Capítulo 54. Oliver fala com Clarice

712 Palavras
Clarice despertou devagar, como se estivesse subindo de um fundo de poço. A cabeça latejava, a visão estava turva e tudo parecia… fora de lugar. A primeira coisa que notou foi o teto desconhecido, de novo. Se sobresaltou, Clarice pensou que tudo tinha sido um sonho...um pesadelo, mas a realidade a puxou de uma vez. Não era. Era real. Ela se sentou num sobressalto, assustada, o coração disparado. — O que…? Onde eu…? Meu Deus. Tentou puxar na memória de novo: O bar...o drink....o táxi...Henry... aí nada. Um apagão. Um vazio. Nada. No escritório Oliver estava observando a tela pequena do monitor de segurança. A câmera no quarto de hóspedes mostrava Clarice acordada de novo ,agitada, levando as mãos à cabeça. Ela parecia confusa e assustada, com medo. O peito dele apertou. Não queria que ela o visse assim, monitorando-a, mas não podia deixá-la acordar sozinha naquele estado. Desligou o monitor imediatamente e seguiu apressado pelos corredores até o último andar. No caminho, tentou respirar fundo, recuperar o controle. "Calmo, Oliver. Fale devagar." Clarice se levantou tentando se acalmar e foi aí que ouviu a porta se abrir, com medo fechou os olhos e se encostou na parede apertando os olhos firmemente. Como se tentasse acordar de um pesadelo. Ela congelou. Oliver Frankwood entrou devagar, sem pressa, como se temesse assustá-la. Ele estava camisa branca dobrada nos antebraços, e o olhar sempre tão firme agora parecia carregado de preocupação, ainda mais em vê-la tão temerosa. — Clarice? — a voz dele saiu suave, quase delicada. — Não faça movimentos bruscos. Você vai ficar tonta. Ela abriu os olhos assim que ouviu a voz... reconheceu. — O-Oliver? — a voz dela tremeu. — O que eu estou fazendo aqui? O que… o que você fez comigo? Ele ergueu as mãos calmamente, num gesto tranquilizador. — Nada. Absolutamente nada. — deu dois passos lentos, mas parou assim quando viu que ela tremia — Você não estava bem ontem. Eu te trouxe para um lugar seguro. Ela engoliu seco, ainda respirando rápido. — Eu… eu não me lembro de nada depois do táxi… — Eu sei. — ele respondeu, com uma calma quase cirúrgica. — Acalme-se. Você está em segurança, Clarice. Ninguém encostou em você. Eu não encostei, eu juro. O jeito que ele falava a firmeza serena, quase protetora aos poucos fez sua respiração desacelerar. Era o mesmo tom que ele usava no hospital quando a acalmava antes de procedimentos difíceis. Mesmo assim, ela ainda estava tensa. — Eu… por que você estava lá? — perguntou, a voz mais baixa. — Como me encontrou? Por que..Oliver ? Ele desviou o olhar por um instante calculando. Escolhendo as palavras. E então voltou a encará-la, gentil mas sério. — Coincidência, eu juro — mentiu com cuidado. — Eu estava passando perto quando te vi descendo do táxi. E quando percebi Henry se aproximando gritando com você, não pensei duas vezes. Clarice apertou os dedos nervosamente. — Onde estou ? sua casa? — Sim. — respondeu com suavidade. — Mas você não está presa a nada. Assim que estiver segura, eu te levo para casa ou peço para alguém te buscar. Eu prometo Aquele homem, por mais imponente que fosse, não transmitia ameaça. Transmitia controle. Cuidado. E isso a fez relaxar mas não totalmente. — Venha, Clarice, sente-se— Oliver tentou te aproximar. — Não encosta em mim...por favor. Ele assentiu. Ela se sentou devagar na cama, ainda tentando entender a própria memória partida. Oliver, percebendo que ela não iria desmaiar, aproximou-se mais um passo. — Posso te trazer água? — perguntou, num tom quase… terno. — Ou café? Um chá ? Está com fome ? — Oliver eu quero sair, quero ir embora.— Ela se levantou e foi em rumo a porta, mas Oliver a segurou. — Não. Ela parou abruptamente, assustada. Ele percebeu que alterou o tom e a assustou e logo amenizou. — Clarice ainda tenho coisas a te contar, você não está segura, querida. Por favor, fique, pelo menos só para um café. Eu mesmo te levo depois. Clarice assentiu, hesitante, ainda observando-o com cautela. E ele sorriu de canto discreto, elegante antes de sair para buscar. A porta se fechou suavemente atrás dele. Só então Clarice percebeu o quanto estava tremendo
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