Segundo

864 Palavras
Pov's Khadija. Estados Unidos. 🏥 Nova York. Emergência 🚑Hospital. As enfermeiras me auxiliam a como devo fazer. Procuro pela veia no braço da criança, já estou quase meia hora aqui. Sou observada pelos outros, inclusive monitorada pela mãe da paciente. Me concentro, para não errar. Quando finalizo, coloco o receptor do soro. — Não quero que a minha filha seja atendida por essa muçulmana. Quero falar com o responsável. Ando pelo corredor da emergência, ignorando o comentário que escuto assim que saio. Têm pacientes homens a serem atendidos, mas acabo passando direto. Me sento na cadeira, ao lado onde enfermeira chefe se encontra na recepção. . — Doutor Dylan não deu as caras ainda?— ela pergunta. E n**o com o olhar.—Deve está de ressaca. Ele joga todo o trabalho dele, nas mãos dos residentes. A mulher continua reclamando e fico ouvindo, parada. Meus olhos distantes circulam até final do corredor, onde enxergo o dr. Dylan cercado de outros médicos, chegando na emergência. Minha voz sai receosa, sem muita firmeza, quando pergunto: — Lígia, você tem um batom pra me emprestar? — Um batom, doutora? Seus olhos verdes me fitam surpresos. — É. Mordo meu lábio inferior, vendo a enfermeira se encaminhar até a sua bolsa. — Meu batom é escuro, doutora. Você usa? — Não tem problema.— digo.— Só preciso usar um batom.— guio o foco em direção ao motivo. O médico está conversando no momento com mãe da paciente que eu atendi. Me levanto, pegando o batom e indo até o banheiro. Estou nervosa, nunca coloquei um batom nos lábios. Encaro o meu reflexo em frente ao espelho. Ajeito o meu hijab. E após, coloco aquele batom vermelho em minha boca, a cor é tão chamativa. Termino de pôr e saio do banheiro, já ouvindo vozes na recepção. — Cadê a preguiçosa da minha residente? Reconheço a voz do doutor Dylan, enquanto me aproximo. — Doutor, ela foi só no banheiro e já volta.— Lígia o informa. — Já recebi duas reclamações dela. Você tá fazendo o quê aqui, Lígia? Presta atenção nesses aprendizes. — Doutor, eles são médicos formados e eu sou apenas uma enfermeira. Apareço no exato momento, que o meu chefe se vira, e recebo atenção dos demais. — Aí está você!— capto na sua voz, um sarcasmo, como também vejo o sorriso de canto que lança, quando paira os seus olhos grandes em sentido ao meu rosto. Engulo saliva, encolhendo os meus ombros e ficando sem jeito. Estendo para Lígia o batom e agradeço com um " shukran". — É muita falta do que fazer.— Doutor Dylan murmura. — Sério, a senhorita esqueceu que a emergência está lotada de pacientes? Fico calada, ouvindo a repreensão na frente de todo mundo. — De qual faculdade você veio? — Eu vir de Harvard— respondo, e minha voz ao rebater, gera mais desconforto no ambiente. — Harvard precisa rever mais os alunos. — ele joga a indireta. E passa por mim, furioso. Lígia entreolha para mim, mandando que eu vá atrás dele. Olho pro relógio, já são 12:00 horas. — Vai ficar aí parada, muçulmana? — escuto a voz autoritária soando no fundo. — Não posso agora, doutor, tenho uma coisa importante para fazer — O que seria de tão importante, pra você abandonar uma fila de pacientes na emergência? – É hora da minha segunda oração. Ele ri. — Lígia, diga para mim que eu não escutei isso. Parece uma piada! — Doutor, esses muçulmanos são assim mesmo. Eles param o que estão fazendo para orar. A enfermeira tentou intervir por mim, mas o meu chefe continua gargalhando, com deboche. — Só tem gente louca nesse hospital. Ele dá as costas, começando a andar. — Bora, muçulmana! — O que eu faço agora? — pergunto a enfermeira. — É melhor ir com ele.— ela aconselha. Começo a segui-ló. No certo momento, paramos perto de uma porta de consultório, e o médico diz: — Entra. Obedeço, sendo a primeira adentrar. Ele tranca a porta. Fico me sentindo intimidada, ao estarmos a sós. — Primeiro de tudo: esse batom está ridículo.— seu tom de voz, começa a me humilhar. Passo a mão na boca, manchando e retirando o batom vermelho dos meus lábios. — Segundo: eu não ligo que exerça a sua religião, desde que não atrapalhe o trabalho. Não estou aqui para ser babá de médica. Fui claro? Apenas concordo com a cabeça, engolindo o choro. — Terceiro: Nunca mais me responda na frente de ninguém. Hoje eu deixo passar, mas nunca esqueça que eu sou seu chefe, se coloque no seu lugar. Você é apenas uma simples residente, se eu quiser te reprovar, eu te reprovo. Minha garganta fica com o nó engasgado. As lágrimas se formam em meus olhos. Doutor Dylan diz: — Está dispensada por hoje, não quero ver a sua cara na emergência. Imediatamente me tiro do consultório, cabisbaixa. Nunca pensei que fosse ser tão difícil trabalhar no hospital. Olho para as luvas que estão em minhas mãos, suja pelo batom. Por Alláh, como eu fui i****a. Eu tentei agradá-lo e meu chefe zombou de mim.
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