Corvo trabalha melhor de madrugada. É quando os sistemas estão mais lentos, as pessoas mais descuidadas e os erros parecem acidentes. Ele está sentado diante de três monitores em um apartamento que não carrega nada pessoal além de um colchão no chão e uma cafeteira velha demais para ainda funcionar. Mas funciona. Na tela central, o nome de Clarice pisca em arquivos fragmentados: boletins, registros hospitalares, relatórios policiais incompletos. Nada organizado o suficiente para contar uma história coerente exatamente como Oliver queria desde o início. — Vamos lá… — Corvo murmura, estalando os dedos. Ele começa pelo básico. Câmeras de rua da noite do acidente. Algumas já estavam “fora do ar” como Oliver pediu aquele dia. Outras ele força a cair agora, retroativamente, inserindo falha

