Clarice anda de um lado para o outro na sala quando ouve o som do carro no cascalho. O barulho metálico do portão, depois a porta da casa se abrindo. O coração dela dispara. Oliver. Ela para imediatamente, como se tivesse sido pega fazendo algo errado mesmo sem saber exatamente o quê. Oliver entra, tira o casaco com um movimento automático… e então a vê. Não é preciso muito para perceber: os ombros tensos, as mãos inquietas, o olhar que foge do dele. — Clarice… — a voz dele sai mais baixa do que o normal. — Aconteceu alguma coisa? — Não — ela responde rápido demais. — Quer dizer… não. Tá tudo bem. Ele não insiste de imediato. Caminha até a cozinha, deixa as chaves sobre a bancada, observa pelo canto do olho o jeito como ela passa os dedos pelo próprio braço, repetidas vezes. — Você

