Capítulo 55. Ganhando tempo

592 Palavras
Oliver voltou alguns minutos depois, empurrando a porta com o cotovelo para equilibrar a bandeja. Trazia uma caneca branca de porcelana, ainda com a fumaça suave subindo café com leite. O cheiro quente e adocicado invadiu o quarto. — Aqui. — disse baixinho. — Fiz do jeito que imaginei que você gostaria. Clarice aceitou a caneca com as mãos ainda trêmulas, mas o calor acalmou seus dedos. Ela tomou um gole e suspirou; estava perfeito, suave, cremoso. — Obrigada… — murmurou, sem conseguir olhar diretamente para ele. Oliver apoiou a bandeja na mesinha ao lado e sentou-se na poltrona perto da cama, inclinado para a frente, os cotovelos nos joelhos, mantendo uma postura baixa, propositalmente, não ameaçadora. Ele respirou fundo. — Clarice… eu preciso que você me escute com calma, tudo bem? Ela levantou os olhos, assustada, mas assentiu. — Eu não trouxe você para cá com nenhuma intenção errada. — começou, com firmeza. — Eu só quis te ajudar. Ontem… você estava vulnerável. E quando Henry apareceu… — ele cerrou a mandíbula e desviou os olhos, respirando fundo para recuperar o controle. — Clarice, ele não é um homem seguro para você. Isso está muito claro. Ela baixou o olhar para a caneca, mordendo o lábio. Não debateu. Não tentou contrariar. O silêncio dela dizia mais que qualquer palavra. Oliver continuou, agora mais suave: — Eu preciso que você confie em mim. Só por alguns dias. — sua voz ficou quase um pedido. — Henry não vai desistir. Ele vai te procurar, e… eu quero você protegida até tudo se acalmar. Os olhos de Clarice se encheram de emoções misturadas medo, cansaço, incredulidade. E, de alguma forma, alívio. — Eu não posso ficar aqui… — ela disse, num fio de voz. — Eu nem sei o que pensar. Minha cabeça está… — ela levou a mão à testa. — Sobrecarregada. — completou Oliver, se levantando e se aproximando devagar. — É normal depois de tudo o que aconteceu. Não precisa decidir nada agora. Só… descanse. Só isso. — Oliver...me sinto tonta — Clarice fechou os olhos, sua vista estava embaçada.Ela piscou algumas vezes, lutando contra o peso repentino das pálpebras. O café com leite ainda estava pela metade, apoiado nas mãos dela. E Oliver percebeu imediatamente. — Você está sonolenta, querida — comentou, com um tom quase clínico. — A descarga emocional foi muito forte. Sua mente está tentando se proteger. — Eu… não sei por que… — a voz dela ficou arrastada, suave. — Eu só… cansei. Oliver tocou com extrema delicadeza a caneca, retirando-a das mãos dela para que não caísse. — Clarice. — ele disse baixo, quase num sussurro, como se tivesse medo de acordá-la mais do que já estava. — Você está segura. Aqui. Comigo. Descansa, carinho. Ele a deitou devagar no travesseiro, os olhos dela piscando cada vez mais devagar. — Oliver... — murmurou, mas sua voz já falhava. Ele puxou a coberta até os ombros dela, com um cuidado que denunciava mais sentimento do que ele gostaria de admitir. Quando ela finalmente adormeceu, respirando calma e profundamente, ele permaneceu ali por um momento, só observando. Oliver suspirou e deu um beijo na festa dela. — Descansa, carinho. Eu tô aqui— Murmurou Oliver. Ele saiu do quarto com a bandeja e a caneca com o resto do café com leite, desceu as escadas aliviado sabendo que Clarice dormiria mais algumas horas com o calmante que ele colocou na bebida. E isso garantiria a ele mais algumas horas para convence-lá de que ali era seu lugar.
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