Oliver troca de roupa em silêncio, cada movimento preciso, automático. O jaleco dobrado no braço, o relógio ajustado no pulso. Antes de sair, passa os olhos pela sala, como se quisesse gravar a cena: Clarice sentada no sofá, abraçando uma almofada, pensativa, mas ali. — Eu volto mais tarde — diz ele, calmo. — Me ligue se precisar de alguma coisa. — Tudo bem — ela responde. — Bom plantão. Há algo novo no tom dela. Menos defesa. Mais presença. Oliver apenas assente e sai. O carro desliza pela estrada que leva ao hospital. A cidade começa a acordar, mas a mente dele está longe dali. Clarice. O escritório. O que foi revelado e o que ainda não foi. O celular vibra no painel. Corvo. Oliver atende sem tirar os olhos da pista. — Fala. Do outro lado, a voz vem baixa, objetiva, do jeito qu

