Capítulo 21 : Verdades quase Reveladas

1012 Palavras
Camille Eu sabia que o momento chegaria. O momento em que eu teria que abrir algumas portas do meu passado para Draco, revelando mais do que ele esperava, mas sem entregar o que era mais valioso. Estávamos sentados no escritório dele, um ambiente que exalava poder e controle. As paredes cobertas por quadros e as luzes amareladas criavam um clima quase intimidador, como se aquele lugar fosse o centro de decisões que poderiam mudar o destino de muitos. E eu estava bem no meio disso. Draco estava me olhando, esperando que eu falasse. Seus olhos fixos em mim, analisando cada movimento, cada respiro. Ele era o tipo de homem que enxergava além das palavras, e isso me deixava mais alerta. Eu sabia que qualquer deslize poderia ser fatal, não só para mim, mas para tudo que eu havia construído. — Há coisas sobre mim que você ainda não sabe, Draco — comecei, a voz firme, mas com um toque de hesitação proposital. Eu queria que ele sentisse que estava prestes a ouvir algo importante, mas também que entendesse que algumas partes do meu passado ainda eram meu território, e eu só revelaria o que fosse estratégico. Ele continuou me encarando, sem dizer uma palavra, me dando o espaço para continuar. E eu sabia que aquele silêncio era uma forma de pressão. — Eu cresci em um lugar muito diferente daqui. No início, eu achava que tinha controle sobre a minha vida, que podia escolher o caminho que quisesse. Mas cedo ou tarde, o mundo ao meu redor me mostrou que não era assim. Fui forçada a aprender como sobreviver. — Parei por um segundo, deixando as palavras ecoarem no espaço entre nós. Draco parecia intrigado, mas ainda cauteloso. Eu continuei. — As pessoas que se aproximaram de mim naquela época, fingiram ser aliadas, mas no fundo, estavam esperando o momento certo para me destruir. Eu vi isso acontecer com tantos ao meu redor. Aprendi a desconfiar, a olhar duas vezes antes de confiar em alguém. Eu podia ver a faísca de reconhecimento nos olhos de Draco. Ele entendia o que eu estava dizendo. Naquele mundo em que ele vivia, confiar cegamente em alguém era uma fraqueza, e fraqueza não tinha lugar ali. — Mas você ainda não está me contando tudo — ele finalmente falou, com a voz baixa e calculada. Não era uma pergunta, era uma afirmação. Ele sabia que eu estava segurando informações, e queria que eu soubesse que ele também sabia. Meu coração acelerou por um momento, mas mantive minha postura. Havia uma linha que eu não cruzaria. Ainda não. Ele não estava pronto para conhecer meus segredos mais profundos. E, sinceramente, eu também não estava pronta para entregá-los. — Algumas partes do meu passado ainda me pertencem, Draco. Mas o que você precisa entender é que eu estou aqui, agora, do seu lado. Eu vim até você com uma escolha. Escolhi me aliar a você, mesmo sabendo dos riscos. Eu não sou do tipo que se envolve sem um motivo. E, se estou aqui, é porque eu vejo algo que vale a pena lutar. — Meu tom se tornou mais incisivo à medida que falava. Eu sabia que precisava ser convincente, que ele precisava sentir que eu estava falando com sinceridade, mesmo que eu não revelasse tudo. Draco inclinou a cabeça, me observando com uma intensidade quase sufocante. Ele estava me avaliando, decidindo se eu era digna de sua confiança. A tensão entre nós era palpável, como se o ar ao nosso redor estivesse carregado de uma energia elétrica prestes a explodir. Eu sabia que uma palavra errada poderia colocar tudo a perder, mas ao mesmo tempo, sentia que estava ganhando terreno com ele. — Você é inteligente, Camille — ele disse, depois de alguns segundos. — Eu vejo isso. Você joga esse jogo com habilidade, e isso me agrada. Mas saiba que minha paciência tem limites. Se você está guardando algo que pode me prejudicar, isso vai sair caro. Eu sorri levemente, aceitando o aviso com a mesma frieza com que ele o entregou. — Eu sei disso, Draco. E não estou aqui para jogar contra você. Não há nada no meu passado que possa te prejudicar. O que importa agora é o futuro. Nosso futuro. — Minhas palavras saíram com um tom de segurança. Eu queria que ele sentisse que estávamos juntos nisso, que eu não era uma ameaça, mas sim uma aliada disposta a se envolver completamente. Ele se levantou da cadeira, caminhando até a janela do escritório e olhando para fora, para as luzes piscando na favela. Era uma visão que, de alguma forma, representava tudo o que ele controlava, e eu sabia que ele estava ponderando sobre o que eu havia dito. — O futuro, Camille — ele repetiu, ainda olhando para fora. — Eu gosto de como você pensa. Vamos ver até onde isso nos leva. Eu o observei por alguns segundos, sentindo que algo havia mudado entre nós. Talvez não fosse ainda a confiança total que eu precisava, mas era um começo. Draco não era do tipo que se deixava envolver rapidamente, mas eu havia plantado uma semente. E sabia que, com o tempo, ela cresceria. Quando ele voltou a me olhar, havia algo diferente em seus olhos. Uma aceitação, talvez, ou pelo menos uma disposição para ver até onde eu poderia ir. E era tudo o que eu precisava naquele momento. — Agora, vá descansar. Amanhã temos muito trabalho a fazer — ele disse, voltando à postura habitual, controlada, mas com um leve sorriso nos lábios. Eu me levantei e caminhei em direção à porta, sentindo o peso da noite e da conversa. A cada passo que eu dava, sabia que estava mais perto de conquistar a confiança de Draco. Mas, ao mesmo tempo, sabia que o caminho ainda seria longo. Eu não podia baixar a guarda. Não ainda. Quando fechei a porta atrás de mim, respirei fundo, permitindo que um pequeno sorriso se formasse em meus lábios. Eu estava mais próxima de meu objetivo. Um passo de cada vez.
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