Anos de Fúria

1517 Palavras
Cinco anos haviam se passado desde que Catarina fechara a porta da casa que a viu chorar tantas vezes. Cinco anos desde que deixou para trás aquela cidade pequena, os olhares cruéis e a dor que parecia inesgotável. Mas, como uma fênix, ela renasceu das cinzas da humilhação e da traição para se tornar uma mulher totalmente diferente — confiante, poderosa e com uma determinação feroz que ninguém ousava duvidar. Durante esses anos, Catarina viveu uma transformação profunda. Estudou com afinco, formou-se com louvor em administração de empresas, e construiu uma carreira sólida, fruto de noites intermináveis de trabalho, sacrifícios e foco. As cicatrizes do passado continuavam ali, mas agora eram marcas de força e aprendizado, não de fraqueza. Morava em um apartamento moderno no centro da cidade grande, onde cada detalhe refletia seu novo estilo de vida: elegante, sofisticado, mas discreto. O olhar que antes era tímido e inseguro agora irradiava uma segurança quase impenetrável. A garota que um dia foi vítima do desprezo e da humilhação tinha se tornado uma mulher capaz de comandar seu próprio destino. Foi numa manhã ensolarada que a ligação mudou tudo. — Catarina? — a voz firme do outro lado da linha não deixava dúvidas. — Aqui é Marcos, diretor de Recursos Humanos da Montez Corporation. O nome da empresa fez seu coração acelerar por um instante, mas ela manteve a voz calma. — Sim, sou eu. — Temos uma proposta para você. Um cargo de gerente sênior. Estamos impressionados com seu currículo e acreditamos que você pode contribuir muito para o futuro da empresa. Por trás do profissionalismo da ligação, uma tempestade de emoções se formava dentro dela. A Montez Corporation era mais que uma empresa — era o império da família de Brany, o palco da sua humilhação, o lugar onde sua vida havia mudado para sempre. — Agradeço pela oportunidade — respondeu Catarina, com a voz firme —, mas antes de aceitar, preciso deixar algo claro: eu não volto para ser só mais uma funcionária. — Entendo — Marcos respondeu, intrigado —, mas podemos conversar pessoalmente para esclarecer suas dúvidas? O sim de Catarina foi decidido e silencioso. Ela sabia que, ao aceitar o desafio, estava dando o primeiro passo para a vingança que planejava há anos. Não seria fácil. Enfrentaria antigos fantasmas, olhares curiosos, talvez até provocações. Mas estava pronta. No fundo, seu objetivo era claro: recuperar o que lhe foi roubado, colocar Brany e sua família frente às consequências dos erros do passado e, quem sabe, encontrar a paz que tanto desejava. A primeira reunião na Montez Corporation foi um teste de fogo. Ao chegar à sede imponente, Catarina sentiu os olhares fixos sobre ela — alguns surpresos, outros desconfiados. Todos conheciam sua história, todos lembravam da menina que um dia fora humilhada por Brany e seus amigos. Agora, a mulher que caminhava pelo corredor era diferente. Seu porte, seu olhar, sua postura diziam que ela não estava ali para ser vítima novamente. No salão de reuniões, ela foi recebida por Marcos e outros diretores. A conversa fluiu com profissionalismo, mas havia uma tensão palpável. Marcos apresentou os desafios da empresa, as metas agressivas, e destacou a importância de uma liderança forte para alavancar os negócios. Catarina ouviu atentamente, absorvendo cada detalhe. Não era só sobre negócios — era sobre o poder que ela poderia conquistar. Quando a reunião terminou, Marcos se aproximou. — Vejo em você uma mulher determinada. Isso vai impressionar muitos aqui dentro. — Determinada e focada — ela respondeu, sem deixar transparecer nada além de confiança. O desafio havia começado. Nos dias seguintes, Catarina mergulhou no trabalho. Sua rotina intensa incluía reuniões, análises, tomadas de decisão e o aprendizado da complexa dinâmica interna da Montez Corporation. Conheceu pessoas influentes, percebeu alianças e inimigos disfarçados, e compreendeu o peso que o sobrenome Montez carregava — tanto como um símbolo de poder, quanto como uma armadilha. Entre os funcionários, rumores começaram a surgir. A “menina da janela”, como ainda era chamada em sussurros, havia voltado, mais forte e implacável. Brany, claro, não tardou a descobrir. Ao receber a notícia de que Catarina assumiria um cargo importante, seu primeiro sentimento foi descrença, seguido de uma inquietação que ele tentava esconder. Ele se perguntava o que ela queria, qual seria o seu próximo movimento. Mas Catarina tinha um plano — e ele não seria peão. Numa noite silenciosa, enquanto analisava relatórios em seu apartamento, Catarina refletia sobre tudo o que havia conquistado. Pensava em como a dor do passado a impulsionara, em cada lágrima que derramara e cada vitória que alcançara. Sabia que a batalha estava apenas começando, mas estava preparada para lutar. Porque, agora, ela era dona do próprio destino. Os cinco anos longe daquela pequena cidade foram os anos mais intensos da vida de Catarina. A garota que um dia foi tímida, insegura e dominada pela dor, lentamente deu lugar a uma mulher forte, decidida e confiante, construída sobre as próprias cicatrizes. Logo nos primeiros meses após sua chegada à nova cidade, Catarina mergulhou nos estudos com uma intensidade que surpreendeu até a sua tia Isabel. As noites em claro, o esforço constante, os sacrifícios deixaram marcas profundas, mas cada obstáculo superado era uma prova de que ela estava mais próxima do seu objetivo. Isabel sempre foi mais que uma tia; foi a mentora e o apoio inabalável. Ela sabia exatamente quando Catarina precisava de um puxão de orelha e quando necessitava de um colo para chorar. Com seu jeito firme e amoroso, Isabel ajudou Catarina a reencontrar a si mesma, mostrando que a vida era mais do que o passado sombrio que a perseguia. Durante a faculdade de Administração, Catarina foi destaque. Fez estágios em empresas respeitadas, conquistou professores com sua inteligência e comprometimento, e construiu uma rede de contatos valiosa. Com o tempo, sua beleza natural e o jeito decidido chamaram a atenção de todos, mas ela jamais deixou que isso desviasse seu foco. Porém, por trás daquela mulher elegante e segura, havia a ferida aberta do passado — a traição de Brany, a humilhação pública, a dor da rejeição. Cada vez que via notícias sobre a Montez Corporation ou ouvia falar sobre a família Montez, um fogo se acendia em seu peito, alimentando seu desejo de justiça e vingança. Assim, ao se formar com louvor, Catarina não descansou. Entrou no mercado de trabalho com a mesma determinação que tinha nos estudos. Passou por cargos desafiadores, conquistou respeito e influência, e construiu uma reputação de mulher competente e incansável. Durante esses anos, ela também se reinventou visualmente. Seus cabelos longos e lisos ganharam cortes modernos e sofisticados; seu estilo passou a refletir sua nova identidade — elegante, poderosa, marcante. Seus olhos azuis, antes tímidos, agora brilhavam com intensidade e confiança. Mas o momento mais decisivo veio quando recebeu a proposta para assumir o cargo de gerente sênior na Montez Corporation — a mesma empresa que simbolizava tudo que ela quis esquecer, mas que também representava a arena onde sua revanche seria travada. Naquela ligação, Catarina sentiu a mistura de emoções mais intensa que já experimentara. Era a chance de ouro para mostrar a Brany e a todos os Montez que ela não era mais a garota que podiam manipular ou humilhar. Era a oportunidade de provar seu valor e, principalmente, de fazer justiça com as próprias mãos. Aceitar o cargo significava muito mais do que uma promoção. Era a promessa de um duelo silencioso, onde cada passo, cada decisão, seria uma peça no jogo de poder e vingança. Quando chegou na sede da Montez Corporation pela primeira vez como gerente sênior, Catarina percebeu que aquele lugar era um microcosmo da família Montez: beleza, riqueza, orgulho e jogos de poder. Ela sentiu os olhares curiosos, as risadas abafadas e os cochichos pelos corredores. Mas em vez de recuar, ela avançou, mostrando sua determinação em cada gesto e palavra. Logo percebeu que não seria fácil navegar entre os interesses conflitantes dos Montez. Brany, agora um homem consolidado, ainda dominava aquele universo com sua presença forte e sorriso sedutor, mas Catarina não estava disposta a ser mais uma vítima. Nos primeiros dias, ela estudou o funcionamento interno da empresa, observou alianças, entendeu fraquezas e forças. Preparou-se para usar seu conhecimento e experiência para virar o jogo. Nas horas vagas, revisitava mentalmente as cenas do passado, transformando a dor em combustível para sua determinação. Ao mesmo tempo, estabelecia uma rotina disciplinada — exercícios físicos, leituras, networking — que a mantinham focada e pronta para o que viesse. O retorno àquele mundo que um dia fora sua prisão não a assustava mais. Pelo contrário, ela sentia que era hora de assumir o controle da própria história. Mas, acima de tudo, Catarina sabia que, para vencer, precisava estar preparada para enfrentar não só Brany, mas também a si mesma — suas dúvidas, seus medos e a vulnerabilidade que ainda persistia. Cada passo naquela nova fase da vida era dado com coragem e inteligência, construindo a mulher que seria capaz de desafiar o passado e conquistar um futuro digno e cheio de significado.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR