Clarice acorda devagar, como se o corpo ainda estivesse preso entre o sono pesado e a vigília. Por alguns segundos, não reconhece o quarto. Depois, a memória volta em ondas: a casa grande demais, o silêncio seguro, Oliver. Ela se senta na cama com cuidado. A cabeça ainda dói um pouco, mas nada comparado aos dias anteriores. O relógio marca o início da manhã. Clarice sai do quarto em passos leves, quase receosa de quebrar a tranquilidade. A casa está silenciosa demais. Nenhum som de vozes. Nenhum movimento. — Oliver…? — chama baixo, sem resposta. Ela desce as escadas devagar, passando pela sala principal, pela cozinha impecável, até que nota uma luz fraca escapando da sala de cinema. Empurra a porta com cuidado. Oliver está ali. Dormindo. Sentado no sofá largo, o corpo levemente inc

