Draco
Eu ainda estava ponderando sobre tudo o que Camille tinha me revelado. A ideia de interceptar o carregamento de Souza era tentadora, mas ao mesmo tempo, arriscada. Olhei para ela, sua expressão firme, como se estivesse pronta para qualquer consequência. Eu tinha que admitir: Camille tinha coragem, mas coragem sem inteligência podia ser fatal. Era um equilíbrio perigoso, e eu sabia muito bem disso.
— Vamos ver se essa sua informação é mesmo boa — murmurei, me afastando da mesa e começando a andar pelo escritório, meus pensamentos girando. O som de meus passos ecoava no chão, e Camille ficou parada, observando cada movimento meu, como um predador estudando a presa.
Souza não era um homem fácil de derrubar. Ele tinha sua rede, seus contatos e uma estrutura que, se minada de forma errada, poderia nos custar caro. O risco de se expor era imenso. Eu precisava pensar em cada detalhe antes de agir. Mas o tempo estava correndo. Se Camille estivesse certa, se aquele carregamento realmente fosse algo grande, seria nossa oportunidade de dar um golpe decisivo.
— Damon vai gostar de saber disso — pensei alto, mais para mim do que para ela. Damon era o mais estratégico entre nós. Se havia um plano, ele saberia como executá-lo. O problema era a desconfiança que ele ainda carregava em relação a Camille.
Voltei meu olhar para ela, que mantinha a postura. Sabia que minha decisão podia selar seu destino ali, naquele instante. Eu podia ver no brilho dos olhos dela que ela estava ciente disso.
— Se essa informação for falsa, Camille, você sabe o que acontece — avisei, me aproximando. — Não vai ter uma segunda chance.
Ela assentiu sem hesitar. — Eu sei. Eu arrisquei porque confio que vocês vão saber o que fazer. Quero ver Souza cair tanto quanto vocês.
Aquilo mexeu comigo. Por um instante, eu quase acreditei completamente. Mas algo dentro de mim ainda me segurava, uma voz que me lembrava dos riscos de confiar demais em alguém que m*l conhecemos. Eu já vi o que a lealdade m*l colocada podia causar. Ela poderia ser minha aliada, ou uma inimiga mortal, e não havia margem para erros.
— Vou reunir os homens. Vamos investigar esse carregamento. — Decidi, finalmente. Não havia mais o que pensar. Era hora de agir.
***
A noite estava densa quando saímos. O céu do morro escuro como breu, com poucas estrelas visíveis. Damon e Dante estavam ao meu lado, cada um com seus pensamentos. Damon não escondia a desconfiança, mas, como sempre, manteve sua postura de estrategista. Ele sabia que a decisão era minha, mas sua mente já estava calculando cada variável do ataque. Dante, por outro lado, estava mais silencioso do que de costume. Ele tinha um certo carinho por Camille, uma admiração que começava a crescer desde que ela apareceu em nossas vidas. Mas eu sabia que, quando o momento chegasse, ele seria tão implacável quanto eu.
— Vamos pegar Souza no pulo — disse Damon, quebrando o silêncio enquanto entrávamos no carro. — Mas se algo sair errado, Draco, eu te disse. Ela não é confiável.
Não respondi. Eu estava focado. Sabia que Damon tinha razão em ser cauteloso, mas algo me dizia que Camille estava falando a verdade. A questão agora não era mais sobre confiança, e sim sobre ação.
Chegamos ao ponto onde o carregamento de Souza estava previsto para acontecer. O lugar era uma área abandonada, cercada por armazéns decadentes. O vento soprava forte, levantando a poeira e os sons ecoavam pelos becos, um silêncio tenso reinava. Nossos homens estavam posicionados, prontos para o que quer que fosse acontecer.
— Damon, você cuida da retaguarda — ordenei, enquanto olhava em volta. — Dante, comigo. Vamos conferir o que está acontecendo de perto.
Dante me seguiu em silêncio, sempre pronto para a ação. Nos aproximamos de um dos armazéns, e no momento em que viramos a esquina, ouvimos o som de motores ao longe. Os caminhões estavam chegando. Camille estava certa.
— Eles estão aqui — murmurei, estreitando os olhos para tentar enxergar melhor.
Dante se moveu rapidamente, pegando seu rádio e informando aos outros homens. O plano estava em andamento. A adrenalina começou a correr em minhas veias, aquele velho conhecido pulsar antes de uma ação. Podíamos sentir o perigo, mas também o poder que viria ao destruir Souza.
Quando os primeiros caminhões pararam, vimos homens armados começarem a descarregar o carregamento. Havia caixas grandes, algo valioso estava sendo movido. Não podíamos atacar ainda, precisávamos entender exatamente o que estava acontecendo.
— Draco, Damon aqui — a voz de meu irmão veio pelo rádio. — Temos reforços chegando. Se atacarmos agora, seremos esmagados.
Mal Damon terminou de falar, ouvi tiros ao longe. Dante olhou para mim, e eu sabia que o caos estava prestes a começar.
— Está na hora — eu disse, pegando minha arma e sinalizando para Dante. Ele sorriu de canto, ansioso para a ação.
Os primeiros tiros vieram como um estrondo no silêncio da noite. Os homens de Souza reagiram, mas nós já estávamos preparados. O confronto começou rápido e violento. Tiros, gritos, o som de metal contra metal. Eu estava no centro da batalha, derrubando os homens que surgiam à minha frente, mas, mesmo assim, mantinha meus olhos no que importava: as caixas. Algo grande estava sendo movido ali, e se conseguíssemos colocar as mãos nisso, Souza estaria acabado.
Dante se movia com uma brutalidade que eu sempre admirei, derrubando qualquer um que aparecesse no caminho. Ele era letal, mas sempre ao meu lado. Lutávamos como um só, uma máquina implacável. E a cada homem que caía, eu sentia que estávamos mais próximos da vitória.
Mas então, algo inesperado aconteceu. Um dos caminhões explodiu, jogando todos nós para trás. O impacto me atirou no chão, meus ouvidos zunindo, e eu sabia que algo havia dado errado. Damon veio correndo em minha direção, sua expressão sombria.
— Isso foi uma armadilha! — ele gritou, puxando-me de volta para a ação.
Souza tinha nos enganado. Ele sabia que viríamos. Camille tinha nos dado a informação certa, mas Souza estava um passo à frente.
A batalha continuou por mais alguns minutos que pareceram horas. Nossos homens estavam feridos, alguns caídos, mas ainda lutando. Eu sabia que não podíamos continuar por muito mais tempo. Precisávamos recuar antes que fôssemos destruídos.
— Recuar! — ordenei, levantando-me com dificuldade.
Dante e Damon coordenaram a retirada. Perdemos homens, mas conseguimos sair vivos. Voltei para o carro, o gosto amargo da derrota na boca. Souza tinha escapado mais uma vez, mas agora, mais do que nunca, eu sabia que Camille estava do nosso lado.
Ela arriscou tudo por essa informação. Isso era claro. E mesmo que Souza tivesse nos previsto, a jogada dela mostrou que estava comprometida. Agora, eu tinha um novo plano. E Souza não ia escapar na próxima vez.
Camille provou que era uma aliada, e o próximo passo seria ainda mais letal.