Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Ayla Solano
O vento cortava a noite como um sussurro de alerta, deslizando por entre as árvores altas e espalhando o aroma úmido da floresta. Algo pairava no ar, denso e inquietante. Cada sombra parecia se mover, cada farfalhar das folhas parecia conter um segredo. Eu estava sozinha, mas a sensação de ser observada me envolvia como um peso invisível.
Meu coração acelerou. Não era medo. Era instinto.
Então, ele surgiu.
Rick emergiu das sombras como se fosse parte delas, os olhos âmbar brilhando sob a luz prateada da lua. Ele não tentou esconder o que era — não havia necessidade. O poder fluía de cada linha de seu corpo, uma força bruta que me fez prender a respiração.
Seus olhos me prenderam, como se pudesse enxergar além da minha pele, além dos meus pensamentos. Cada passo que ele dava fazia o ar vibrar com uma tensão inexplicável.
— Quem é você? — Minha voz saiu firme, mas por dentro, eu sentia o caos se desenrolar.
Ele não respondeu de imediato. Apenas me observou, com um olhar que despia camadas da minha alma. Quando finalmente falou, sua voz soou grave, rouca, carregada de algo que fez um arrepio percorrer minha espinha.
— Rick.
O nome pairou entre nós, carregado de um significado que eu ainda não compreendia. Ele não se moveu, mas sua presença avançava sobre mim como uma onda prestes a me engolir.
— Por que você está aqui? — Ele perguntou, a
voz mais baixa, mas ainda mais intensa.
Engoli em seco, a mentira dançando na ponta da língua, mas não consegui soltá-la.
— Eu... não sei.
Mas eu sabia. Eu sentia. Algo nele me atraía de forma primitiva, como se meu corpo reconhecesse algo que minha mente ainda tentava negar. A força, o perigo, a presença esmagadora — tudo nele me chamava como uma promessa proibida.
Rick inclinou a cabeça, estudando-me com aquele olhar de predador. Seu rosto surgiu na luz, revelando traços fortes, uma mandíbula marcada, lábios que prometiam tanto perigo quanto prazer.
Eu deveria correr. Eu sabia que deveria.
Mas não corri.
— O que você quer? — Minha voz saiu como um sussurro, carregada de uma tensão que eu não conseguia controlar.
Ele deu mais um passo, e mesmo sem tocar-me, senti sua presença me cercar por completo. Então, ele respondeu, sem hesitação, sem espaço para dúvidas.
— Você.
O mundo pareceu parar.
O som da floresta desapareceu, e por um instante, só existíamos nós dois. Sua palavra não foi apenas uma resposta, foi uma ordem. Foi um destino traçado antes mesmo de eu entender que ele existia.
Minhas mãos apertaram instintivamente o símbolo que eu carregava, um lembrete de quem eu era, do que eu não poderia esquecer.
Mas quando olhei novamente para Rick, soube que aquela noite mudaria tudo.
— Por quê? — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, mas nem mesmo eu conseguia ignorar o arrepio que percorreu minha espinha.
Rick avançou mais um passo, sua presença avassaladora preenchendo o espaço entre nós. O calor que emanava dele era sufocante e, ao mesmo tempo, sedutor.
— Porque você é minha. — Sua voz era grave, carregada de certeza. — Desde o momento em que senti seu cheiro na brisa, soube que nunca mais poderia ignorá-la.
Minha mente gritava para me afastar. Meu corpo, no entanto, parecia ter sua própria vontade. Ele era um fogo que queimava sem tocar, uma ameaça e uma promessa ao mesmo tempo.
— E se eu não quiser ser sua? — desafiei, minha voz levemente trêmula. Uma provocação inútil. No fundo, eu sabia que aquela batalha estava perdida antes mesmo de começar.
Rick sorriu, um sorriso lento e perigoso.
— Você já é. Não há escolha nesse jogo, Ayla.
As palavras deveriam soar como um aviso. Talvez até como uma sentença. Mas, em vez disso, despertaram algo dentro de mim. Algo que eu não sabia que existia. Selvagem. Primitivo.
Ele não era apenas um lobo. Ele era um enigma que eu estava destinada a desvendar.
Rick se aproximou ainda mais, invadindo meu espaço, e eu não recuei. O calor que irradiava de seu corpo parecia me puxar, um ímã que eu não conseguia resistir. Seus olhos estavam cravados nos meus, e fugir daquele olhar era impossível.
— Seu coração está acelerado. — Ele inclinou levemente a cabeça, como um predador avaliando sua presa.
Tentei manter a compostura, mas minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria.
— Não posso controlar isso.
Eu estava fascinada. Ele era perigoso, sim, mas também era algo mais. Havia uma beleza em sua selvageria, um magnetismo que me envolvia como um feitiço.
Seu cheiro era inebriante — terra molhada, madeira e algo indomável. Meus instintos gritavam para eu correr. Mas, ao invés disso, dei um passo mais fundo na armadilha.
Rick ergueu a mão, os dedos pairando a centímetros do meu rosto, como se testasse minha reação. Minha respiração ficou presa na garganta.
— Você não entende o que está sentindo, mas eu sei. — Sua voz era um sussurro rouco, carregado de uma intensidade que me fez estremecer.
Minhas pernas estavam firmes, mas meu corpo inteiro ansiava por ele. Eu estava quebrando minhas próprias regras, me rendendo a algo que não conseguia controlar. Ele observou meu rosto como se memorizasse cada detalhe.
E então, suas próximas palavras selaram meu destino.
— Você é minha, Ayla. Sempre foi.
Minha respiração falhou por um segundo. Ele não disse aquilo como uma possibilidade, mas como um decreto.
E o mais assustador? Parte de mim quis acreditar.
Rick se afastou lentamente, como se soubesse que a ausência de sua presença seria um castigo. A escuridão o engoliu, mas sua energia permaneceu no ar, me envolvendo como um fantasma.
Fiquei ali, imóvel, tentando processar o que acabara de acontecer.
Meu coração ainda batia forte, um ritmo irregular que parecia ter vida própria. O ar da floresta carregava seu aroma, como se ele tivesse se impregnado em cada folha, em cada sopro do vento.
Olhei para minha mão, apertando instintivamente o símbolo que sempre me trouxe conforto. Mas agora, ele parecia diferente. Mais quente. Pulsante. Como se estivesse reagindo a algo muito maior do que eu poderia compreender.
Minhas pernas tremiam levemente, mas eu não me movi. O vazio que Rick deixou ao se afastar era como um abismo, um espaço impossível de preencher.
Ele havia despertado algo dentro de mim.
Algo que eu não sabia que existia.
Algo que eu não poderia — e talvez nem quisesse — conter.
Eu deveria estar preocupada com o que acabara de acontecer. Deveria questionar o significado das suas palavras, tentar entender por que sua presença mexia tanto comigo. Mas, em vez disso, só conseguia pensar no olhar dele.
Na forma como seus olhos âmbar queimavam sobre mim, intensos, certeiros, como se enxergassem algo que ninguém mais via.
Algo dentro de mim.
Eu sabia que estava prestes a cruzar um limite perigoso, um caminho sem volta. Rick não era apenas um lobo. Ele era um mistério, uma força indomável, algo que desafiava toda lógica.
E, por mais que a prudência gritasse para eu correr, havia outra parte de mim que se recusava a fugir.
Não queria lutar contra isso.
Contra ele.
Era irracional. Insano. Mas a verdade pulsava dentro de mim como uma revelação inevitável: ele era o meu destino.
E, pela primeira vez na vida, eu estava disposta a me render ao desconhecido.