De volta

1047 Palavras
Matteo Eu tinha acabado de chegar a Seattle e olhava aflito para o relógio em meu pulso, constando que já faziam horas que ninguém me dava notícias do meu pai, algo realmente preocupante nas atuais circunstâncias. Eu havia recebido um telefonema da administradora da casa de repouso onde meu pai estava internado, que me deixou em uma situação bastante delicada e que me fez viajar imediatamente para os Estados Unidos. Segundo ela, já faziam três dias que ele não falava com ninguém, se mantendo em silêncio o tempo todo, não conversando nem mesmo com os seus amigos na casa e também não querendo comer nada. Eu não conseguiria ficar em paz, lá do outro lado do Atlântico, enquanto o homem que me colocou no mundo estava em uma situação tão preocupante como essa, tendo em vista a sua idade já avançada e o seu estado de saúde que já era um tanto quanto frágil. Avisei para a senhora Sanchez que me mantivesse informado sobre o seu comportamento e providenciei tudo para a minha viagem de urgência a Seattle. Eu ainda não sabia o que estava acontecendo, o que o motivou a agir de tal maneira, mas pretendia descobrir, e mesmo diante de tudo o que já aconteceu entre nós, eu não desejava que nada de r**m acontecesse com ele. Após conseguir alugar um carro na locadora do aeroporto, a primeira coisa que fiz, antes mesmo de girar a ignição e dar a partida no veículo, foi ligar para a senhora Sanchez. Eu precisava saber se estava tudo bem e se ele tinha tido alguma melhora nessas últimas horas em que estive voando entre Londres e Seattle. Mas para o meu pesar, tudo permanecia na mesma e o meu pai ainda continuava com sua greve de fome e silêncio, algo muito estranho e que eu não tinha a mínima ideia da sua motivação. Mas vendo pelo lado positivo, mesmo estando literalmente em jejum há três dias, ele continuava sem apresentar maiores problemas de saúde, por mais que tivéssemos certeza de que ele já estava desidratado após tanto tempo sem comer. Quando cheguei a casa de repouso, desci do carro e praticamente corri em direção a porta de entrada que dava na recepção, me identificando rapidamente, afinal, todas ali já me conheciam e sendo encaminhado para a sala da senhora Sanchez, que deixou avisado que gostaria de falar comigo pessoalmente, antes que eu fosse até o meu pai. — Olá, senhora Sanchez — cumprimentei — Vim o mais rápido que consegui. Violet Sanchez era uma senhora já na casa dos cinquenta anos, mas bastante animada e vibrante, sempre usando roupas alegres e cores chamativas, que combinavam perfeitamente com a sua personalidade extravagante. — Que bom que conseguiu vir, senhor Vacchiano — ela agradeceu, me cumprimentando com um aperto de mão firme e seguro — Sente-se, por favor. Fiz como a senhora indicou, mesmo desejando ir imediatamente ver o meu pai e o que estava acontecendo com ele. — O que aconteceu, senhora Sanchez? Eu faço a pergunta que está martelando em minha cabeça desde o primeiro momento em que ela me ligou para contar o que estava se passando com o meu pai. — Eu estou bastante preocupada com o seu pai, preciso confessar, senhor Vacchiano — ela diz, me deixando ainda mais apreensivo — Como o senhor sabe, na idade do seu pai, ele não pode simplesmente não se alimentar e ficar tudo bem. Há consequências e temo que já que isso aconteça nas próximas horas. — Mas eu não compreendo, senhora Sanchez — insisti — Eu estive aqui mesmo apenas alguns dias atrás, e Joseph estava aparentemente muito bem. A mulher suspira, como se tivesse algo difícil para dizer, mas tivesse medo da minha reação, algo bastante compreensível, se levando em conta que eu não era a pessoa mais paciente do mundo. Longe disso. — Na verdade, o senhor Vacchiano começou a parecer bastante triste desde que o senhor foi embora, após a sua última visita — ela esclareceu. — Isso é bastante estranho, se levarmos em conta que o meu pai não se importa muito se venho vê-lo ou não. — Bem, eu diria que é exatamente o posto — Ela me contradiz — Acontece que depois de ficar visivelmente triste com a sua viagem de volta a Londres, no dia seguinte ele não quis mais comer ou conversar com qualquer pessoa nessa casa. Achei a informação bastante intrigante e diria que ela estava completamente equivocada ao pensar daquela maneira, se eu não estivesse tão apressado em ver o meu pai. Por esse motivo, apenas concordei com um aceno, para encerrar aquela conversa desnecessária, tendo em vista que ela já havia me passado aquelas mesmas informações por telefone, antes que eu chegasse em Seattle. — Gostaria de ver o meu pai, senhora Sanchez — digo, demonstrando pressa em minhas palavras e já ficando de pé na frente de sua mesa de maneira larga. — Tudo bem, senhor Vacchiano — ela concorda, também ficando de pé — Vou levá-lo até ele. Ao invés de me levar para a área conjunta da casa de repouso, a senhora Sanchez, que hoje ao parece nenhum pouco com a mesma mulher que está sempre bem humorada que eu vi em todas as outras vezes que estive ali, nós seguimos para o quarto individual do meu pai. Aquele fato por si só já me dizia muita coisa, pois naquele horário, eram ainda dezesseis horas da tarde, Joseph sempre estava interagindo com os seus amigos e hoje constatei que estava sozinho no seu quarto. A senhora Sanchez bateu rapidamente na porta, e mesmo sem que ouvimossemos nenhuma autorização para entrar, ela abriu a porta e acendeu o interruptor de luz ao lado da entrada do cômodo. — Olá!? — cumprimentei ao homem visivelmente perdido em pensamentos, sentado em frente a janela, enquanto olhava o horizonte distante — Papai? Só ao ouvir o chamado foi que Joseph pareceu sair do seu torpor e vi que um sorriso, mesmo que bastante tímido, se abriu em sua face enrugada pela tempo. — Matteo? — ele diz, nos surpreendendo grandemente — O que faz aqui!? Apesar da pergunta, o seu tom era de genuína alegria e senti uma estranha emoção se apossar do meu peito naquele instante.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR