Capítulo 5

1452 Palavras
REBECCA O punhado de crianças cantarola e bate palmas animadamente em torno do garoto Pedrinho, que está, tímido, recebendo atenção em frente ao seu bolo de aniversário de 8 anos. — Muitas feeeeelicidaaades, muitos aaanos dee vidaaa! É pique, é pique, é pique, é pique, é pique! É hora, é hora, é hora, é hora, é hora! Ha-tim-bum! Pe-dri-nho! Pe-dri-nho! Aeeee! — Continuo a bater palmas, animada, esperando o menino assoprar a vela. O pequenino me olha, sorridente, e, em seguida, fecha os olhos para fazer um pedido, assim como eu lhe ensinei. Logo depois sirvo generosos pedaços de bolo para a fila que se formou em minha frente, enquanto Aria e Gefersson servem o refrigerante. Nós três somos parte de um grupo de voluntários da fundação Bruna Rodrigues. Ela é a idealizadora do projeto. Pobre, n***a e residente do complexo do Alemão, sua situação era pouco favorável e a jovem não tinha chances de realizar o sonho da sua vida: ser cardiologista. No entanto, indo contra todas as objeções, em meio a esforços em dobro, humilhações e comprometimento, ela conseguiu uma bolsa de estudos no Mato Grosso do Sul e foi morar com a tia-avó para prosseguir com o seu sonho. Anos depois, Bruna retornou ao Rio com o seu diploma e recursos para abrir a própria clínica. Casada com um cirurgião, tem influências na política e usa todas as suas armas para beneficiar a comunidade. — Beky, adivinha qual foi o meu desejo? — Pedrinho me pergunta, aproximando-se de mim com o canto da boca lambuzado de chantilly azul. Encaro a cabeleira loira do pequeno e passo as mãos nela, pensativa. — Deixe-me pensar. Pediu uma pipa? — Quase isso. — Pediu um par de tênis? — Não. — Ele ri. — Eu disse que é quase uma pipa. Não tem nada a ver com tênis. — Você quer um aviãozinho que voa de verdade? — Quase acertou. Eu quero ser piloto de avião quando crescer. — Olha, gostei. Você vai viajar para vários países e conhecer muitas pessoas. Tenho certeza de que vai ser divertido. — Sim. Igual ao homem da novela da minha mãe. Por isso que eu quero ser piloto. Quero ver o mundo lá de cima para poder enxergar as diferenças que as pessoas tanto falam. — Pois continue estudando bastante, como tem feito, que eu tenho certeza de que vai ser você quem vai me levar para a França. O menino abre um sorriso e abraça as minhas pernas. Afago o seu cabelo outra vez. É tão macio. — Ei, pivete, deixe a Rebecca em paz. Ela também quer comer bolo. Vaza daí — Popó, o irmão do Pedrinho, ralha com ele. O adolescente de 13 anos possui um comportamento diferente das demais crianças. O que pode ser por sua idade mais avançada, que lhe dá mais conhecimento e envolvimento sobre tudo, resultando em receio e autodefesa. — Popó, e você? O que quer ser quando crescer? — questiono. — Eu já cresci, Rebecca. — Cresceu? — Coloco a mão em sua cabeça, medindo a sua altura e a comparando à minha. — Acho que você vai crescer mais. Vai crescer tanto, que será mais alto que eu. — Se eu crescer mais que você, posso ser o seu namorado? — Até lá, eu vou estar velha. Tenho certeza de que não terá olhos para mim. — Ecaaa! — Pedrinho estala a língua e sai correndo. Popó vai atrás dele, provavelmente, fugindo do assunto. Duas horas depois, Gefersson e eu estamos arrumando e limpando toda a bagunça que ficou no salão. Temos o nosso espaço, mas, infelizmente, não são todos que se sentem confortáveis para o frequentar e aproveitar tudo que oferecemos. — Aria me disse que você queria falar comigo, hoje cedo — Gefersson comenta assim que me ajuda a arrastar uma mesa para a devolver ao seu lugar. — Eu quero convidá-lo para ir jantar lá em casa hoje. Vi meu pai comprando carne ontem à noite. Acho que ele está planejando um churrasco. — Pode deixar. Vou estar livre nessa noite. — É claro que vai. Sorrio, cheia de segundas intenções. Já faz meses desde a última vez que montei em um m****o, e o do Gefersson vai me servir bem. Ele parou de dar em cima de mim. Deve ter desistido depois de todas as minhas recusas. Mas tenho convicção de que é só eu estalar os dedos, que vou tê-lo em minha cama. Escondida dos meus pais, óbvio, e, principalmente, do meu irmão. Mas eu dou um jeito. Sempre consigo. Volto para casa, cansada, e vou direto para o banho. Debaixo do chuveiro, mergulho a cabeça na água. Gosto desta sensação. — Eu não nasci gay, a culpa é do meu pai, que contratou um tal de Wilson pra ser capataz. Eu vi o bofe tomar banho, e o tamanho da sua mala era demais. Além de linda, era demais. Eu virei gay, me assumi... — Cantar no chuveiro é um vício. Acho que, em outra vida, eu seria cantora. Depois do banho, enrolo-me na toalha e me deito na cama, exausta. Adormeço em um sono gostoso. (...) — Beky! Você está aí, filha?! Acordo, assustada, com o meu pai me chamando na porta do meu quarto. — Oi, pai! Estou aqui! — Vá ajudar a sua mãe com as coisas! Vou fazer um churrasco pra nós! Vou dar uma saída com o seu irmão pra comprar carvão! — Já vou! Acabei de sair do banho! Corro para me vestir. Coloco uma saia vermelha longa, no estilo cigana, e uma camiseta branca com uma pomba de símbolo da paz ilustrada. Faço uma trança no cabelo e coloco uma presilha na franja. A minha franja é longa, mas eu me acostumei com essa presilha. Culpa da minha mãe. Eu posso não ter nenhuma i********e com a moda, mas compenso tudo em minha personalidade e isso não faz diferença para mim. Sempre consigo deixar a impressão que quero, independentemente das roupas que uso. Olho no meu celular e vejo que Gefersson chegará em cinco minutos. Dou uma organizada no meu quarto, principalmente na cama. “Venha direto para o meu quarto. Pule a janela. O portão está aberto. Só a minha mãe está em casa, e ela não escuta muito bem.” Logo vem a resposta: “Ui. Isso quer dizer que eu, finalmente, vou poder t*****r com a minha amiga?” “Venha logo, antes que eu mude de ideia, e antes que o meu pai chegue.” E, principalmente, antes que eu perca o interesse. Preciso aproveitar que só tem a minha mãe em casa. Não demora muito, e eu vejo a sombra na janela. Abro-a para ele entrar. Junto com ele, entra o seu perfume masculino que tanto me fez falta. Não dele, mas dos homens em geral. — Oi — ele me cumprimenta, lambendo os lábios e me olhando dos pés à cabeça. — Tenho um presentinho para você. — Ergo a camiseta, exibindo os meus s***s desnudos, pois estou sem sutiã. — Uau! — Gefersson resmunga, paralisado. — Você gosta? — Estou louco pra mamar neles. Faço um sinal para que ele continue onde está, abaixo a saia e fico só de calcinha. — Tire as roupas e se deite na minha cama — eu ordeno, e ele, prontamente, obedece, parecendo um cachorrinho louco pelo seu osso. — Vem aqui, vem, gostosa. Transamos com pressa, e logo eu o coloco para correr. Gefersson se levantou e vestiu suas roupas tão rapidamente, que quase não percebi. Ele sai pela janela e eu me levanto, pensando na possibilidade de tomar outro banho. Mas iria demorar demais. Visto-me, desmancho a trança para a refazer, e, tão rápido, estou na cozinha. — Mamãe, desculpa a demora. No que posso te ajudar? — Beijo a sua bochecha, torcendo para ela não ter nenhuma revelação sobre o que acabei de fazer. Ela, certamente, pensa que ainda sou pura. — Graças a Deus! Por favor, leve suco para o Luiz Otávio. Seu irmão precisou sair com o seu pai e deixou o rapaz sozinho lá na sala. Fique com ele até Elias chegar. Eu estou atolada aqui. — Pode deixar, mãe. Eu farei companhia ao amigo do meu irmão. — Sorrio, fingindo não estar curiosa para, finalmente, conhecer o misterioso Luiz Otávio pessoalmente. Vi uma foto dele no perfil do meu irmão. E se aquela foto for real, o homem é, simplesmente, celestial. A beleza do seu rosto não é deste mundo. Enfim, estou ansiosa para lhe levar suco e poder matar a minha curiosidade sobre ele. Elias não me falou muito dele, o que deixou um mistério no ar.
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