O dia de Oliver começa errado. Não há outra forma de definir. Antes mesmo do primeiro café esfriar, ele já está em uma sala de trauma, mãos firmes, expressão neutra, enquanto tudo por dentro range. O monitor apita alto demais. Sempre alto demais quando as coisas começam a sair do controle. — Pressão caindo — avisa a enfermeira. Oliver responde automático, como se o corpo soubesse o caminho mesmo quando a mente insiste em escapar para outro lugar. Clarice. Ele afasta o pensamento com a mesma precisão com que afasta o medo. Agora não. Depois. O paciente é jovem. Sempre são os jovens que pesam mais. Hemorragia interna, múltiplas fraturas, tempo contra eles. Oliver faz tudo certo. Cada decisão é técnica, limpa, impecável. Mesmo assim, não basta. O silêncio que vem depois é brutal. O

