Clarice se senta no sofá, mas não relaxa. Mantém as costas eretas, as mãos unidas no colo, como quem se prepara para ouvir algo que pode doer. Oliver volta com uma xícara de café com leite e entrega a ela. Oliver fica à frente dela, não muito perto, não muito longe. — Eu vi você pela primeira vez na sua faculdade — ele começa, com a mesma calma quase irreal. — Fui convidado para dar uma aula para outra turma. Medicina na verdade. Clarice levanta o olhar devagar. — Você passou pelo corredor — ele continua. — Não estava atrasada, não estava correndo. Estava distraída, lendo algo no celular, mordendo a ponta da caneta. Tinha um jaleco grande demais para você. Um detalhe simples. Íntimo demais para alguém que diz não conhecer. — Eu lembro — ela murmura, surpresa consigo mesma. — Eu usav

