Domenico Ricci
Acordei sentindo o peso leve e confortável de Iris sobre mim. Seu corpo quente estava parcialmente entrelaçado ao meu, o rosto descansando sobre meu peito enquanto sua respiração tranquila roçava minha pele. Minha mão deslizou instintivamente por suas costas, sentindo a maciez da sua pele sob os lençóis.
O sol já invadia o quarto pelas frestas das cortinas, mas eu não queria me mover. Pela primeira vez em dias, não tinha pressa. Não tinha reuniões urgentes, não precisava sair correndo para resolver problemas no cassino ou na máfia.
Só queria ficar ali. Com ela.
Observei o jeito como seus cílios longos descansavam sobre as bochechas, o formato perfeito dos lábios que eu tanto adorava beijar. Ela era meu alívio, meu porto seguro, a única pessoa que conseguia me fazer sentir paz no meio de um mundo tão caótico.
E então, o pensamento surgiu.
E se eu pedisse ela em casamento?
A ideia não era nova. Há semanas eu vinha considerando isso, imaginando como seria chamá-la de minha esposa, ver Iris andando pela casa com minha aliança no dedo, carregar meu sobrenome.
E mais do que isso… construir uma família com ela.
Fechei os olhos por um instante, deixando-me levar pelo pensamento. Imaginei uma menininha com os olhos brilhantes de Iris e seus cachos escuros, correndo pela casa e me chamando de papai. Ou um garotinho com seu mesmo espírito forte, determinado, herdando sua coragem e bondade.
A ideia aqueceu meu peito de uma maneira que me pegou desprevenido. Eu nunca tinha desejado algo assim antes. Nunca tinha parado para imaginar esse tipo de futuro para mim. Mas com Iris… tudo era diferente.
O problema era: estava indo rápido demais?
Abri os olhos e encarei o teto. Eu sabia que a amava. Sabia que ela era a mulher da minha vida. Mas será que ela já queria isso? Será que estava preparada para esse passo?
— Você está tenso — a voz suave de Iris me tirou dos pensamentos.
Olhei para baixo e encontrei seus olhos sonolentos me encarando. Um pequeno sorriso brincava nos cantos de seus lábios.
— Só estava pensando — murmurei, deslizando os dedos por seus cabelos.
— Em quê? — perguntou.
Poderia ter dito qualquer coisa. Poderia ter desviado o assunto. Mas em vez disso, apenas sorri.
— Em você. — Ela riu, fechando os olhos por um instante e se aconchegando mais em mim.
— Bom pensamento então. — Disse baixo.
— Sempre. — Respondi segurando seu rosto e deixei um beijo demorado em sua testa.
Após uma manhã cheia de carinho e um café observando seu sorriso, levei Iris até o restaurante. Ela desceu do carro com um olhar tranquilo, e antes de entrar, se inclinou na janela para me deixar um último beijo.
— Não se esqueça de almoçar, tá? — me lembrou.
— Só se você me lembrar de hora em hora. — ela riu.
— Você sabe que eu vou fazer isso. — Sorri e roubei mais um beijo antes que ela se afastasse.
Assim que ela desapareceu pelas portas do restaurante, soltei um longo suspiro e me recostei no banco do carro. O pensamento do casamento ainda martelava minha mente.
Iris me amava. Eu sabia disso. Então por que raios eu ainda estava hesitante?
Resolvi ir para a sede da máfia. Talvez eu conseguisse algum conselho do meu irmão e um pouco de tranquilidade sobre esse assunto.
Estacionei na garagem do prédio e subi pelo elevador. Assim que entrei na sede, Luca me recebeu na entrada.
— Damiano já chegou? — perguntei.
— Sim. Ele e seu pai estão na sala de reuniões. — respondeu e estranhei a presença do meu pai.
Assenti e segui para lá. Ao abrir a porta, encontrei meu irmão sentado na cabeceira da mesa, enquanto nosso pai estava ao seu lado.
Mas o que realmente me chamou a atenção foi Nicolas, engatinhando sobre a mesa entre os dois, rindo enquanto meu pai tentava fazê-lo ir até ele.
A cena me pegou de surpresa.
Damiano, o homem sempre sério e focado, estava sorrindo abertamente, incentivando o filho a engatinhar.
— Vem, piccolo. Eu sei que você consegue — meu papà dizia.
Nicolas soltou uma risadinha e engatinhou mais rápido, alcançando o avô, que o pegou no colo e o jogou levemente para cima, arrancando mais risadas.
Eu sorri.
— Isso é uma reunião? — Perguntei e Damiano virou-se para mim, ainda sorrindo.
— É uma reunião muito importante, padrinho. Estamos discutindo a importância de engatinhar até o nonno.
Nosso pai riu e eu me aproximei. Nicolas olhou para mim e engatinhou agarrando minha gravata, logo puxando curioso.
— E você, pequeno mafioso? — provoquei. — Está testando minha resistência? — Nicolas apenas riu e eu passei a mão pelo seu cabelo macio.
— Tudo certo? — Damiano perguntou, agora me observando com atenção.
— Preciso de um conselho. — Damiano e meu pai trocaram olhares e voltaram a mim.
— Sobre? — Meu irmão perguntou. Eu respirei fundo.
— Estou pensando em pedir Iris em casamento. — O silêncio que se seguiu foi interrompido apenas por Nicolas, que começou a brincar com os botões da minha camisa.
— Você tem certeza disso? — Meu pai foi o primeiro a falar.
— Tenho papà. Eu a amo. Não quero perder mais tempo. — Falei. Damiano suspirou e apoiou o queixo sobre a mão.
— Você sabe que casamento não é só uma festa bonita e um anel no dedo, certo? — perguntou.
— Óbvio. — Revirei os olhos.
— É um compromisso. Algo para toda a vida. — Completou.
— E você acha que eu não sei disso? — questionei ficando irritado. Damiano soltou um pequeno sorriso.
— Sei que sabe. Mas preciso perguntar. — Eu cruzei os braços.
— E qual é a sua opinião, então? — Questionei. Ele ficou em silêncio por um momento e depois assentiu.
— Se tem certeza, então faça. Você e Iris se amam. Não tem por que esperar. — Falou entregando a chupeta para o filho.
Olhei para meu pai, esperando sua opinião.
Ele sorriu de lado.
— Se seu coração diz que é a hora, filho, então é a hora. O amor não tem tempo certo. Apenas acontece. É nítido que você e Iris foram feitos um para o outro. — Suspirei, sentindo o peso da indecisão se dissipar levemente.
— Obrigado. — Respondi. Eu sentia que era o momento, Iris era a mulher da minha vida e eu m*l via a hora de torná-la minha esposa.
Meus pensamentos foram interrompidos com Nicolas que puxou minha gravata de novo e riu, como se soubesse o que estava acontecendo.
— E você, mafiosinho? O que acha? — Ele gargalhou e eu fiz cócegas nele.
— Acho que ele aprova — Papà disse, sorrindo.
Eu ri e, por um instante, imaginei nossos filhos ali… Uma criança minha e de Iris.
Sim. Eu tinha certeza.
Eu ia pedir Iris em casamento.