LUIZ OTÁVIO
— Tranquilo. Vou adorar conhecer melhor a sua mãe — respondo ao Elias depois de ele se explicar, dizendo que precisará sair com o seu pai por alguns minutos.
Típico. Ele adora fazer isso. Mas, de boa, eu sou um homem de 27 anos; não me importo nem um pouco em ficar na companhia de uma senhora que deve ter uns 50 e da sua filha de 19 anos. Especialmente da sua filha. Isso não me incomoda nem um pouco.
Enquanto a senhora Rose não vem me receber na sala, fico em pé, em frente à estante, observando as fotos da família Santiago. Não são fotos com poses especiais, e sim de momentos especiais, como, por exemplo, uma do senhor Moisés usando um chapéu, sentado em uma cadeira de frente para uma lagoa, carregando uma garotinha de aproximadamente 2 anos em seu colo, e com um garoto, o Elias, em pé ao seu lado, segurando uma vara de pesca.
— Luiz, você é tão bonito. — A senhora Rose chega por trás de mim e eu me viro para ela, que está enxugando a mão no avental. — Não se incomode em me ver atarefada. Esse povo deixa tudo para eu resolver.
A senhora é uma mulher bem conservada e atraente aos meus olhos de uma forma inocente. Tem um brilho no rosto dela, o brilho de alguém que é feliz. O mesmo brilho que eu sempre vi em minha avó. Ela possui as feições do filho e o seu cabelo está preso em um coque muito bem penteado.
— Muito prazer em, finalmente, conhecê-la. A senhora que é linda. Me deixou constrangido com o elogio, mas muito obrigado — falo com sinceridade. — Eu posso ajudá-la com os seus afazeres, senhora. Posso fazer o que quiser.
— Não me humilhe desse jeito, menino. É a sua primeira vez em minha casa. Acha que eu o deixaria trabalhar?
Fico sem jeito com as palavras firmes que saíram da boca dela.
— Não. Longe de mim deixá-la desconfortável.
— Então se sente e aguarde o copo de suco que vou preparar para você.
— Sim, senhora. — Sento-me como um robô seguindo ordens.
— Logo Rebecca vai descer para me ajudar, então não se preocupe.
— Sim, senhora.
Agora entendo o Elias. Sua mãe parece ser controladora. Amavelmente controladora. Eu não consigo encontrar forças nem escapatória para a contrariar.
Fico alguns minutos sentado. Logo minha bexiga aperta e eu preciso urinar. Caminho até o corredor, por onde a senhora Rose foi, e sigo até o final. Ouço o som da sua voz cantarolando uma canção.
— Senhora Rose?
— AHHH! QUE SUSTO! O SANGUE DE JESUS TEM PODER! — Ela derruba a panela que estava lavando, e isso faz um barulho ardido na pia.
— Perdão, senhora. Eu preciso ir ao banheiro. Não quis assustá-la.
Ela se recupera antes de me responder.
— Use o banheiro de cima, pois o de baixo está uma bagunça. Elias tomou banho lá e eu ainda não o arrumei. Aquele menino me dá muito trabalho.
— Não me incomodo com banheiro molhado, senhora Rose.
— Quer me matar de vergonha, menino? Acha que sou do tipo que deixa as coisas de qualquer jeito?
— N-não. I-imagina.
— Então, por favor, use o outro banheiro. E se encontrar a Rebecca lá por cima, peça para ela vir imediatamente — pede com o tom um pouco mais brando desta vez. — Ah... Aquela menina.
— Sim, senhora — respondo prontamente.
Prevejo muitas ordens recebidas da senhora Rose.
Caminho de volta para o corredor. Entre a sala e a cozinha tem uma escada, a qual subo. No andar de cima tem quatro portas; duas no lado direito, uma no lado esquerdo e outra de frente. Todas fechadas.
Que grande p***a. Qual delas é a do banheiro?
Se eu fosse o engenheiro desta casa, iria planejar o banheiro na segunda porta do lado direito. Espero estar certo. Não quero ser flagrado bisbilhotando nada. Também não quero me esbarrar com a senhorita Rebecca em um lugar tão íntimo para ela, quero conhecê-la lá embaixo. Por isso abro a porta lentamente. A pouca luz não me permite enxergar nada de imediato para eu me certificar se aqui é o banheiro ou não. Portanto, preciso ficar alguns segundos observando a visão do ambiente pelo reflexo no espelho. Quando me dou conta de onde estou e do que está acontecendo, fico paralisado.
Uma moça nua com os p****s empinados para cima, com os olhos fechados, arcando o corpo para frente e para trás em um ritmo acelerado.
— Que delícia, Beky. Você é muito gostosa — diz a voz do homem por trás do corpo delicado e tomado pelo prazer.
— Aahh! — ela solta um gemido tão gostoso ao seu ouvido.
Involuntariamente, o meu m****o reage por dentro da calça.
— Isso! Vai, safada! É assim que eu gosto.
Dou-me conta de que os estou olhando por tempo demais e encontro forças para fechar a porta cuidadosamente para não ser descoberto.
Mas que c*****o! Estou parecendo um maníaco tarado. Encosto-me na parede, tentando controlar a respiração. Eu nunca, absolutamente nunca, tinha visto uma mulher nua pessoalmente, e hoje vi a p***a da irmã do meu amigo.
Caminho para a porta seguinte e a abro. É o banheiro desta vez.
Merda! Isso não está acontecendo.
Entro no cômodo e abro o zíper da minha calça, mas é impossível eu urinar agora, com o meu p*u duro e louco de t***o pela cena quente e gostosa que acabei de presenciar. Mas não, eu não vou me tocar. Isso seria horrível. Eu não sou um tarado. Preciso me concentrar e vencer esta vontade de me masturbar. Não quero b*******a pensando na irmã mais nova do meu amigo.
Que c*****o! Será que aquela escultura se relacionando em frente ao espelho era mesmo a irmã do Elias? Infelizmente, eu sei que é, pois me lembro muito bem da voz do sujeito a chamando pelo nome dela durante o ato.
Vou até a torneira e a ligo, deixando sair a água de dentro do cano. Enfio a cabeça embaixo dela e lavo o rosto. Pensando em outras coisas, tento me esquecer do que está acontecendo neste exato momento no quarto ao lado. Afinal, relação s****l é uma coisa normal. Absolutamente normal. Tenho que vencer esta vontade insuportável de me masturbar.
Cabelos de sovaco, vovó banguela, piolho de cachorro... Já me acalmei. Agora posso urinar tranquilamente. É só eu não pensar no que vi. Urino e volto para a sala o mais rápido possível, evitando olhar para os lados. É como se alguém soubesse que eu vi algo que não deveria.
Sento-me outra vez no sofá e fico com a cabeça entre as mãos. Chego à conclusão de que não foi nada demais. E a culpa não foi minha. Pego o meu celular do bolso e passeio pelo meu perfil profissional, analisando os concorrentes. Até verifico o andamento das minhas vendas automáticas online durante os minutos que se passaram.
Ouço passos vindo do corredor, ajeito a minha postura, guardo o celular dentro do bolso novamente e fico com os olhos grudados na direção em que a dona Rose virá. Contudo, quem surge é uma figura totalmente diferente. Assim, de imediato, não me passa pela cabeça adivinhar quem é. A moça usa o cabelo preso para trás, uma presilha um pouco grande na franja, uma camiseta branca e uma saia longa vermelha. Não pude reparar tanto em seu rosto para descobrir os detalhes das suas feições, pois desviei o olhar e comecei a encarar as minhas mãos unidas em cima dos joelhos.
Ouço-a arranhar a garganta e deixar algo na mesa de centro.
— Olá, Luiz. É um prazer, finalmente, conhecê-lo. — A dona da voz aveludada está em minha frente, estendendo-me a sua mão.
Levanto a cabeça para a encarar e fico alguns segundos sem entender quem ela pode ser, porque em nada se parece com a Rebecca que vi pelo reflexo do espelho.
— Olá. — Levanto-me educadamente para a cumprimentar e seguro a sua mão, evitando compará-la com a minha visão. Não posso deixar de notar o quanto sua mão é delicada.
Noto que estamos de mãos dadas há mais tempo que o necessário, então puxo o meu braço.
— Sou a Rebecca — ela explica, sorrindo com timidez, como se percebesse a minha confusão.
— Rebecca. — Olho-a dos pés à cabeça e cogito a possibilidade de ter alucinado minutos atrás.
Quando os meus olhos chegam ao seu rosto, o ar falta em meus pulmões. A garota tem a pele branca e as suas bochechas estão coradas. Não posso deixar de pensar que é porque estava transando há alguns minutos. Seus olhos claros caramelados me fitam com curiosidade, e isso me perturba intensamente.
— Sente-se, por favor. Tome o suco que a minha mãe preparou para você. — Oferece-me o copo que está na mesa de centro.
— Obrigado.
Sento-me, implorando mentalmente para que o Elias chegue o mais rápido possível, ou, pelo menos, que essa garota volte para onde estava e me deixe sozinho com a minha paz. No entanto, para o meu desespero, ela se senta ao meu lado. Exatamente ao meu lado. Perigosamente, ao meu lado. A menina vira o seu corpo minúsculo em minha direção, deixando-me constrangido com esse perfume doce que acorda todos os meus sentidos.
— Então... Você tem 25 anos?
— Não quer ajudar a sua mãe com os afazeres? Não precisa se preocupar comigo, eu estou bem — aviso, olhando-a de lado rapidamente.
— Estou aqui cumprindo ordens da dona Rose. Quer me deixar m*l com ela? — questiona com um tom de voz ainda mais aveludado, sem me deixar espaço para recusas.
— Não, senhorita. Jamais — afirmo e solto o ar.
— Você é tão engraçado. — Ri, tocando em meu braço. — Senhorita? Gostei. Mas você pode me chamar de Beky, que é como os mais próximos me chamam.
É como o seu namorado te chamou minutos atrás, né? — penso.
Com as mãos juntas em cima dos joelhos, abaixo a cabeça e, em seguida, levanto-a outra vez, procurando uma maneira de esticar o corpo. Estou tenso.
— Obrigado. Me lembrarei disso. — Olho para a estante em nossa frente.
— E, então?
Mas que diabos! Essa garota vai ficar puxando assunto?
— Como? — indago, tentando entender sobre o que essa garotinha fala.
— Você tem 25 anos?
— 27. Estou prestes a fazer 28.
— Você trabalha com o quê?
— Marketing digital. Sou mentor, produtor e afiliado. Possuo uma microempresa na qual sou o CEO, e, bom... todo o resto da equipe.
— Uau. Sempre quis aprender isso, mas acho que não é para mim. Depende. Se alguém competente me ensinasse, talvez eu aprenderia.
Penso na possibilidade de oferecer o meu curso para ela, pois sei que qualquer um pode exercer essa profissão, desde que se empenhe, e ela sendo irmã do Elias, eu deveria ajudá-la. Mas, apesar disso, decido que não vou abrir essa brecha para a minha perdição. Eu, definitivamente, estou sendo torturado aqui. Tudo que penso quando ela fala comigo é na imagem que vi no espelho, e isso faz eu me sentir um doente.
Como posso olhar para ela, quando sei sobre o par de p****s empinados que está por baixo da camiseta branca? Eu sei que todas as mulheres possuem um par de p****s, mas os dela parecem dois faróis mirando em minha cara, forçando-me a lhes dar atenção.
— Estude e aprenderá. Seu irmão pode ajudá-la.
— Você se sente um homem realizado?
— Sim.
— Que bom. Fico feliz por você. Mede quanto de altura?
Céus! Estou sendo entrevistado para uma possível transa? Ela é o quê? Repórter s****l? Tudo que ela fala, excita-me.
Viro a cabeça em sua direção e a olho intensamente. Rebecca está me encarando com um sorriso inocente que engana qualquer um, mas eu sei a safada que ela é. E, que p***a! Meu m****o gosta disso. Involuntariamente, recordo-me do sonho erótico que tive uma hora antes, lá em minha cama.
Levanto-me e respiro fundo, tentando esconder o meu desconforto. Eu deveria ter me masturbado hoje quando tive a chance. Agora parece que vou explodir a qualquer momento.
Ouço a porta se abrir. É o Elias com o pai dele entrando com sacolas. Suspiro, aliviado. Eu não queria ficar sozinho com essa diaba tentando parecer uma boa moça.