Capítulo Vinte e três

1489 Palavras
Quando Lia chegou à casa, seus pais ficaram sem entender nada, ela tinha saído dali disposta a contar sobre a gravidez a Lucca e voltava chorando totalmente transtornada. Os pais pensaram o pior. Pensaram que o ex genro não tinha aceitado o bebê e que os dois tivessem discutido por isso. Eles foram até a filha que ainda chorava demais. Marina: Filha, o que aconteceu? Lia: Eu fiz uma besteira. Disse chorando. Marina: Você dirigiu assim? Chorando desse jeito? Otávio: Filha, como pode se arriscar assim? Está claro que não tinha condições de voltar assim. Poderia ter me ligado eu te buscaria. Disse preocupado com o estado da filha. Lia: Não queria ficar mais lá. Só queria vir embora. Marina: O que foi? Ele não gostou da notícia? Vocês brigaram por isso? Lia: Eu falei merda, mãe. Marina: O que disse? Eu não estou entendo, filha. Otávio: Eu vou pegar um copo de água. Disse saindo do quarto. Marina: Respira e me conte o que aconteceu. Otávio voltou com a água e deu a filha. Lia: Eu vi o Lucca com outra. Otávio: Ele está saindo com outra mulher? Perguntou com raiva. Marina: Otávio, calma. Vamos ouvir primeiro. Disse ao marido. Lia: Ele me garantiu que não. Que era só amizade, mas eu vi como os dois estão próximos. Ela toca nele o chama pelo apelido e até já saíram para beber. Marina: Até aí não vi nada demais. Se forem amigos o que tem? Lia: Acontece que eu vi, eu percebi que ela não quer só ser amiga dele. Marina: Filha, mas vocês se separaram uma hora isso ia acontecer. Tanto você quanto ele podem se interessar por outras pessoas. Lia: Eu sei, depois eu pensei muito e percebi isso. Que não tinha direito de cobrar nada dele, mas na hora eu fiquei com muita raiva. Marina: Ciúmes. Você ficou com ciúmes. Lia assentiu. Lia: E disse do bebê da pior forma. Na raiva. Falei da gravidez assim de supetão. Ele ficou sem reação. Eu não sei se foi pelo choque ou porque não gostou. Marina: Mas ele disse que não gostou? Lia se calou. Otávio: Fala, filha. O que ele disse? Sabe que se ele não assumir esse bebê estamos aqui para vocês sempre. Disse se referindo a ela e ao neto. Marina: Então? Lia: Eu não dei tempo. Disse que o bebê não era dele. Que tinha feito inseminação artificial. Disse arrependida. Otávio: Lia! Disse me tom de repreensão. Marina: Filha, porque fez isso? Lia: Foi na hora da raiva, do calor do momento. Depois vindo para cá. Pensando em tudo. Vi que fiz tudo errado. Marina: Você tem que contar a verdade a ele. Otávio: Você vai se acalmar e conversar com ele, como uma pessoa adulta e madura e resolver essa situação de vocês. Seu filho tem um pai, Lia. E não vai cria-lo como se não tivesse. Disse sério. Lia: E se ele ficar com raiva de mim? Marina: Por isso é melhor você dizer a verdade. Contar porque disse aquilo e dizer que ele é o pai. Se ele descobri será pior. Aí sim ele vai ficar muito magoado com você. Otávio: Filha, você saiu de casa por conta do seu sonho de ser mãe, as coisas não estavam bem entre vocês. Mas agora você tem o seu bebê. Um filho que você tanto queria e ele tem um pai e se você deixar eu tenho certeza que o Lucca será um pai maravilhoso. Ele sempre cuidou muito de você, porque ele te ama. E ao meu ver se ele souber que estar grávida vai ser a maior alegria para ele. Marina: Eu também acho. Não é como se ele não quisesse um filho, ele só tem receio pela profissão dele. Mas com o bebê aí. Apontou para o ventre dela - Ele vai ama-lo e protegê-lo. Eu tenho certeza disso. Lia: Eu não posso voltar agora. Eu... Otávio: Fica, se acalma. Nem que eu ligue para ele e peça para vir aqui. Fica tranquila. Ela assentiu. Mas o que ninguém esperaria era que ela fosse passar m*l a noite, ela acordou durante a madrugada sentindo uma dor forte, como uma cólica e se sentiu úmida. Se desesperou ao ver os lençóis sujo de sangue. Lia: MÃE! MÃE ME AJUDA! Gritou desesperada, com medo de perder seu filho. Seu filho tão amado e desejado. Marina e Otávio acordaram assustados com o grito da filha. Logo estavam no quarto da filha e ficaram preocupados com o que viram. Otávio: Eu vou tirar o carro. Disse pegando as chaves correndo. Lia: Mãe....não quero perder o meu filho. Por favor, eu não posso perder meu filho... Disse chorando. Marina: Não vai, você não vai. Disse ajudando a filha se levantar da cama. Otávio voltou ao quarto e no desespero pegou a filha no colo, enquanto Marina pegava os documentos da filha. Enquanto dirigia para o hospital, os pais se angustiavam com o choro da filha. Lia nervosa e com medo chorava demais. Otávio: Ajudem a minha filha, ela está perdendo o bebê. Disse aflito ao entrar no hospital. Um dos enfermeiros logo legou uma das macas e uma enfermeira ajudou Marina a fazer Lia se deitar. Quando ela sumiu pelo corredor da entrada de emergência sendo empurrada por dois enfermeiros e um médico residente. Otávio: Eu vou ligar para o Lucca. Marina: E se ela perder o bebê? Disse com medo. E chorando também. Otávio: Ela não vai. Mas de qualquer forma ele precisa estar aqui. Marina assentiu. Em um bairro da zona sul do Rio, Lucca acabava de se deitar, após afogar sua mente no trabalho para esquecer Lia, ele decidiu ir se deitar, foi quando seu telefone tocou e ele estranhou ao ver o número do sogro. No início ele pensou em recusar, mas pela hora se preocupou. Lucca: Oi Otávio. Atendeu. Otávio: Te acordei? Lucca: Não, trabalhei até muito tarde. Estava indo dormir agora. Otávio: Lucca, eu sei que você e a Lia se desenteram de novo, e que você já sabe da gravidez. Lucca suspirou. Lucca: Eu não quero falar disso. Disse sentindo toda a mágoa. Otávio: Ela está no hospital. Disse de uma vez.- Teve um sangramento, está com medo de perder o bebê. Lucca: Estou indo para aí. Disse sem hesitar. Apesar de achar que o filho não era dele, imaginava como ela estaria, era o sonho da vida dela. E está a ponto de perder aquele filho, era demais para uma pessoa que esperou anos para engravidar. Por isso ele sabia que ela precisaria dele caso o pior acontecesse. Nesse momento o amor que sentia por ela falou mais alto. Ele trocou de roupa e tirou o carro da garagem. Mandou uma mensagem para Ian e Paulo avisando que não iria trabalhar no dia seguinte. E com pressa pegou a Ponte Rio - Niterói. Por o trânsito estar mais tranquilo, ele não demorou a chegar ao hospital em que Otávio passou uma mensagem dizendo onde estavam. Viu os sogros sentados esperando. Marina se levantou e o abraçou assim que o viu. Lucca: Como ela está? Otávio: Não sabemos ainda. Ninguém disse nada. Marina: Ela não pode perder esse bebê. Ela vai ficar arrasada. Lucca: Ela não vai. Disse consolando a sogra. Mais de duas horas de espera o médico veio até eles. Médico: Parentes da Senhora Hernández? Lucca: Sou o marido dela. Disse ao médico. Médico: Ela passa bem, o sangramento foi contido a tempo. É normal que em algumas gestações ocorrem sangramentos o importante é conter a tempo. Marina: Então o bebê também está bem? Médico: Sim, é importante que ela faça repouso e não se aborreça. Manter o máximo de tranquilidade. Lucca: E podemos vê-la? Médico: Sim, ela já está no quarto em breve acordará. Marina: Vai você. Disse a ele. Lucca: Eu acho melhor irem e dizer que estou aqui. Vai que ela não queira me ver. Otávio: Eu tenho certeza que ela vai gostar de te ver. Vá. Disse o incentivando. Mesmo não acreditando muito ele seguiu o médico. E assim que o médico o deixou sozinho com ela. Ele se aproximou e segurou a mão dela. Ficou ali a observando. Lia aos poucos foi despertando e o viu ali. Lucca: Oi, como se sente? Lia: O...bebê? Perguntou tentando se sentar, mas ele a impediu. Lucca: Fica calma, ele está bem. Está tudo bem com seu filho. Disse a olhando. Ela o encarou e percebeu como ele ainda se preocupava com ela mesmo achando que o filho não era dele. Não era justo. Lia: Nosso...filho. Disse a verdade. Lucca: O que? Perguntou pensando ter escutado errado. Lia: Eu menti, o bebê é seu. Só poderia ser seu. Eu sempre quis que fosse seu. Lucca: É meu? Me-meu filho? Perguntou emocionado. Lia: Sim. Seu. Eu já estava grávida quando sai de casa. Lucca se levantou da cama em um pulo e a encarou muito sério.
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