Capítulo 74

1061 Palavras
Iris González A noite estava calma, e a brisa fresca de Turim trazia um alívio bem-vindo depois de um dia exaustivo no restaurante. Eu estava encostada no peito de Domenico, sentindo o calor do seu corpo e o ritmo constante da sua respiração. Suas mãos traçavam carícias lentas e despreocupadas nas minhas costas e no meu pescoço, criando uma sensação de aconchego que me fazia esquecer todo o cansaço. A parte de cima da cobertura de Domenico era um dos meus lugares favoritos. Sentar ali, observar a cidade iluminada e sentir a presença dele tão perto fazia qualquer preocupação desaparecer. Ele estava sendo ainda mais atencioso e carinhoso nos últimos dias. Claro, Domenico sempre foi intenso, mas agora… era diferente. Eu sentia que algo estava passando por sua mente, algo que ele ainda não tinha compartilhado comigo. — Está tão silenciosa, amore mio… — Domenico murmurou contra o meu cabelo, apertando o abraço ao meu redor. — Está cansada? Soltei um suspiro e fechei os olhos por um instante. — Um pouco — admiti. — Mas é um cansaço bom. — Ele deslizou os dedos pelo meu braço, depois voltou a traçar círculos na minha pele. — Você trabalha demais. Precisa pegar mais leve. — Disse baixo e dei um pequeno sorriso. — Não posso simplesmente desaparecer do restaurante — brinquei. — Eu preciso daquele lugar. Domenico suspirou e sua mão apertou minha cintura de leve. — E eu preciso de você. — respondeu sincero. A forma como ele disse aquilo, tão simples e ao mesmo tempo tão carregada de sentimento, fez meu coração acelerar. Levantei o rosto para encará-lo, meus olhos encontrando os dele. — Você está diferente… — Comentei. Ele arqueou a sobrancelha, um sorriso brincando em seus lábios. — Diferente como? — questionou. Passei a ponta dos dedos pelo tecido de sua camiseta pensando no que dizer. — Mais carinhoso… como se estivesse tentando me mimar mais. — Domenico sorriu, mas não negou. — Talvez eu só esteja aproveitando a mulher maravilhosa que tenho ao meu lado. Meu peito aqueceu com aquela resposta, e eu me aconcheguei ainda mais nele, fechando os olhos. Ficar ali, cercada pelo seu calor, sentindo os braços dele ao meu redor, me fazia perceber como Domenico havia se tornado essencial para mim. — Você já pensou no futuro? — ele perguntou de repente, sua voz baixa e introspectiva. Abri os olhos devagar. — Em que sentido? — Perguntei. Domenico hesitou por um momento antes de responder. — Em tudo. Como será nossa vida daqui a alguns anos. No que você quer para si mesma. — Falou e fiquei em silêncio, refletindo. — Sei que não quero passar a vida toda no restaurante — confessei. — Gosto de estar lá, mas não é algo que quero para sempre. — E o que você quer? — Desviei o olhar para as luzes da cidade, soltando o ar lentamente. — Estava pensando em estudar algo… — confessei. — Ainda não sei o quê, mas quero aprender mais, me dedicar a algo que realmente me faça feliz. Domenico ficou em silêncio por alguns instantes, e quando olhei para ele, vi um pequeno sorriso se formando em seus lábios. — Então vamos descobrir do que você gosta. Independente do que escolher, vou admirar ainda mais sua força. — Vai? — perguntei surpresa. Ele segurou meu rosto com uma das mãos, seus olhos brilhando com intensidade. — Claro que sim. E eu vou estar ao seu lado, te apoiando em cada escolha. — Meu coração apertou com a profundidade daquela promessa. — Você realmente pensa no futuro assim? — Perguntei. Domenico sorriu de leve. — Penso, princepessa. Penso em construir uma vida com você. Em ter uma casa, filhos… uma família que seja nossa. — Disse com sinceridade olhando para o horizonte. Meu peito se encheu de calor, e minhas mãos se fecharam sobre o tecido da camiseta dele. — Você quer ter filhos? — Questionei e ele riu baixinho. — Quero. — Respondeu sem hesitar. — Quantos? — Ele inclinou a cabeça, pensativo. — Dois, três… quem sabe quatro? — Disse. Arregalei os olhos, e ele riu da minha expressão. — Estou brincando… ou talvez não. — Eu ri também, balançando a cabeça. — E por que quer tanto isso? — Perguntei me ajeitando para olhar em seus olhos. Domenico suspirou e olhou para a cidade por alguns instantes, como se estivesse organizando seus pensamentos antes de falar. — Eu cresci vendo o amor que meus pais tinham um pelo outro. Eles construíram uma vida juntos, passaram por dificuldades, mas sempre permaneceram lado a lado. Meu pai ensinou a Damiano e a mim que o poder de um homem não está só no que ele conquista, mas também em quem ele escolhe para caminhar ao seu lado. — Senti meu peito apertar com aquela confissão. — Eu nunca pensei muito nisso antes — ele continuou. — Sempre estive focado na máfia, nos negócios, na Carbone… Mas então você apareceu, e tudo mudou. Agora, quando penso no futuro, só consigo imaginar você. Meu coração disparou, e minha respiração ficou presa por um instante. — Você quer mesmo tudo isso comigo? — Ele segurou minha mão e beijou o dorso com carinho. — Mais do que qualquer outra coisa no mundo. — olhou nos meus olhos e depois para minha boca. Engoli em seco, sentindo as lágrimas se acumularem nos meus olhos. — Eu também quero isso com você. — Sussurei. O sorriso que se formou no rosto de Domenico foi de pura felicidade. Ele me puxou para um beijo suave, terno, cheio de promessas silenciosas. Quando nos afastamos, ele passou os dedos pelo meu cabelo, me observando de perto. — Você acha que eu estou indo rápido demais em querer tudo isso? — Perguntou e balancei a cabeça negando imediatamente. — Não, Dom. Não existe um tempo certo para o amor. Existe apenas o que sentimos. Ele sorriu, parecendo aliviado, e me puxou mais para perto, aconchegando meu corpo ao dele. Ficamos ali por mais um tempo, apenas curtindo a presença um do outro. A conversa havia sido sincera, cheia de desejos compartilhados e sonhos que começavam a ganhar forma. Quando o vento ficou um pouco mais frio, Domenico me envolveu com seus braços e me carregou para dentro, como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo.
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