Pov's Khadija.
Estados Unidos. 🏥 Nova York.
Houve muitas condutas antiéticas que procedeu na hora da cirurgia.
Retorno, para casa com os meus pensamentos atordoados.
Como um médico de tamanha referência, como Dr. Richard, têm condutas tão inadequadas.
Entro no apartamento, retirando o meu salto na entrada e calçando outra sandália. Eu ainda sigo os mesmos costumes do oriente.
Morar sozinha, torna-se difícil às vezes. Na minha religião a família é base de tudo, e quando não tem família, é como se os olhos de Alláh não tivesse sob você.
Tomo banho.
Faço a minha oração de joelhos.

Durmo, cansada, do pós plantão.

****
Na manhã seguinte....
Hospital 🏥
07:30 AM.
Chego no hospital, atrasada.
Não dirijo carro, preciso me locomover de metrô. Há tempos atrás, as mulheres eram proibidas de dirigir na Arábia, e eu nunca peguei num veículo.
Logo na entrada, cumprimento o porteiro, sendo ignorada.
Passo reto.
Encontro a enfermeira chefe, Lígia, no corredor.
— Salameico! Bom dia!— a cumprimento, simpaticamente.
A mulher que parece ter passado uma longa jornada de plantão, está com os olhos cheios de olheias por não ter dormido.
— Entregue isso ao doutor Richard.— ela me estende um café expresso.
— Onde ele está?— faço a pergunta.
— Deve está no consultório. Vá rápido! Ele não gosta de demoras.
A enfermeira dá as costas, até entreabro os lábios para perguntar onde fica, porém a enfermeira some tão rápido, que resolvo sair andando em busca de encontrar o consultório do meu chefe.
Rodo vários corredores, até encontrar.
Observo o nome do médico na fachada da porta. Dou duas batidas de leves, com receio.
E abro a porta;
Meu chefe está jogado no sofá dormindo. De ponta de pé, adentro, para pôr o café em cima da sua mesa.
Meus passos param, no exato instante...
— Cadê a Lígia?— arrogância do seu tom, me faz estremecer.
Olho em direção ao próprio, que está de olhos fechados, mas talvez tenha percebido que eu não era a enfermeira, pelo cheiro do meu perfume.
— Doutor Richard, ela está muito ocupada e pediu para entregá-lo.— com os olhos direcionados pro chão, informo.
E suas pálpebras se erguem, observando-me. Hoje uso um hijab de cor mais claro, e médico observa minuciosamente, o meu rosto cheio de maquiagem.
Engulo saliva, tensa.
— Que horas são, esquisita?— a voz cansada dele percorre.
Olho no relógio em meu pulso.
— Quase oito horas da manhã.— digo.
— Droga! Tô atrasado.— ele dá um sobressalto. — Vem comigo.
Travo, ao sentir o toque da sua mão em meu braço.
Meus olhos focalizam, sentindo um incômodo com o toque. Mas Dr. Richard solta rapidamente, andando e vou logo atrás, procurando alcançar os seus passos.
Nos direcionamos até área do pátio do hospital.
Quando entramos, outros médicos começam a segui-ló. Ele sobe no palco, e eu me posiciono embaixo, para assistí-lo.
Lígia está presente no evento, parece ser uma palestra.
As pessoas estão sentadas e há um banner imenso do rosto do meu chefe, sendo exibido no telão.
Dr. Richard está todo descabelado. Não usa o jaleco, parece até mesmo alguém comum, do que um médico nomeado.
Ele do jeito que acordou, veio pro evento.
—Vamos iniciar, parabenizando aos nossos profissionais por excelentes êxitos."— a diretora do hospital soa no microfone, com entusiasmo.— Especificamente ao doutor Richard, que na semana passada salvou a vida de uma criança com tumor cerebral. "
Olho para cara do médico, que é elogiado diante de todos, e nem esconde o tamanho do ego que sente ao ser aplaudido de pé por todos.

Relembro de ontem, da cirurgia que um homem de 68 anos morreu no centro cirúrgico.
—Aplaudam o nosso pequeno Ravi, que foi salvo pelo nosso querido doutor Richard"
A criança sem cabelo devido a doença, é ajudada a subir no palco, estando na cadeira de rodas.
Me comovo, ao vê o paciente.
Doutor Richard cumprimenta o garotinho de oito anos.
A diretora o entrega o microfone.
— Me sinto honrado de salvar vidas! —" doutor Richard inicia com essas palavras. — Me emociono em poder ver essa criança respirando.

Seu olhar admira o paciente.
O sorriso está escancarado na face do médico.
– Foi uma cirurgia delicada, mas... não houve sequelas. Graças o meu grau de experiência, o procedimento ocorreu com sucesso.— conforme diz, relembro dele ouvindo música e bebendo ontem na sala de cirurgia. – Minha equipe conduziu perfeitamente, não é apenas eu que mereço esse mérito, mas sim todos profissionais que trabalham ao meu lado.
Mais aplausos são ouvidos.
Todos que fizeram partes, vão pro centro do palco, sendo parabenizados.
Começo a me questionar, se eu fui injusta em questionar a conduta moral do cirurgião.
O evento é interrompido, com gritos:
– Assassino! Assassino!— a invasão da esposa do paciente que morreu ontem, faz um escândalo acusando ao Dr. Richard.— Você matou o meu marido! Irei processar esse hospital!
Meus olhos analisam a reação do médico, que é acusado publicamente. Ele não esboça nenhuma reação, apenas fica olhando para cara da mulher que é retirada pelos seguranças.
Burburinhos são ouvidos.
A diretora do hospital, toca em seu braço, como se o apoiasse.
Ninguém parece dá mínima para o sofrimento da esposa do paciente que perdeu a vida.
Me retiro do pátio do hospital, e meu chefe me vê saindo. Seus olhos grandes acabam seguindo os meus movimentos.
Assim que saio, flagro a mulher sendo expulsa do local, e fico pensando:
" ela perdeu marido, e provavelmente foi por negligência ".
Doutor Richard aparece atrás de mim, quando vou me virar para entrar novamente.
— Aí que susto! — reajo, com o coração acelerado.
Ele me prensa contra a parede, e arregalo os olhos.
— Você presta atenção no que vai dizer pro conselho do hospital, esquisita. Eles vão te chamar para perguntar como foi a cirurgia. — seus olhos me intimidam, com um olhar tão duro guiado pro meu rosto.— Se ferrar comigo, eu ferro com você também.
O médico me ameaça. E saí andando pelo corredor, na maior calma, como se não carregasse nenhuma culpa.