudá-lo.
Ele me fez passar os melhores momentos de um relacionamento, como também os piores, ele disse que não queria algo clichê mas nem percebeu que tudo o que estávamos fazendo era um clichê péssimo.
Ele me machucou, o problema não foi o tamanho dessa ferida, mas sim que no final ele não se importou apenas me deixou ir embora, mas de qualquer jeito eu fui burra de mais porque eu já sabia que ele nunca se importava com nada.
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