Domenico Ricci
Eu estava em minha sala, sozinho com meus pensamentos, um copo de uísque nas mãos e o olhar perdido pela janela. O dia estava calmo, mas eu sabia que em breve a minha vida mudaria de forma irreversível. Eu só não sabia como. O pedido de casamento ainda era uma ideia nebulosa na minha cabeça, uma ideia que crescia a cada segundo, mas que ainda não havia encontrado sua forma definitiva.
Donatella entrou sem bater, como sempre. Seu sorriso já estava ali, e a energia vibrante dela invadiu a sala junto com ela.
— E então? Como vai o grande plano? — Perguntou. Já era de se imaginar que ela viesse até aqui.
— Ainda não sei. — Respondi, sentindo a frustração crescer. — Eu tenho uma ideia, mas não sei como transformá-la em algo digno da Iris.
Ela fez uma careta, o que me fez rir, mas logo ela se aproximou e se sentou ao meu lado, os olhos brilhando com aquela luz intensa. Ela tinha uma habilidade única de iluminar qualquer ambiente.
— Você sabe que ela vai adorar qualquer coisa que você fizer. Não precisa se matar tentando ser perfeito. Só… seja você.
Antes que eu pudesse dizer algo, Serena entrou pela porta e suspirei. Mais uma vez eu precisava da ajuda delas, porém, o caos que era as duas juntas não aliviava meu nervosismo. Serena não precisava dizer nada para saber que tinha algo em mente. Ela era assim, a mente criativa da família, sempre cheia de ideias.
— Eu já sei! — Ela exclamou, animada. — Porque não pede ela em casamento no castelo do bisavô de vocês?
Eu fiquei em silêncio por um instante, minha mente tentando processar a sugestão. O castelo da família. Eu raramente lembrava dele, mas, agora que Serena mencionou, fazia todo sentido. Era um lugar que representava história e força, o lugar onde tantos momentos importantes aconteceram. E Iris, minha Iris, merecia algo grandioso.
— O castelo? — Eu falei, mais para mim mesmo do que para os outros.
— Sim! — Donatella exclamou, se inclinando para frente com os olhos iluminados. — É o lugar perfeito. É imponente, grandioso, e ao mesmo tempo, pessoal. Você sempre fala dela como se ela fosse uma rainha, Domenico. Que melhor lugar do que um castelo para uma rainha?
Eu olhei para Donatella, depois para Serena, e comecei a visualizar o que ela estava sugerindo. Uma cerimônia íntima, mas cheia de significado. Um local que me conectava com meu passado e que, agora, se tornaria o cenário do nosso futuro. A ideia cresceu em mim como uma chama acesa, uma chama que, mais tarde, eu soubera que não poderia ser apagada.
— É perfeito. — Disse, finalmente. — Vai ser no castelo.
Damiano entrou na sala neste momento, levantando uma sobrancelha ao ver todos nós em animada discussão.
— Castelo? — Ele perguntou, se aproximando, intrigado.
Eu sorri. Sabia que Damiano, assim como todos os outros, era parte importante desse momento, e ele não poderia ficar de fora.
— Vou pedir Iris em casamento no castelo do bisnonno. — Respondi, já sentindo o peso da decisão em minha mente. Damiano sorriu, colocando as mãos nos bolsos.
— Eu preciso ver essa cena. — ele riu. — Você disse que nunca ia casar e agora está planejando um pedido de casamento.
Era difícil não rir com a afirmação dele, ele estava certo. Mas o que eu mais queria naquele momento era ir até o castelo e começar a planejar. Eu estava decidido. Era isso que eu faria. Era no castelo onde Iris merecia ser pedida em casamento.
No entanto, havia uma coisa que eu não podia deixar de fazer antes de dar o próximo passo. Algo que, para mim, era tão importante quanto qualquer gesto romântico. Eu precisava pedir a bênção dos pais de Iris.
Após um tempo, me despedi deles e sai da sede já sabendo meu próximo destino. Entrei no carro, com o nervosismo me consumindo enquanto o motor roncava suave. Meus pensamentos estavam com Iris. Como seria a vida com ela? Uma vida que eu queria construir juntos, uma casa, uma família, filhos. A ideia de filhos ainda me fazia sorrir, imaginando-os com a beleza e a coragem dela. Mas, ao mesmo tempo, não conseguia deixar de me perguntar: eu estava indo rápido demais? Será que ela também queria isso? Eu estava tão certo de que era o que eu queria, mas seria o que Iris queria?
Cheguei à casa de seus pais e, ao sair do carro, um frio na barriga tomou conta de mim. Apertei os ombros, tentando me acalmar. Ao chegar na porta, bati, e logo Seu Antônio abriu, com aquele olhar desconfiado de sempre.
— Domenico, o que foi? Iris não veio com você? — ele perguntou, já me deixando meio tenso. Não queria parecer que iria dar uma notícia r**m para eles. Eu só precisava pedir a benção dos dois enquanto Iris estava segura no restaurante.
— Na verdade, eu gostaria de conversar com o senhor e com Dona Mercedes — respondi, tentando controlar minha voz.
Seu Antônio me olhou por um momento, curioso, mas acenou para que eu entrasse.
— O que está acontecendo, Domenico? Tudo bem com a Iris? — Perguntou assim que chegamos na sala.
Eu respirei fundo, tentando não deixar que o nervosismo transparecesse. Agora que estava aqui, não havia volta. Olhei para ele, e, de repente, me senti mais confiante, como se finalmente estivesse dando um passo certo. Era isso o que eu queria. Era isso o que eu precisava fazer.
— Iris está bem. Na verdade eu… Eu queria falar sobre ela. Eu a amo, e quero vê-la feliz, mais do que qualquer outra coisa — comecei, minha voz mais firme agora.
Dona Mercedes entrou na sala, e seu olhar suave logo me fez sentir mais confortável. Ela sorriu para mim enquanto se sentava ao lado de Seu Antônio.
— Eu quero dar o mundo a ela, e eu daria qualquer coisa para vê-la sorrir todos os dias. Eu não sei como explicar o quanto ela significa para mim. Ela é minha luz — continuei, sentindo o peso das palavras que saíam da minha boca. — E eu… Eu gostaria de pedir a benção de vocês para pedir a mão de Iris em casamento.
Havia um silêncio na sala, e eu observei as expressões deles. Dona Mercedes, com os olhos já marejados, parecia emocionada. Seu Antônio ficou em silêncio, mas pude perceber que ele estava pensando cuidadosamente nas minhas palavras.
— Domenico, você não sabe como eu rezei para ver minha filha feliz. Você não sabe o quanto isso significa para mim — Dona Mercedes disse, com a voz embargada, seus olhos cheios de ternura. Ela me olhou com aquele carinho, como uma mãe olhando para alguém que ela sabia que seria bom para sua filha. — Você a fez tão feliz, e eu sempre rezei para que ela encontrasse alguém que a amasse assim.
Meu coração se apertou, e eu quase não consegui segurar as lágrimas. A emoção tomou conta de mim, e foi então que Seu Antônio se levantou, com aquele jeito sério e firme que sempre teve.
— O que eu mais quero é ver minha filha feliz — disse ele, com a voz grave, mas cheia de sinceridade. Ele olhou para mim, e por um momento parecia que ele estava avaliando se eu estava dizendo a verdade, se eu realmente sabia o que estava fazendo. — Eu vejo o quanto você a faz feliz, Domenico. E sei que você é a pessoa certa para cuidar dela.
Eu sorri aliviado, sentindo uma sensação de paz, como se uma grande carga tivesse sido tirada de meus ombros.
— Então, vocês permitem? — perguntei, ainda com uma pontada de incerteza, mas já sabendo que a resposta seria sim.
— Sim — respondeu Dona Mercedes, com um sorriso carinhoso, enquanto ela me abraçava. — E eu sei que Iris será muito feliz com você. Nós damos a nossa benção.
Eu suspirei, com um sorriso largo, e me levantei. Agora, tudo estava pronto para o meu pedido. E tudo o que restava era a confirmação dos pais de Iris. Eu sabia que eles confiavam e acreditavam em mim. Agora, eu só precisava mostrar a Iris o que ela era na minha vida.
— Eu prometo proteger Iris e fazê-la feliz todos os dias da minha vida — falei com convicção.
Eles me olharam, e pude ver a sinceridade nos olhos de ambos. Eu estava pronto para dar esse passo, e a benção deles significava o mundo para mim. Eu sabia que em breve, Iris seria minha esposa. E não havia nada que eu quisesse mais do que isso.
Me despedi deles e, ao sair de casa, entrei no carro, com um sorriso no rosto e o coração leve. Já podia me imaginar ao lado de Iris, nossa vida juntos, nossa casa, nossa família. Tudo o que eu queria estava ao meu alcance, e agora eu sabia que estava indo na direção certa.
A estrada à frente parecia mais clara agora. Eu estava pronto. Iris seria minha, e nada mais importava.