quarto

900 Palavras
HOSPITAL. Pov's Khadija. Estados Unidos. 🏥 Nova York. 21:00 PM. Depois de ter encarado a morte hoje de um paciente no centro cirúrgico, me sinto exausta mentalmente. Me encontro deitada no sofá de uma salinha onde os residentes ficam para relaxar. Alguns estão deitados no chão, outros nas camas disponíveis. Tirei um cochilo, e já preparo para o plantão. Vou ao banheiro, lavando as minhas mãos. Penso no que ocorreu. E os meus pensamentos ficam atormentados. Saio do transe, ouvindo as batidas na porta. — Vai demorar muito aí, muçulmana? Um arrepio pecorre, assim que reconheço o dono da voz grossa. Gaguejo, ao responder: — N-não, já tô saindo. Às pressas, termino de secar as mãos e saio pata fora, dando de cara com doutor Dylan. Seu estado é visivelmente deplorável. Engulo em seco, ao ser prensada no canto da parede, devido a sua aproximação. Suas mãos encostam sobre a parede, impedindo-me de passar. — Algum problema?— questiono tensa. Os olhos azuis do homem me desafiam e entreabro os lábios nervosa. Acabo me sentindo tão pequena, diante do reflexo que há lá no fundo das suas íris. — Você vem comigo.— ele diz. Daí o mesmo começa a me puxar pelo braço, enquanto andamos pelo corredor do hospital. — O que eu fiz de errado? – Tudo que você tem que fazer é balançar a cabeça. Não responda nada, ok? Doutor Dylan me explica. O encaro, confusa. — Eu não falei nada do que aconteceu na sala de cirurgia, eu juro.— me defendo. — Esqueça o que viu.— o médico me lança um olhar ameaçador. — Tire isso. Ele toma a frente para puxar o meu hijab da minha cabeça. De imediato, impeço. — La! Não faça isso, é haram. – falo em voz alta, fitando-o indignada. E ele afasta as mãos, dando passos para trás. — Eu só não vou te repreender de novo, muçulmana, porque eu preciso de um favorzinho. Vem. O sigo até o elevador. Embora eu esteja desconfortável, nem o fito durante o percurso até o nono andar. Nessa parte do hospital, fica a diretoria. Saímos do elevador em silêncio. — Eu falo tudo e você fica calada tá.— meu chefe explica. Quando leio na fachada da porta: sala da presidência. Meus olhos se arregalam, sentindo medo de perder a minha residência. Doutor Dylan me dá passagem para eu entrar primeiro. Fico receosa, mas adentro. — Uma muçulmana?— a médica mais velha, me analisa de cima abaixo. Ela é loira, de olhos verdes. — Qual problema mãe? Vivemos um país diverso.— ele a responde, se aproximando muito de mim.— Não gostou da minha namorada? Entreolho de imediato, perplexa, olhando pro lado. — Qual é o seu nome, querida? — Fala para ela, babe, o seu nome.— ele me cutuca. — Acho que ela não entende o nosso idioma, Dylan —É claro que entende, mãe. A muçulmana só está tímida. — Você a chama de muçulmana?— ela analisa, num tom de desconfiança. — É um apelido carinhoso, não é babe? — sou mencionada; e o meu chefe coloca braço em volta do meu ombro.— Fala alguma coisa, senão eu te reprovo aqui mesmo. Ele sussurra no meu ouvido. — Me chamo Khadija. Respondo sem jeito, e doutor Dylan sorri com ego elevadíssimo. — É um nome diferente.— a mãe dele comenta.— Mas é um nome marcante para ser uma Ortez, não é Dylan? — Claro, mãe.— percebo o sorriso forçado que o loiro esbanja, ao concordar.— Khadija veio de Harvard, sabia. — É sério, querida?— a mulher rapidamente se anima.— Já dei aulas por ela. Sou Megan Ortez. Muito prazer! Meus olhos na hora ficam admirados. — Já ouvi falar muito da senhora, eu sou sua fã. Já li muitos livros da medicina que a senhora publicou.— comento, até sorrio ao ter privilégio de conheça-lá pessoalmente. — Tá vendo mãe, eu arrumei uma namorada que é a sua admiradora.— doutor Dylan brinca, dando uma piscada de olho pra mim. — É primeira namorada responsável que você arruma, Dylan. — a mulher joga a indireta, causando um clima ruim.— Tô orgulhosa de você, meu filho. Quem diria, está virando um homem responsável. Ele encena ser um bom filho e um bom profissional. — Inclusive eu a Khadija estamos cuidando muito bem do hospital.— ele se achega novamente perto de mim.— Não é babe? Começa a vim nos meus pensamentos a morte do paciente. O silêncio predomina. Meus olhos encaram ele e a sua mãe, me sinto pressionada. Sou praticamente ameaçada através do olhar, pelo meu chefe. —Sim.— confirmo.— É verdade. — E quando é que vem o casamento?— ela nos pergunta. O meu chefe apenas rir, e eu fico suspensa. — Ainda vamos planejar, mãe. Sem pressão.— ele entreolha para mim, e desvio do contato. — Quero ter muitos netos. Dylan é meu único filho e o herdeiro de todo esse hospital. — Ele é o dono?– me choco, arregalando os olhos incrédula. — Claro que sou, babe, por que a surpresa? Eu que mando em tudo. Tudo tem que ser do meu jeito— o sorriso indireto que recebo, junto com alfinetada, me faz estremecer. É por isso que ele fica o tempo todo me ameaçando. Por Alláh!
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