Capítulo 32

747 Palavras
Rick Dowson O barulho seco das folhas esmagadas sob pés furtivos fez meu coração disparar. Virei a cabeça rapidamente, minha mão já firmemente envolta no cabo da adaga. A floresta ao redor parecia prender a respiração, como se soubesse que algo estava prestes a acontecer. Ayla parou ao meu lado, os olhos afiados como os de uma predadora à espreita. A menina, no entanto, permaneceu imóvel, como se não percebesse o perigo iminente. — Não estamos sozinhos. — Minha voz saiu baixa, quase um rosnado. O ar ficou mais denso, carregado com o cheiro úmido da floresta e algo mais — algo que não pertencia àquele lugar. Ayla deslizou a lâmina da bainha, seus músculos tensos. O silêncio voltou, mas não era reconfortante. Era o tipo de silêncio que antecedia uma caçada. — Continue andando. — Ela murmurou, sem tirar os olhos da escuridão. Assenti e tomei a dianteira, cada passo ecoando como um aviso. A escuridão parecia se mover, sombras se alongando, se retorcendo… mas não era apenas minha imaginação. Algo estava ali. Algo vivo. — Ayla… — comecei, mas ela já estava olhando para a mesma direção que eu, os olhos arregalados. Então, das sombras, a criatura emergiu. Não era um animal, tampouco um homem. Sua forma era distorcida, indefinida, como se a própria escuridão houvesse ganhado vida. O ar ao redor dela tremulava, como se o mundo estivesse se contorcendo para moldá-la. Meus instintos gritaram para correr, mas algo dentro de mim sabia que não havia escapatória. Ayla ergueu sua lâmina, os olhos fixos na aberração. — Proteja a menina. — Sua voz era um fio de aço, carregada de comando. Respirei fundo, me posicionando ao lado da criança. O que quer que estivesse à nossa frente, eu sabia que aquilo era apenas o começo. Horas depois, a tensão continuava fincada em nossos ossos. A cada passo, algo parecia nos observar. O cheiro de magia impregnava o ar — não uma magia pura, mas algo antigo, corrompido, doente. Levantei uma mão para sinalizar que parassem. — Estamos sendo seguidos. — Murmurei. Ayla puxou a menina para mais perto, os olhos varrendo as árvores ao redor. — São sombras? — Não. — Fechei os olhos por um momento, sentindo a presença. Isso é humano. Antes que Ayla pudesse responder, o som cortante de uma flecha rasgou o ar, zunindo perigosamente perto de mim antes de se cravar em uma árvore. Minha reação foi instantânea. Um rosnado baixo escapou dos meus lábios enquanto minhas garras se manifestavam. Meu corpo se moveu por instinto, girando para encarar os inimigos. — Mostrem-se! — Minha voz reverberou na floresta. Por um momento, tudo permaneceu imóvel. Então, das sombras, dois homens emergiram. Seus sorrisos cínicos eram tão afiados quanto as lâminas que seguravam. Não eram simples saqueadores. As armas que carregavam exalavam magia, uma mistura estranha de ferro e algo etéreo, algo que queimava minhas narinas. — Vocês se afastaram demais da aldeia, não acham? — Um deles zombou, apontando a espada para nós. Ayla deu um passo à frente e, no instante em que o fez, o símbolo em sua mão brilhou, um pulso de luz suave e ao mesmo tempo intimidador. — Deixem-nos passar. — Sua voz era firme. — Não queremos problemas. Os homens riram. — Problemas? Vocês carregam um símbolo como aquele e acham que vão sair daqui vivos? Eu não esperei. Avancei como uma tempestade, rasgando o ar com as garras. O primeiro homem tentou se defender, mas fui mais rápido. O choque do impacto o jogou no chão, sua lâmina escapando de seus dedos. O segundo ergueu a espada, pronto para atacar Ayla. Mas ela já estava preparada. Uma explosão de luz saiu de sua mão, como se o próprio símbolo houvesse despertado. A energia atingiu o homem com força brutal, jogando-o contra uma árvore. Ele caiu desacordado. O silêncio tomou conta do local novamente. Meu peito subia e descia pesadamente. A adrenalina ainda fervia em minhas veias. Ayla se aproximou, os olhos fixos nos corpos caídos. — Você disse que ninguém sabia sobre o símbolo. — Minha voz era um misto de incredulidade e raiva. O olhar dela era sério, mas por um breve instante, vi um lampejo de dúvida. — Não deveriam saber. — Murmurou, os dedos apertando a lâmina. — Isso significa que estão nos observando. Mais do que imaginávamos. E se sabiam sobre o símbolo… então sabiam sobre nós. O perigo que nos rondava era muito maior do que imaginávamos.
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