Camille
Eu sabia que precisava de mais. Minha presença entre os irmãos Draco, Damon e Dante estava pendurada por um fio, e a única maneira de ganhar a confiança deles – de ganhar a confiança de Draco – era provar meu valor de uma vez por todas. Eu não podia esperar que eles decidissem confiar em mim sozinhos. Eu tinha que agir.
Souza era a chave. Ele controlava o território rival, mas algo me dizia que havia rachaduras em seu império, algo que eu poderia usar. A questão era: o que? Draco estava impaciente, Damon queria me ver morta, e Dante, embora fosse o único que me defendia, não tinha força suficiente para mudar o jogo sozinho. Eu precisava de uma prova sólida, algo que colocasse Souza de joelhos e que, ao mesmo tempo, mostrasse a Draco que eu estava do lado dele. Só que isso significava correr um grande risco.
Planejei cada movimento enquanto dirigia pelas ruas escuras da cidade. Não avisei a ninguém o que estava fazendo. Se eles soubessem, teriam me impedido – ou pior, me julgado como traidora antes mesmo de entenderem. Eu precisava agir sozinha. Precisava ser rápida e discreta. A localização de Souza não era exatamente secreta, mas invadir seu território sem levantar suspeitas era outra história. Mas o elemento surpresa era tudo o que eu tinha, e eu estava disposta a jogar essa carta.
Estacionei o carro em uma rua lateral, algumas quadras de distância do local onde Souza supostamente estaria. Era uma área controlada por ele, uma viela escura e m*l iluminada, cheia de prédios caindo aos pedaços e pessoas que pareciam tão desamparadas quanto o ambiente. Ninguém prestou atenção em mim quando desci do carro e caminhei em direção ao beco. Meu coração batia forte no peito, mas minha expressão permaneceu calma. Eu tinha que parecer que pertencia àquele lugar.
O bar onde Souza se encontrava estava cheio de figuras suspeitas, a maioria delas ligadas ao tráfico. Entrei sem hesitação, me misturando à multidão. Minhas mãos estavam frias, mas eu respirei fundo, mantendo o controle. Meu objetivo era claro: descobrir algo valioso o suficiente para Draco. Algo que provasse que eu estava do lado dele e que Souza era um inimigo perigoso e traiçoeiro. Eu só não sabia exatamente como.
Caminhei até o balcão, pedindo uma bebida qualquer. Enquanto o barman preparava, observei ao redor, prestando atenção nas conversas abafadas. Foi então que vi Souza. Ele estava sentado em uma mesa no fundo, cercado por alguns de seus homens. Eles estavam rindo, conversando em tom baixo, mas havia algo na postura de Souza que me chamou a atenção. Ele estava agitado, mexendo no celular, olhando ao redor como se esperasse algo. Um encontro. Ou uma negociação.
Tentei me aproximar, usando a multidão para me esconder. Consegui ouvir fragmentos da conversa. Um carregamento. Algo que chegaria nas próximas horas. Era isso. A informação que eu precisava. Se Souza estava esperando um carregamento importante, Draco e seus irmãos poderiam interceptar, acabar com os negócios dele e enfraquecê-lo de uma vez. Era o tipo de golpe que eles adorariam desferir, especialmente contra um rival como Souza.
Mas antes que eu pudesse me afastar, senti uma mão pesada no meu ombro.
— Quem é você? — A voz rouca veio atrás de mim. Um dos capangas de Souza. Eu sabia que não podia vacilar, então me virei devagar, com um sorriso confiante.
— Só uma cliente, procurando uma boa noite — respondi, tentando parecer descontraída, embora soubesse que minha desculpa era fraca.
— Não parece o tipo de lugar pra isso, gata — ele retrucou, com os olhos estreitos.
Antes que eu pudesse pensar em uma resposta, ele me puxou bruscamente. A dor percorreu meu ombro enquanto ele me arrastava pelo bar, direto para a mesa de Souza. Meu coração disparou. Eu sabia que estava em perigo. O ambiente ao redor pareceu se fechar, e cada passo parecia mais pesado que o anterior.
Quando me colocaram de frente com Souza, sua expressão era de pura curiosidade misturada com desprezo.
— Quem é essa? — ele perguntou a seus homens, me olhando de cima a baixo.
— Pegamos ela escutando perto demais — o capanga respondeu. Souza levantou uma sobrancelha, me estudando com interesse.
— Então, você achou que poderia me espionar? — Ele perguntou, se inclinando para frente.
— Eu não sou uma espiã — menti rapidamente, tentando manter minha voz firme. — Só estava no lugar errado na hora errada.
Souza riu, mas seus olhos estavam frios. Ele não acreditava em uma palavra do que eu dizia, e eu sabia que as coisas estavam prestes a ficar muito piores. Mas antes que ele pudesse responder, algo aconteceu que eu não esperava.
A porta do bar foi arrombada com um estrondo, e o som de tiros ecoou pelo local. Homens de Souza começaram a se mover, sacando suas armas enquanto o caos se instaurava ao meu redor. No meio da confusão, alguém agarrou meu braço e me puxou para fora, com uma força que eu reconheci imediatamente. Dante.
Ele me tirou do bar com velocidade, nos levando para um beco próximo onde estacionara sua moto.
— O que diabos você estava pensando, Camille? — ele rosnou, os olhos cheios de fúria, mas também de preocupação. — Se eu não tivesse chegado a tempo, você estaria morta!
Eu estava ofegante, o coração ainda martelando no peito. Sabia que tinha me colocado em uma situação perigosa, mas algo no olhar de Dante me fez perceber que ele sabia que eu não estava lá por acaso. Havia mais. E ele queria ouvir.
— Eu descobri algo sobre o Souza — murmurei, tentando recuperar o fôlego. — Ele está esperando um carregamento... nas próximas horas. Algo grande.
Dante me olhou, a raiva ainda presente, mas agora misturada com um brilho de interesse.
— Isso é sério?
— Sim. Eu ouvi ele falar. Draco pode usar isso contra ele, acabar com Souza de uma vez.
Ele ficou em silêncio por um momento, ponderando. Então, sem dizer mais nada, subiu na moto e fez sinal para que eu subisse atrás dele. Não havia tempo para explicações longas. Tínhamos que voltar o mais rápido possível e avisar Draco.
Enquanto Dante acelerava pelas ruas, eu não conseguia parar de pensar em como as coisas tinham mudado em questão de minutos. Eu tinha arriscado tudo, e, por um triz, não tinha acabado morta. Mas, de alguma forma, consegui exatamente o que precisava: uma prova de que eu estava do lado deles, de que minha lealdade era verdadeira.
Quando chegamos à base dos irmãos, Dante não perdeu tempo. Ele entrou direto no escritório de Draco, me puxando junto. Draco estava sentado, com Damon ao seu lado, ambos com expressões severas.
— O que está acontecendo? — Draco perguntou, se levantando ao ver a urgência no rosto de Dante.
— Camille conseguiu algo — Dante respondeu antes que eu pudesse falar. — Souza está esperando um carregamento. Podemos interceptar.
Os olhos de Draco se estreitaram, me olhando como se tentasse enxergar além do que eu mostrava. Eu sabia que, naquele momento, minha vida dependia da confiança que ele depositaria em mim.
— E você arriscou tudo por essa informação? — ele perguntou, a voz baixa, carregada de desconfiança.
— Sim — respondi, firme. — Porque eu estou do seu lado, Draco.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos que pareceram uma eternidade. Então, finalmente, um sorriso lento se formou em seus lábios.
— Muito bem, Camille. Vamos ver o que fazemos com essa informação.