O outono havia chegado, tingindo as árvores da propriedade Brin de tons dourados e acobreados. O vento trazia aquele perfume familiar de terra úmida e folhas secas — o mesmo que, durante décadas, embalou os dias felizes e tristes da família. Naquela manhã tranquila, Helena caminhava pelos corredores da mansão agora silenciosa. Desde que os pais haviam partido — com poucos meses de diferença um do outro — o lugar parecia respirar lembranças. Ela parou diante da porta do antigo quarto deles. Estava tudo como antes: os livros de Fernando, a penteadeira de Veluma, o quadro com o retrato dos dois no dia do casamento. Um raio de sol atravessava a janela e iluminava a poltrona próxima à lareira, onde, cuidadosamente dobradas, repousavam duas cartas seladas com o brasão da família Brin. No enve

