capítulo nove

2434 Palavras
A manhã finalmente chegou, o sol clareava todo o quarto do sonserino que já estava se arrumando antes mesmo do dia amanhecer. Davina logo acordou, já não estava mais sentindo dor alguma em seu corpo, ficou encarando o moreno fechar sua camisa branca enquanto se olhava em frente ao espelho. — Gosta do que está vendo, senhorita Wezen? — Sorriu olhando através do espelho. — Ah? — Davina se assustou, por um instante acreditou que ele não havia notado seus olhos curiosos em cima de seu corpo. — Está melhor? — perguntou virando para vê-la ainda fechando sua camisa. — Ah, estou sim. — Suas bochechas estavam queimando de tanta vergonha por ver o rapaz com a camisa aberta — Que horas são? — Seis e meia. — Como? Me deixou dormir? — Você é muito teimosa, sabia? — Palhaço — exclamou se cobrindo. — Por que levantou tão cedo? — Tenho algumas tarefas para fazer, pode usar o banheiro se quiser. — Obrigado, a Winky vai me m***r. — Por que? — Porque dormi fora do meu quarto com um rapaz. — Suspirou entrando no banheiro. — Tem escovas aqui? — Na gaveta. Você diz como se isso fosse um absurdo. — Tom agitou sua varinha para arrumar seus lençóis. — Sabemos que não tivemos intenção alguma, Tom. Mas se as pessoas souberem que passei a noite com você, elas vão falar sobre isso. — Não estou preocupado com o que vão pensar. — Sorriu arrumando seu cabelo. — É fácil falar. — A menos que vá andar por aí com os cabelos bagunçados assim, não deveria se preocupar. — Como? — perguntou se aproximando do espelho e tentou pentear os cabelos com as mãos. — Quer ajuda? — Usa laços no cabelo? — Não, mas posso fazer um. — Abriu alguns de seus livros que descansavam em uma prateleira e pegou um marcador de página. Riddle agitou sua varinha e uma fita de cetim verde logo tomou forma — Isso serve? — Sim, obrigado. — Sorriu. Davina puxou todo seu cabelo para a lateral e passou a fita por debaixo de suas mechas. — Quer ajuda? — Pode segurar? — Claro. — Tom pegou toda a extensão de seu cabelo e segurou firme enquanto ela prendia — Ficou ótimo. — Obrigado. Após Riddle terminar de se arrumar e verificar se Josephine não estava na sala comunal, os dois foram ao salão principal tomar café. Por muita sorte nenhum dos amigos de Davina tinham chegado ainda. Os dias passaram rápido, Davina se dedicou ao trabalho de runas antigas com Edward durante toda a semana. Winky a perturbou a semana inteira querendo saber como estava sua “relação" com Riddle, mesmo que não existisse nada além de amizade, ela até convenceu Neil a levá-la ao baile para ficarem de olho na amiga. — Acha que elas vão demorar? — Neil perguntou arrumando sua gravata. — Bom, já viu aqueles vestidos? São enormes! — disse Edward dando risada, ele havia convidado Rosele Rowle para ir ao baile, uma garota morena de dezesseis anos que costumava fazer dupla com ele durante algumas aulas. — A Winky é maluquinha, só quer ir ao baile porque segundo ela, precisamos ficar de olho na Davina — reclamou. — Ah, vai me dizer que não gostou da ideia? — Claro! Passar toda a minha noite de sábado perseguindo Tom Riddle é uma ótima ideia. — Fitz gargalhou com a expressão do amigo e logo levantou para receber as garotas que haviam acabado de chegar na escadaria. — Uau. — Sorriu encarando Davina que parecia um pouco tímida. Seus cabelos castanhos estavam encaracolados, usava um vestido vermelho não muito longo, sem decotes extravagantes ou nada que atraísse tantos olhares, ao contrário da senhorita Crockett que ostentava um belo decote em um vestido preto que mostrava todo seu colo. — Vocês estão ótimas — disse Neil sorridente. — Obrigado — respondeu Davina. — Onde está sua acompanhante Edward? — Estou esperando ela, não a viram? — Não. — Podemos entrar? — Neil encarou a amiga que tentava organizar os cabelos em um lado de seus ombros. — Sim. Davina, vai entrar agora? — Não, estou esperando uma pessoa. — Certo, vemos vocês lá dentro. — Os dois assentiram enquanto olhavam os amigos entrarem no grande salão. — O vestido ficou ótimo em você — comentou Edward um pouco tímido. — Me falaram isso quando fui comprar. — Sorriu debochada. — Boba, se importa se eu for atrás de Rosele? Não quero te deixar sozinha. — Sem problemas, pode ir. — Nos vemos depois. Davina ficou um tempo encarando os casais que entravam e saiam do baile, por um instante até acreditou que o senhor Riddle havia se esquecido dela. — Por favor, me desculpe a demora deu uma confusão na cozinha, alguns elfos confundiram as receitas e eu tive que ajudar. — Davina se virou calmamente e sorriu para o rapaz que estava com o cabelo um pouco bagunçado. — Boa noite, Tom. — Boa noite, você está deslumbrante. — Sorriu analisando a garota. — Obrigado, você também está bonito. Só me deixa... — Arrumou o cabelo do rapaz e sorriu, Tom vestia um terno totalmente preto o que deixava a garota ainda mais destacada ao seu lado. — Obrigado. Podemos ir? — Ah, claro. — O rapaz estendeu seu braço e logo a morena se apoiou para entrarem juntos no salão. Não precisaram dar muitos passos para chegarem ao salão principal, a decoração estava arrumada perfeitamente, os vasos de flores ostentavam lindas rosas vermelhas, algumas pétalas caiam sob os alunos mas nunca chegavam ao chão, todos pareciam estar se divertindo. — Tem certeza de que foi você quem decorou? — Davina sorriu o encarando. — Eu dei a ideia das pétalas caindo, mas cuidei do buffet, se não gostar pode reclamar com os elfos. — Está lindo. — Sorriu olhando em volta. — Quer beber algo? — Claro. — Procure uma mesa, eu já volto com nossas bebidas. Tom caminhou calmamente entre os outros alunos, nunca havia gostado de bailes, ainda mais Hogwarts que costumava fazer no mínimo dois bailes por semestre. Encarou os alunos em volta, alguns pareciam bem mais animados do que uma simples cerveja amanteigada deixaria. Rapidamente pegou suas taças e voltou em busca da senhorita Wezen que logo a avistou sentada com seus amigos “ótimo", pensou o rapaz. Mesmo que adorasse a companhia da garota, não era muito fã de seus amigos. A senhorita Crockeet sempre arrumava uma desculpa para se aproximar quando Malfoy estava por perto, e Neil Lament parecia que odiava o fato de que Davina era amiga de Riddle — o que não era mentira. — Boa noite. — Os cumprimentou sentando ao lado da morena. — Boa noite. — O casal respondeu em coro. — Espero que goste de cerveja amanteigada — disse sério analisando cada detalhe da garota. — Gosto sim, obrigado. — Sorriu tímida. Todos ficaram em um silêncio constrangedor na mesa, qualquer um poderia notar de longe o quão desconfortável todos estavam, por um momento Neil agradeceu quando avistou Edward se aproximando ao lado de Rosele. — Boa noite, podemos nos sentar aqui? — O rapaz perguntou sorridente, com certeza nenhum dos alunos que estavam ali já haviam visto Edward ao menos um pouco triste, ele sempre parecia estar feliz. — Fiquem a vontade — respondeu Neil sem animação, estava odiando a presença de Riddle. — Essa decoração ficou incrível, Rosele. As pétalas caindo do teto são bem dramáticas, mas é interessante. — Davina apertou seus lábios para não rir de Riddle que encarava o rapaz com raiva. — Obrigado, Fitz. — Rosele sorriu sem graça, ela não ousaria dizer que as pétalas haviam sido ideia do sonserino. — Vamos dançar. — Tom parecia estar super incomodado, com certeza a noite não estava sendo como ele havia planejado. — Ah, vamos. — Davina segurou sua mão e o acompanhou para o salão onde outros alunos dançavam lentamente com seus acompanhantes — Você está bem? — Sim. — Riddle a puxou para perto e segurou firme em sua cintura, logo começaram a se mover de um lado para o outro. — Eu gostei das flores. — Sério? — reclamou. — São bonitas, o Fitz não disse aquilo por maldade. — Não quero falar sobre isso. — Girou a garota. — E sobre o que quer falar? — Seu vestido é bonito, vermelho lhe cai muito bem. — Mudou completamente de assunto, Tom odiava se sentir intimidado mesmo que fossem apenas flores. — Sério? Um amigo me deu a ideia de usar vermelho. — Sorriu debochada. — Amigo é? — Retribuiu o gesto — Ele é legal? — Um pouco ranzinza para a idade, controlador e abraça muito enquanto dorme. — Não abraço não — resmungou. — Vamos fingir que eu acredito. — Boba, fico feliz que tenha aceitado meu convite. — Ah é? Por quê? — Como? — Por que me convidou? Nós dois sabemos que qualquer uma aqui aceitaria te acompanhar. — Mas eu não quero qualquer uma. — Davina sentiu seu rosto queimar, enquanto Riddle sorria vitorioso, ele adorava a deixar sem graça — Quer dar uma volta? — Claro. Riddle segurou sua mão e a guiou para fora do salão indo em direção aos corredores do castelo, os dois caminharam silenciosamente por alguns minutos. — Você tem medo de altura? — O rapaz tentou puxar assunto, enquanto tentava se demonstrar calmo. — Ai depende, vai me jogar da torre de astronomia? — Não! Por que eu faria isso? — Me diz você. — Gargalhou com a expressão de confusão do garoto. — Quero te mostrar um lugar. Aceita? — Claro — respondeu animada. Após alguns minutos de caminhada e muitas escadarias, finalmente os dois chegaram na torre do relógio onde Tom costumava passar muito tempo, já que quase nenhum aluno passava por ali. — Onde estamos? — Na torre do relógio. — Suspirou se apoiando para admirar a paisagem, mesmo o verão se aproximando uma garoa insistia em cair quase que todas as noites. — Muito alto. — Pensei que não tinha medo. — Eu não falei que não tinha. — Vem cá, vai gostar da visão. — E se eu cair lá embaixo? Uma queda de mais de cinco metros não parece ser uma boa ideia. — Riddle gargalhou e a olhou com serenidade. — Confia em mim, não vou deixar você cair. — Estendeu-lhe a mão e ela se aproximou segurando na mão do rapaz com firmeza. Mesmo chovendo ainda podia-se ver algumas estrelas a olho nú no céu escuro, as árvores balançavam de um lado para o outro quase que em perfeita sincronia. — Como achou essa entrada? — Tempo livre nas férias, ficaria surpresa com o que eu conseguia inventar quando estava entediado. — Tipo? — Isso é segredo. — Como esse lugar? — Sim. — Por que está me mostrando? — Eu gosto de vir aqui para ficar sozinho e pensar um pouco. — Suspirou — E eu gosto da sua companhia, por que não juntar os dois? — Ótima pergunta. — Ah, eu fiz uma coisa para você durante o trabalho de runas antigas. — O que fez? A pedra filosofal para vivermos para sempre? — Zombou. — Não, mas seria uma boa. — Riu fraco enquanto puxava algo de sua calça — Eu fiz um colar com a pedra obsidiana. — Que lindo. — Sorriu encarando o colar que tinha o formato de uma pequena estrela mesmo que não fosse bem definida, a corrente era de prata o que deixava a pedra ainda mais destacada — Pode colocar? O rapaz apenas assentiu e se posicionou atrás da garota, logo passou a corrente por seu pescoço e a fechou. — Ficou ótimo. — Obrigado, Tom. — Davina o abraçou, por um breve instante Riddle não queria que aquele momento acabasse, queria passar mais tempo com a sonserina — Estou sem graça, eu não comprei nada. — Não quero presentes, Davina. Só a sua companhia já me deixa satisfeito. — Sorriu simpático. — Olha só, Tom Riddle tem um lado fofo. — E assim você acaba com a minha masculinidade. — Mas você foi fofo, mesmo que aqui esteja congelando adorei conhecer. — Está com frio? — Um pouco. — Toma, pode vestir. — Entregou-lhe seu terno, Davina apenas concordou e vestiu. Por um segundo estranhou o comportamento do rapaz, não que Tom a tratasse com brutalidade, mas toda essa atenção a deixou curiosa. — Que horas são? — Vai dar onze horas. — Como? — O encarou assustada, como o tempo havia passado tão depressa? — Pensei que fosse mais cedo. — Está na frente de um relógio enorme, Davina. — Eu sei, não zombe de mim. — Tenho motivos para isso? — Sorriu malicioso, e aí estava o bom e velho Tom Riddle. — b***a! — Riu fraco o encarando — Quando vai cortar esse cabelo? — Te incomoda? — Um pouco, esconde seu rosto. — Aproximou-se tentando arrumar o cabelo do moreno que a encarava sério. — Não é motivo. — Seu rosto é bonito, deveria mostrá-lo. — Isso foi um elogio? — Digamos que sim, viu só? Agora sim. — Sorriu analisando o rapaz que a encarava. — Talvez eu corte, depois — disse se aproximou ainda mais da garota a fazendo apoiar na parede gelada. — O que está olhando? — Seus olhos, eu gosto deles. — Acariciou o rosto da garota a fazendo suspirar. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, Tom se sentia estranho quando a tocava, parecia que seu peito iria explodir a qualquer momento, não sabia como lidar com isso. — Os seus também são bonitos, Riddle. — Davina sorriu tentando acalmar os ânimos. — Obrigado, senhorita Wezen. Tom aproximou seu rosto cada vez mais, parecia não ter controle algum sobre suas ações, só queria sentir a garota em seus braços mais uma vez. Davina não recuou, sequer se sentiu intimidada com a situação mesmo que seu coração quisesse pular para fora. Sem pensar, os dois selaram seus lábios em um beijo úmido e quente, pareciam precisar daquele toque. Senhorita Wezen acariciava os cabelos do rapaz que apertava sua cintura com força, em poucos segundos estavam ofegantes. A morena sorriu ainda com os braços em volta de seu pescoço. — Quer ir descansar? — Tom perguntou sério. — Não mesmo. Davina o puxou para perto e o beijou novamente, sabia que poderiam se arrepender no dia seguinte, por isso quis aproveitar cada segundo com o sonserino que parecia um pouco tímido. (...)
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